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O espaço do arquiteto


Apresença de um brasileiro na presidência da União Internacional dos Arquitetos é uma grande vitória para o país. A arquitetura brasileira sempre foi considerada de vanguarda. Tivemos nomes que ganharam destaque mundial, mas faltava uma participação forte numa organização importante para acentuarmos nossa presença, não apenas pelos trabalhos, mas também por meio de idéias, opiniões e posições. Quero tornar isso possível com a minha eleição, que considero uma homenagem à arquitetura brasileira. Aliás, a minha eleição já mostra que ocorreu um avanço neste sentido. Tenho certeza de que serão três anos de fortalecimento para a arquitetura brasileira.

A proposta principal é aquela que contribuiu para minha vitória nas eleições. Quero abrir o espaço das cidades para os arquitetos. Todo arquiteto tem uma idéia para sua cidade. É necessário dar uma oportunidade para o arquiteto apresentar essa idéia. Com o apoio dos institutos de arquitetos de cada cidade, faremos concursos para a apresentação destas idéias. Não estou me referindo ao planejamento da cidade, que já é feito por pessoas capacitadas e cujo trabalho deve ser respeitado. Mas toda cidade tem a necessidade de idéias que possam provocar manifestações, transformações importantes. É o que chamo de acupuntura urbana. Eu acredito que em pouco tempo, de seis meses a um ano, podemos organizar isso. Teríamos 500, 600 idéias espalhadas em várias cidades do mundo. Meu papel, como presidente da UIA, seria o de negociar com prefeitos, governadores e lideranças políticas o compromisso de realizar essas idéias. Quero transformar meus três anos na UIA numa celebração das cidades.

O fato de eu ter apresentado uma proposta que prega a celebração das cidades ajudou a consolidar a idéia de que eu não serei um burocrata na UIA, mas sim uma pessoa que vai lutar pela criação de novos caminhos. O título celebração das cidades não é apenas retórica. É um processo bem amplo de apoio às cidades que pode ser conduzido pela UIA. Muitas cidades e países menos desenvolvidos poderiam ser ajudados com a montagem dos projetos. Estes serviriam de base para a obtenção de financiamento do Banco Mundial ou do BID.

Além disso, a celebração das cidades promoveria uma troca de experiências entre as cidades, que hoje têm uma comunicação entre si limitada. Esse projeto seria uma ação de repercussão mundial da UIA, com grandes benefícios para os arquitetos.

Há uma grande discussão no mundo sobre globalização e solidariedade. Eu sempre defendi a tese de que a cidade é o último reduto da solidariedade. Então, é mais uma razão para participar num grande projeto. A participação dos arquitetos nesta acupuntura urbana abriria cada vez mais espaços para os profissionais. Seriam oportunidades novas para todos.

O arquiteto é o profissional da proposta. Quanto mais ele exercer essa condição, mais espaço ele vai abrir. Por isso, em todos os momentos na presidência da UIA, quero estimular os arquitetos a apresentar suas idéias, suas propostas. Vou abrir as portas da UIA. A UIA é a voz do arquiteto. Ela é um dos instrumentos para abrirmos espaços, mostrarmos nossas idéias. É a organização máxima da categoria. Com a União é que o arquiteto ganha força na sociedade mundial. Com minha proposta de trabalho junto às cidades, esses conceitos serão ainda mais valorizados.

Jaime Lerner
é Governador do Paraná e presidente da
União Internacional dos Arquiteto

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