Busca

 
   
 

Investimentos em ciência e tecnologia significam

Desenvolvimento e Soberania


Em 16 de novembro é comemorado o “Dia Nacional da Tecnologia”. Essa, talvez, seja uma boa oportunidade para que nós, profissionais da área tecnológica, façamos uma análise do estágio atual da ciência e tecnologia em nosso país. Acredito que não caiba mais aqui discutir a importância dessa área. Todos concordam que ela é vital para o nosso desenvolvimento. A discussão deve partir, então, para a necessidade de criarmos os mecanismos adequados para a efetiva implantação de uma política nacional de Ciência e Tecnologia (C&T), com a participação do setor público e do setor privado.

Cabe enfatizar que a falta de investimentos, além da questão econômica, está vinculada a um projeto atual, dependente de capital e tecnologia externa. Ainda que pareça lugar comum, nunca é demais falar da importância da pesquisa de base e do domínio de ciência e tecnologia para a soberania de um país, principalmente em tempos de globalização. Os países do mundo atual constroem suas economias com base no conhecimento. E esse tem se tornado o mais importante fator para o desenvolvimento social e econômico das nações. A soberania de uma nação passa pelo domínio tecnológico.

Essa situação ser torna mais grave, tendo em vista que produção científica e tecnológica requer tempo. São anos de trabalho e amplos investimentos, públicos e privados, em universidades, institutos e centros de pesquisa, para a geração tanto de recursos humanos qualificados quanto para a criação de empresas com capacidade de absorver esses novos conhecimentos. Daí a necessidade de começarmos já. Hoje, quem detém o conhecimento, a informação, possui a chave para alcançar o desenvolvimento econômico e social. A diferença entre autonomia e dependência, inclusão e exclusão, vai estar na nossa capacidade de perceber isso e fazer os movimentos necessários para que tal aconteça.

Setor privado precisa ajudar
Hoje, em nosso país, 90% das pesquisas científicas são realizadas nas universidades federais e, essas, como se sabe, vêm sofrendo um processo de esvaziamento, no qual os pesquisadores que resistem não têm a estrutura adequada para a realização do seu trabalho. Uma alternativa é conscientizar os empresários da necessidade de investir em pesquisa, e isso só vai acontecer se houver consenso em torno de uma proposta coerente, clara e objetiva.

Segundo dados do Ministério de Ciência e Tecnologia MCT, o Brasil investe atualmente em ciência e tecnologia (C&T) e pesquisa e desenvolvimento (P&D) o equivalente a pouco mais de 2,2% do PIB. Desse número, o grande investidor é o governo, com 1,4% do total. Esse talvez seja o grande nó da C&T no país. Com a baixa capacidade de investimentos por parte do governo, ficamos de mãos e pés atados. Esse é um assunto que interessa a todos: povo, governo e empresários.

Para se ter um exemplo, comparado com outros países, a quantidade de profissionais trabalhando efetivamente em pesquisa e desenvolvimento no Brasil é muito pequena, apenas 0,11%. Nos Estados Unidos e no Japão, esse índice é de cerca de 0,80%, quase oito vezes mais. Outro dado preocupante é que 73% dos nossos cientistas e engenheiros trabalham nas universidades e 16%, em centros e institutos de pesquisa sem fins lucrativos. Apenas 11% estão nas empresas. Nos Estados Unidos, 79% desses profissionais estão empregados em centros de pesquisas de empresas privadas.

Precisamos colocar a ciência e a tecnologia na agenda dos assuntos prioritários para o Brasil. Só vamos reduzir a distância que nos separa dos países desenvolvidos se implantarmos, no país, uma sociedade do conhecimento, da acessibilidade e da justiça social. O momento não poderia ser mais propício, tendo em vista a eleição do novo presidente.


Engº Civil Marcos Túlio de Melo
Presidente do Crea/MG


Marcos Tulio de Melo

    
Todos os direitos reservados à Revista do Confea
Confea - Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia