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Uma nova tecnologia
começa a ser adotada na construção
de casas, utilizando o plástico como matéria-prima.
Os tijolos, feitos a partir de garrafas de refrigerantes
recicláveis, mostram que é possível
construir com poucos recursos e, quem sabe, resolver
o grande problema de déficit habitacional
do país
A solução é simples, o projeto
ousado. Quem imaginaria que aquelas garrafas pet
de 2 litros pudessem um dia solucionar o problema
da falta de moradias no país? É exatamente
isso que propõem o empresário Valdir
Gimenes e o arquiteto Sérgio Prado, que desenvolveram
juntos um sistema integrado de casas populares construídas
à base de plástico. Com essa iniciativa,
o excesso de lixo plástico pode deixar de
ser problema para resolver efetivamente o déficit
habitacional das cidades.
Projetado
a partir de experiências belgas, o processo
industrial começa com o plástico sendo
moído, prensado e transformado na matéria-prima
para a fabricação de tijolos e barras
de plástico duro. Depois, juntando as unidades,
como se fossem aqueles brinquedos de montar gigantes,
a casa vai sendo construída. As paredes são
duplas, com um colchão de ar no meio, o que
evita aquecimento excessivo. Já o teto é
feito com embalagens tipo TetraPak, comuns em leite
e sucos. Outros produtos, como embalagens metalizadas
e isopor, também são usados no processo.
A casa é resistente ao fogo e a vários
tipos de pragas, como os cupins, e suas paredes
permitem a colocação de azulejos.
Uma das maiores vantagens é a durabilidade.
“A madeira tratada tem 25 anos de vida útil.
O plástico chega a 400 anos”, compara
Gimenes.
As peças são
produzidas em Guarulhos, onde é exposto para
a população um mostruário das
construções já realizadas em
São Paulo. Segundo os empresários,
a fábrica tem capacidade de produzir por
mês 40 casas de 70 metros quadrados de área.
“O custo por unidade é a metade do
preço de uma convencional, com uma duração
incomparavelmente maior”, garante Prado. Para
construir cada casa, são necessárias
cinco toneladas de plástico. “O brasileiro
produz uma média de 4 a 5 quilos de plástico
por mês, o que equivale a 680 mil toneladas
produzidas por 170 milhões de pessoas e permitiria
construir mensalmente 116 mil casas”, calcula
Gimenes.
Além de residências,
o plástico pode ser matéria-prima
para inúmeros produtos, de cabines telefônicas
a caixões. Na opinião de Sérgio,
a casa de plástico tem grandes vantagens
ambientais em relação à de
concreto. “O sistema atual, que usa a termofusão
para juntar os elementos, esquenta a atmosfera porque
é feito à base de ferro, cimento e
areia. Para evitar o aquecimento, usa-se ar-condicionado,
que também traz danos à vida.”
A casa, já patenteada, não retém
a umidade e nem o calor, por isso é arejada.
São usados, na produção das
vigas, placas e telhas, todos os tipos de plásticos.
“Estão reunidos, fibrados juntos, 300
tipos de plástico. Pode-se fazer um, dois
e até três andares tranqüilamente
com esse material. A casa é oca para passar
as instalações hidráulica e
elétrica. Também é possível
preencher acusticamente”, esclarece o arquiteto.
Para um projeto como esse
dar certo, é preciso haver coleta seletiva
de lixo em grande escala no país. Uma rede
cooperativa com catadores, moradores, produtores
e o setor empresarial já está sendo
formada para transformar essa idéia em realidade.
Os empresários afirmam que a produção
em série vai ser impulsionada com a aprovação
pela Câmara Federal da Lei 269/99. Ela determina
que todos os objetos que tenham embalagens plásticas
devem trazer impressos as indicações
de validade e destino apropriado. Além de
responsabilizar pelo destino final das embalagens
os produtores, distribuidores, importadores e comerciantes
dos produtos. Para garantir a manutenção
do sistema, a sugestão é a instalação
de ecopontos, caixas coletoras de plástico,
distribuídas pela cidade e instaladas em
muros para recolher o produto.
Para maiores informações
é só acessar o site: www.curadoresdaterra.com.br
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