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2002: espírito de inovação e reconstrução


O emblemático ano de 2000, deixou o peso da ficção científica de Kubrick e virou passado. Eventos, em determinados momentos considerados apocalípticos, fazem parte de mais uma página virada da história de poder do homem sobre quase todas as coisas. Alguns mudaram conceitos e apontam possíveis novos rumos. Outros apenas repetem ensinamentos da história, mesmo que sob novos figurinos.

De um lado, a mistura da fé e da religião com questões políticas renovou a atmosfera explosiva do desencontro dos poderosos, de outro, o episódio das economias sul-americanas comprovou que não se engana o povo por muito tempo e nem se desenvolve uma economia forte fora da sociedade, seguindo apenas princípios genéricos de racionalidade e eficiência .

Mais simpático e numericamente versátil, 2002 traz sua força criadora, seu espírito de inovação e reconstrução. O Brasil, por ter passado o último ano sem grandes sobressaltos, tem sua responsabilidade aumentada na medida em que tem a oportunidade de escolher o seu próprio caminho, mas também o de boa parte da América Latina.

Após encerrar o ano com o primeiro superávit comercial deste governo e com a inflação abaixo de 10%, o Banco Central prevê menos de 5% para o novo ano e um crescimento de 1,8%, enquanto o FMI estima 2,4% para o mundo. A dívida líquida do setor público alcança a cifra de R$ 660 bilhões, representando 53% do PIB, e mais de 50 milhões de brasileiros vivem à margem das condições mínimas de cidadania e dignidade humana.

O sistema Confea/Crea, consciente da gravidade dos números, de suas implicações sociais e da importância do momento político, deverá participar ativamente da discussão concreta e competente das grandes questões que desafiam a sociedade.

Fundamentados na metodologia do nosso planejamento estratégico, teremos significativas ações a desenvolver. Devemos dar seqüência à manutenção de uma forte política de incentivo aos Creas para que prossigam e intensifiquem as ações visando a coibir o exercício ilegal das nossas profissões. A conclusão da já iniciada infraestrutura do Sistema Corporativo de Comunicação se impõe para que possamos operar o Programa de Educação Continuada, cujos primeiros resultados, com sucesso, já se fazem ouvir. O IV Congresso Nacional de Profissionais também nos deixou importantes missões a serem cumpridas, traçando com precisão a necessidade de um novo Código de Ética, de um sistema de avaliação para ingresso na profissão bem como a criação de mecanismos referentes à certificação profissional. Estas decisões políticas requerem um grande trabalho e possibilitarão alcançarmos um novo patamar de organização.

Nosso espírito de cidadania e a correta visão da nossa responsabilidade social exigirão forte atuação, em diferentes níveis, no processo eletivo geral que se avizinha. Deveremos traduzir aos candidatos à Presidência da República nossos compromissos com um desenvolvimento sustentável e socialmente mais justo, trabalhar intensamente para que os legislativos sejam integrados por parlamentares conscientes do seu papel e que possam ser nossos interlocutores. Por último, contribuir para que a sociedade brasileira tenha discernimento das suas necessidades e de quais os métodos adequados para atendê-las.

No plano interno, também teremos eleições que possiblitarão as necessárias renovações e a revitalização dos nossos compromissos com os profissionais e o Brasil, pois ninguém tem o direito de sentar no sofá da omissão porque, como diz o poeta “ninguém vai dormir nossos sonhos“.

Engº Wilson Lang
Presidente do Confea

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Este espaço é voltado a manifestações especiais de convidados do Confea, que prestigiam os profissionais do Sistema com artigos assinados, que, não necessariamente, expressam a opinião do Conselho Federal, mas que são opiniões bem fundamentadas de questões nacionais e/ou internacionais que influenciam a vida de todos.