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  Ouvidoria: o consumidor em primeiro plano

Quem reclama dá oportunidade ao outro de mudar o que está errado. Quem sabe ouvir, aproveita todo o feedback recebido e ainda ganha uma segunda chance para atender bem o seu cliente

As organizações públicas e privadas já descobriram que o melhor caminho
para a satisfação do seu cliente é ouvir e sistematizar suas reclamações. Isso explica a profusão crescente de serviços de atendimento ao consumidor e do fortalecimento do profissional ouvidor, também chamado de ombudsman.

Pesquisas de mercado recentes apontam que o cliente que tem a oportunidade de reclamar continua sendo cliente. Já aquele que não tem como expressar sua insatisfação junto à empresa que prestou o serviço, além de deixar de ser cliente, tem o potencial de influenciar negativamente outros 20 consumidores em média. Isto é, criar um canal de comunicação direto com o cliente é hoje o melhor negócio.

O Sistema Confea/Crea descobriu isso em 1997, quando foi fundada a primeira ouvidoria no Crea do Rio de Janeiro. Esta ação revelou a preocupação do sistema em garantir às comunidades dos serviços da área tecnológica o direito de recebê-los com qualidade. Logo os Creas de Santa Catarina, Minas Gerais e do Distrito Federal seguiram o exemplo do Conselho carioca e criaram suas ouvidorias. Agora estão em fase de implantação as ouvidorias dos Creas de Mato Grosso, Goiás e Rio Grande do Norte. O Crea-ES, em dezembro, no Dia do Engenheiro, fez o lançamento do seu projeto de Ouvidoria.

Dentro dos Creas, as ouvidorias foram criadas com o principal objetivo de se estabelecer um canal de comunicação direta entre os Creas e os seus públicos consumidores, buscando eficiência e qualidade nos serviços prestados pela organização. “Uma ouvidoria é um órgão mediador, elo de relacionamento entre o Conselho e os profissionais, empresas e comunidade. Serve para encaminhar sugestões, críticas, evitando e eliminando a lentidão que a burocracia e a hierarquia formal às vezes exige”, comenta a ouvidora do Crea de Minas Gerais, relações públicas Sandra Beatriz Rodrigues Fernandino de Castro.

A Ouvidoria é um sistema que está dando certo, já que a criação deste instrumento de fiscalização só vem trazendo benefícios aos profissionais que fazem parte do Crea e à comunidade consumidora dos serviços prestados por esses profissionais. “O ouvidor e o Crea têm uma relação de parceria. Faz com que aumente a consciência e a responsabilidade de todas as pessoas que de uma forma ou de outra estão envolvidas e influenciando no destino da instituição no sentido de procurar fazer sempre a coisa certa, evitando com isto possíveis e dispendiosos processos judiciais”, ressalta o ouvidor do Crea de Santa Catarina Amaro Gomes.

Para trabalhar junto às ouvidorias, o Confea criou o Prodafisc, um programa de desenvolvimento e aperfeiçoamento da fiscalização dos Creas destinado à melhoria da eficiência e da eficácia dos conselhos regionais. Só recebem este programa os Creas que possuem uma Ouvidoria.

Cada Ouvidoria criou seu próprio sistema de trabalho. A Ouvidoria de Minas Gerais, por exemplo, conta com vários tipos de atendimento. Lá as reclamações, denúncias, sugestões, informações e solicitações podem ser feitas através de telefonemas, e-mail, fax, carta ou até mesmo pessoalmente. As reclamações feitas por telefone continuam sendo o modo mais utilizado para os casos em que o usuário deseja demonstrar seu inconformismo, sendo que o correio eletrônico é hoje o meio mais usado para o contato direto com o ouvidor.

“Criar um canal de comunicação direto com o cliente é hoje o melhor negócio”


Linha direta

Segundo a ouvidora do Crea-MG, 48% dos atendimentos são feitos por telefone, sendo que 38% das pessoas procuram a Ouvidoria para fazer reclamações gerais dos serviços prestados pela organização. Nos últimos dois anos de funcionamento da Ouvidoria do Crea-RJ, cerca de 2 mil reclamações e consultas foram atendidas. “As reclamações relativas à demora na tramitação de processos e na emissão de certidões e atestados foram as que mais incomodaram nossos usuários”, complementa o ouvidor do Crea-RJ , engenheiro eletricista Antônio José Martins.

O que fica claro, é que desde o século XIX, quando foram criadas as figuras de ombudsman/ouvidor, o principal objetivo deste mediador continua sendo mesmo dar transparência às atividades da instituição, aumentando assim a credibilidade junto aos seus usuários e à sociedade em geral. “A criação de uma Ouvidoria é, pois, uma atitude de coragem do gestor que está aberto a críticas e uma opção pela transparência. O ouvidor, por outro lado, deve ter a irreverência do menino que habita o rosto imaginário infantil de dizer ao gestor, quando for o caso, que o“ rei está nu”, conclui o engenheiro Antonio José Martins.

Em Pernambuco, funciona há três anos a Assessoria de Defesa do Consumidor – ADC, que trata da defesa da sociedade a partir do bom exercício profissional. Esse trabalho busca conciliar os conflitos entre os usuários e os prestadores de serviços da engenharia, através do assessoramento técnico e jurídico para dirimir dúvidas decorrentes desse tipo de consumo.

Além desses serviços, a ADC orienta sobre compra e manutenção de imóveis, bem como esclarece sobre os direitos e deveres nessas atividades. Após esses três anos de atuação, constata-se que tanto os consumidores quanto as empresas construtoras e demais prestadores de serviço são beneficiados, principalmente, pela concilciação desses conflitos no âmbito do próprio Crea-PE, sem necessidade, na maioria das vezes, de o usuário recorrer à Justiça. Isto é comprado pelo percentual de acordos realizados – 56,25% – entre os processos até agora concluídos.

Criação da Ouvidoria em Minas Gerais

 


Ouvidoria: mais de um século de história

Foi durante o século XIX que surgiu na Suécia o trabalho de ombudsman. Criado com o objetivo de controlar a observância das leis e denunciar aqueles agentes públicos que, no exercício de suas funções públicas, cometessem ilegalidades.

Após a 2ª Guerra Mundial, a figura do ombudsman tornou-se uma necessidade das democracias estáveis. Com denominações diferenciadas, esse instrumento democrático de fiscalização espalhou-se por todos os continentes, deixando de ser um mecanismo do sistema parlamentarista, adaptando-se aos mais distintos sistemas jurídicos e de governo.

Em 1548, com a criação do Governo-Geral do Brasil, surgiu a figura do ouvidor-geral com as funções de corregedor-geral da Justiça em todo o território colonizado. Só a partir dos anos 80 começam a ser criadas as ouvidorias na esfera pública. Também na iniciativa privada, a figura do ombudsman ganha espaço, sendo adotado por empresas interessadas em ouvir e investigar, de forma independente e crítica, as reclamações, informações e sugestões dos seus consumidores.

   

 

 

 

 

 

 

 

 

Uma ouvido-ria é um órgão mediador, elo de relacionamento entre o Conselho e os profissionais, empresas e comunidade”

    
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