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  Engenharia pública no Fórum Social Mundial

Contribuições das mais diversas ordens, que exploram toda a amplitude do que hoje se entende por questões sociais, foram colocadas no II FSM. Iniciativas quem têm em comum o desejo de humanizar a moradia do homem: o planeta Terra. O Sistema Confea/Crea participou com várias intervenções, entre elas a oficina sobre engenharia e arquitetura públicas

Uma feira de troca de experiências voltadas para a melhoria da qualidade de
vida do planeta. Isso é o Fórum Social Mundial (FMS), que na sua segunda versão, realizada em Porto Alegre, de 31 de janeiro a 5 de fevereiro, praticamente dobrou o número de participantes e de oficinas (ver boxe). Entre as novas oficinas, a de “Engenharia e Arquitetura Pública”, realizada pelo Confea em parceria com a Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA) e com a Federação de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge).

O tema levou à oficina 72 participantes entre profissionais, estudantes e pessoas em geral envolvidas com a questão da moradia, problema que se revela no crescente déficit habitacional brasileiro, num grande número de construções irregulares nas cidades e numa multidão de sem-tetos. A moradia hoje é uma das principais pautas dos movimentos sociais.

A oficina teve três horas de duração divididas entre: a palestra “Engenharia e Arquitetura Pública, O Que É? Como Viabilizá-la?”, proferida pelo presidente do Confea, engenheiro Wilson Lang; a apresentação do projeto “Assistência Técnica à Moradia Econômica – ATME”, em tramitação no Congresso Nacional, de autoria do deputado federal (PT/RS) Clóvis Ilgenfritz da Silva; e os depoimentos dos coordenadores de algumas experiências práticas de engenharia e arquitetura pública dentro do Sistema Confea/Crea. Contaram as experiências de suas entidades o engenheiro civil do Crea-PR, Ivo Mendes, o engenheiro civil do Crea-SC Rubens Aviz e a engenheira civil do Crea-RN, Maria Eleonora Silva de Macedo.

O presidente Lang disse que o Sistema Confea/Crea demonstrou vontade política de contribuir para a solução do problema da moradia e, conseqüentemente, somar para a reordenaçã


Lang lembrou também a participação do Confea, do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), da Federação Nacional do Arquitetos e Urbanistas (FNA), dos Conselhos Regionais e de outras entidades do sistema profissional que somaram nas discussões a respeito do Estatuto da Cidade. Esta lei regulamenta a reorganização urbana das cidades em seu amplo aspecto e dá o embasamento legal à implementação da engenharia, arquitetura e agronomia públicas.

Wilson Lang
“A segunda versão do FSM praticamente dobrou o número de participantes e de oficinas”


Experiências

O engenheiro Ivo Mendes explicou que o projeto Casa Fácil, implementado no Crea Paraná, nasceu em 1988. Sua simplicidade está em liberar o possuidor de um terreno para a construção de sua própria casa, interpretando que uma construção residencial de até 70 m², incluída em parâmetros preestabelecidos, não se enquadra, para efeitos legais, como obra de engenharia.

O interessado fica desobrigado de contratar um responsável técnico, tem isenção da taxa de ART, recebe o projeto de sua casa gratuito fornecido pelo Crea e pelas Associações de Engenheiros e Arquitetos. Ele recebe, ainda, orientação e assistência técnica necessárias e o memorial descritivo da obra, incluído o orçamento.

Até o final de 2000, foram feitos convênios com 370 prefeituras do Paraná, e em 29 municípios o Crea atua sem convênio. Há um envolvimento de 100% das associações de engenheiros e arquitetos. Nesses 13 anos de existência, o programa já atendeu 100 mil famílias. Em 1988, ano da estréia, o Crea Fácil recebeu o Habitat, prêmio da Organização das Nações Unidas (ONU).

Na cidade de Brusque, Santa Catarina, onde o programa é chamado Moradia Econômica, a experiência começou em 1992. Segundo o engenheiro Rubens Aviz, a iniciativa mobilizou toda a sociedade, envolvendo Câmara dos Vereadores, Prefeitura, Crea e o Clube dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos, e nasceu para combater o alto índice de obras irregulares.

O Moradia Econômica funciona assim: o interessado vai ao Clube dos Engenheiros, onde há uma galeria com 70 projetos expostos, previamente aprovados pelo Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano e que variam de 30 m² a 70 m², elaborados por profissionais que aderiram ao programa.

O interessado escolhe um dos projetos e a secretária do clube o coloca em contato com o profissional responsável, que encaminha o projeto com a informação da área onde será executado para a consulta de viabilidade técnica, feita dentro dos parâmetros do Plano Diretor da cidade. Se estiver tudo certo, o projeto é executado e o profissional tem a obrigação de visitar a obra pelo menos duas vezes.

O Moradia Econômica já beneficiou 2% da população de Brusque, o que significa 1.400 casas construídas nesses dez anos. O projeto mais caro, de 70 m², custa 50% do CUB – Custo Unitário Básico – que é cerca de R$ 260.

A engenheira Maria Eleonora Silva de Macedo relatou a experiência do Crea-RN, onde o programa funciona em parceria com a prefeitura de Natal, governo do Estado, universidade Potiguar, Instituto de Arquitetos, Sindicato dos Engenheiros, Centro Federal de Educação Tecnológica, Sinduscon e Sindicato dos Técnicos Industriais (Sintec).

Para ter acesso ao programa, o interessado tem de comprovar que sua renda não ultrapassa três salários mínimos, não possui moradia própria, tem terreno urbano regularizado ou, se promitente comprador de um, deve assumir compromisso de seguir rigorosamente as orientações do responsável técnico pela execução da obra.

O interessado ganha como benefícios, além do projeto acompanhado de orçamento quantitativo e memorial descrito, redução ou isenção da taxa de ART, de licenciamento junto ao município (alvará, habite-se, certidões), orientação técnica durante todo o período de construção e garantia de uma edificação segura.

A engenheira ressaltou que os órgãos governamentais ganham muito com essa parceria também. “Cada moradia construída, dentro do Nossa Casa, é mais uma no cadastro técnico municipal. A prefeitura cumpre seu papel social com a população de baixa renda e pode melhor organizar a cidade dentro de um plano diretor”, explicou.

As instituições de ensino, que participam da parceria, prestam serviço de alto valor social à comunidade e oferecem aos seus alunos de graduação oportunidade de aulas práticas na elaboração dos projetos.


Números do II Fórum Social Mundial “Um Outro Mundo é Possível”

51.300
participantes
22.000
mulheres (43%)
29.300
homens (57%)
15.250
delegados
170
delegados indígenas
4.909
organizações
131
países
11.600
jovens (hospedados no acampamento da juventude), que representaram 52 países
170
delegados indígenas
360
índios
1.583
camponeses
2.670
sindicalistas
1.000
voluntários na organização
2.402
jornalistas de mil diferentes órgãos de mídia de 48 países
500
mil acessos diários no site do fórum
2.500
crianças (forunzinho)
800
oficineiros educadores voluntários (forunzinho)

 

 
Resoluções do II FSM

O Conselho Internacional do Fórum Social Mundial, em reunião de encerramento, avaliou que houve um fortalecimento da idéia, em nível internacional, de que o FSM é muito mais que um evento. Está se consolidando como um movimento aberto que se globaliza e cria raízes. A própria composição do conselho internacional demonstra a ampliação de forças sociais que no planeta comprometem-se de forma permanente com o FSM.

O Conselho Internacional do FSM avaliou que a realização do FSM localizado é fundamental para o encontro e a articulação da multiplicidade de forças que se opõem à globalização neoliberal. O próprio evento tem espaço público importante para a dinamização do evento.

O Conselho Internacional do FSM considerou que o processo de globalização, e o enraizamento do FSM exigem uma constante mobilização nas regiões para ampliar as participações de todos os continentes. Dessa forma, decidiu o seguinte:

1) No segundo semestre de cada ano, serão realizadas em diferentes pontos do mundo edições continentais ou regionais do FSM.

2) O III FSM será novamente em Porto Alegre, Brasil.

3) O III FSM será realizado de novo na mesma data que o Fórum Econômico Mundial.

4) O Conselho Internacional do FSM terá o papel decisivo da articulação da dinâmica dos fóruns regionais e continentais e do III FSM.

5) O Conselho Internacional terá este tema como pauta principal na sua próxima reunião de 28 a 30 de abril.

   

 

 

 

 

 

 

 

 

“Casa Fácil, Moradia Econômioca e Nossa Casa, são três tipos diferentes de experiências de engenharia e arquitetura públicas que já vem sendo realizadas dentro do Sistema Confea/Crea”

    
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