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Cercada de diferentes
paisagens e contornando o litoral do Brasil, do
Nordeste ao Sul, a BR-101 movimenta grande parte
das riquezas nacionais. Toneladas de produtos passam
diariamente pela rodovia. Pólos industriais,
cidades e vilarejos se desenvolveram às margens
da rodovia, no decorrer da história. Além
dos aspectos sociais e econômicos, ao longo
do percurso também é possível
ter contato com as variações de clima,
fauna e flora brasileira.
Como em todo o país, a manutenção
da rodovia também é um grande problema
no Sul do Brasil. A falta de verbas, de organização
política, as alterações climáticas
e a burocracia são alguns dos fatores complicadores
da situação das estradas.
A rodovia BR-101 atravessa
o Brasil desde Osório, no Rio Grande do Sul,
até Natal, no Rio Grande do Norte, cortando
ao todo 12 Estados no litoral brasileiro. A imensidão
da estrada, em seus 4.551,4 quilômetros, é
proporcional ao número de tragédias
que ocorrem sobre o seu trajeto. Só no trecho
sul, as colisões e acidentes provocam 300
mortes por ano. Reverter o atual quadro da BR-101
e mudar o apelido sombrio de “rodovia da morte”
são consideradas questões de honra
nacional. A duplicação da BR-101 é
uma das maiores obras rodoviárias do planeta
na atualidade.
Apenas a conclusão
do trecho sul (Palhoça – Osório)
está orçada em cerca de R$ 2,6 bilhões
e deve durar aproximadamente quatro anos. Serão
duplicados quase 400 quilômetros de pistas
no total. Em Santa Catarina, são 248,5 quilômetros
de pista.
A duplicação
do trecho sul da BR-101 vai beneficiar milhares
de pessoas e contribuir decisivamente para o desenvolvimento
de toda a região, uma vez que a BR-101 é
considerada o principal corredor do Mercosul. Além
da preocupação com os aspectos financeiros
e econômicos da rodovia, o projeto da obra
deu atenção especial à preservação
do meio ambiente. Para adequar o projeto às
exigências ambientais, o custo estimado já
aumentou de U$ 870 milhões para U$ 1,15 bilhão.
Entre os benefícios
futuros, as melhorias na rodovia irão facilitar
o acesso de turistas do Sul/Sudeste às praias
da Bahia e do Nordeste de maneira geral, tendo em
vista o traçado da BR-101 até Natal
(RN). Outra vantagem será a ampliação
da capacidade de tráfego que irá possibilitar
maior investimento por parte dos empreendimentos
das cidades localizadas nos arredores da estrada.
Além de importante via de acesso às
praias do Espírito Santo, a rodovia também
permitirá que os portos do Estado sejam alcançados
pelas cargas do Sudeste com destino ao mercado externo.
A exploração
do uso múltiplo de infra-estruturas também
será beneficiada pelas melhorias na rodovia.
O uso de linhas de transmissão, gasodutos,
rodovias e ferrovias tem sido disputado ou pelas
próprias empresas operadoras dos sistemas
ou por empresas de telecomunicações
interessadas em estender seus cabos de fibra óptica,
aproveitando o direito de passagem.
O Departamento Nacional de Estradas de Rodagem pretende
licitar o direito de uso das margens das rodovias,
permitindo a instalação de cabos de
fibra óptica para a exploração
de serviços de telecomunicações.
A estimativa é que 12 mil quilômetros
de cabos poderão ser instalados pela iniciativa
privada, o que pode gerar negócios da ordem
de US$ 7 bilhões.
O começo da duplicação
está previsto para dezembro e se realmente
ocorrer nesta data as obras começam com pelo
menos dois anos de atraso no cronograma oficial
e pelo menos dez anos para a comunidade. Afinal,
foi na campanha presidencial de 1994 que o atual
presidente Fernando Henrique Cardoso prometeu nos
palanques de Santa Catarina a duplicação
da rodovia. Mas foi somente no mês de junho
deste ano que aconteceu a assinatura do edital para
a obra. De acordo com o Ministério dos Transportes,
o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento)
estuda agora o projeto para a liberação
do financiamento. São necessárias
ainda a realização do edital de licitação,
a licença de instalação da
obra e a licença ambiental de operação,
que é concedida pelo Ibama após a
conclusão das obras e antes da liberação
de uso. Segundo o diretor do Departamento Nacional
de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT), Luiz Francisco
Silva Marcos, os problemas ambientais e a burocracia
têm sido as maio res causas do atraso do processo.
No Norte de Santa Catarina,
a rodovia já está totalmente duplicada.
E, enquanto a duplicação do trecho
Sul esbarra nas barreiras burocráticas, motoristas
e população tentam sobreviver em meio
a engarrafamentos, acidentes, traumas e medos. Isso
sem contar as perdas em investimentos comerciais
e profissionais. Produtos vindos do Sul começam
a perder competitividade no mercado. Em razão
da falta de segurança na rodovia, eles são
passíveis de taxações maiores
tanto no custo do transporte quanto no valor dos
seguros devido aos riscos maiores.
| Números da BR-101
Sul |
1 |
morte
a cada 29 horas |
300 |
mortes
por ano na estrada |
600 |
pessoas
ficam feridas |
2.500 |
acidentes
por ano |
|
1,5
|
bilhão
de reais de prejuízos
com acidentes a cada 12 meses |
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