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Brasil, Ciência
e Tecnologia Uma das referências importantes para
tratar de Ciência e Tecnologia no Brasil é
o documento produzido pelo Conselho Político da
Frente Democrática e Popular, integrada pelo PT,
PCdoB, PSB e PCB, divulgado em abril deste ano em São
Paulo. Com o título “Brasil, Ciência
e Tecnologia - É hora de usar a cabeça”,
o texto convoca pesquisadores, intelectuais, políticos,
empresários, participantes de organizações
não-governamentais e de movimentos sociais para
repensar e debater o papel da ciência e da tecnologia
no desenvolvimento do nosso país. Trata-se do segundo
manifesto em defesa do Brasil, apresentado pela Frente.
O primeiro, lançado em 1998, com ampla repercussão,
foi o Manifesto em Defesa do Brasil, da Democracia e do
Trabalho.
O documento sobre
ciência e tecnologia discute o papel que esses fatores
exercem no enriquecimento das nações e no
aumento do fosso entre países ricos e pobres. Assinala
também o descaso de grande parte das elites brasileiras
com o setor e inicia o debate para a elaboração
de um programa nessa área para um futuro governo
democrático-popular do Brasil. A questão
central levantada pelo manifesto enfatiza que está
na hora de o povo brasileiro dizer qual o papel e qual
o lugar que o Brasil deverá ocupar no mundo: se
aceitará continuar numa posição subalterna
e submissa, com todas as conseqüências de pobreza
e desigualdade social, ou se, finalmente, começará
a traçar outro rumo para a nossa história.
O governo de FHC,
seguidor das políticas neoliberais, promoveu -
e promove - o processo de privatizações,
prejudicando diretamente o nosso setor científico
e a rede de indústrias de alta tecnologia formada
e acumulada em torno das empresas estatais. No setor elétrico,
por exemplo, os grupos estrangeiros que adquiriram as
nossas companhias geradoras e distribuidoras estão
abandonando a hidreletricidade, na qual além dos
recursos naturais, temos uma competência tecnológica
das mais avançadas em todo o mundo. Os resultados
estão aí: tarifas cada vez mais altas, racionamento
de energia elétrica e risco de apagão.
Destaco aqui alguns
dos principais pontos programáticos de uma nova
política científica, tecnológica
e industrial propostos naquele manifesto:
- Redefinir a inserção
do povo brasileiro na divisão internacional do
trabalho e colocar como prioridade a substituição
de importação de tecnologia e a realização
no maior grau possível, do esforço de Pesquisa
e Desenvolvimento no interior da nossa sociedade;
– Orientar
a pesquisa e o desenvolvimento para elevar radicalmente
os níveis de educação e saúde
do povo, democratizar o acesso à informação
e ao conhecimento, expandir postos de trabalho nos ramos
de atividade que se mostram cada vez mais economicamente
dinâmicos e geradores de renda;
– O Estado
terá, nessa política, papel indutor estratégico
essencial, cabendo a ele, conforme prioridades democraticamente
definidas, estabelecer programas que merecerão
apoio financeiro, mobilização da comunidade
científica e tecnológica, e proteção
às atividades industriais relacionadas.
– Organizar
e qualificar o sistema de ensino, em todos os graus, para
formar os profissionais necessários a uma nova
economia e sociedade baseadas na informação,
no conhecimento, na produção de cultura
e símbolos.
– Recuperar
e consolidar, estrutural e politicamente, o Sistema Federal
de Ciência e Tecnologia, aproveitando importantes
experiências locais e regionais que vêm sendo
implementadas em alguns estados da federação
mesmo com a crise de financiamento público.
Considero importante
para o futuro do nosso país ampliar e aprofundar
esse debate. É preciso inclusive popularizar o
tema, propiciando que setores cada mais amplos da sociedade
tomem consciência da importância estratégica
da Ciência e da Tecnologia. O Instituto Cidadania,
que produziu o Projeto Moradia no ano passado, lançou
no último dia 16 o projeto Fome Zero e está
finalizando o de Segurança Pública para
o Brasil, dedicará esforços a um novo projeto:
Educação, Ciência e Tecnologia para
um Brasil soberano.
Luiz
Inácio Lula da Silva
Presidente de Honra do Partido dos
Trabalhadores e Conselheiro do Instituto Cidadania
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