|
Em
meados do século 20, o mundo conheceu
o novo sistema de produção baseado
no conhecimento e no empreendedorismo. A idéia
surgiu nos EUA, em 1985, e hoje conta com
mais de 700 incubadoras integradas ao movimento
americano, que cresce 20% ao ano. Na Europa,
essas empresas são vistas como grandes
instrumentos de inovação, devido
ao apoio dado para o surgimento de novas tecnologias.
Não por acaso, em 2002, existiam aproximadamente
900 projetos espalhados pelo continente europeu.
No Japão, na China e na Coréia
do Sul, as incubadoras também são
vistas como objetos essenciais de crescimento
econômico. Nesse último, por
exemplo, o investimento anual no setor chega
a US$ 200 milhões. Há hoje cerca
de 3 mil incubadoras de empresas espalhadas
pelo mundo.
Os primeiros programas
de incubação de empresas surgiram
no Brasil, na década de 80, e, desde
então, o número de incubadoras
vem crescendo sensivelmente. Segundo
dados da Anprotec – Associação
Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos
de Tecnologia Avançada –, existem
hoje no Brasil cerca de 183 incubadoras, número
que mal chegava a 10 em 1991. Estima-se
em cerca de 1.700 o número de empresas
residentes, o que representa a geração
de cerca de 7 mil postos de trabalho. Diante
dessa realidade, ganham as micro e pequenas
empresas de base tecnológica, área
preferida na implantação desses
projetos. Pelo perfil do setor, 57% das incubadoras
apóiam empreendimentos de base tecnológica,
29% concentram empreendimentos em áreas
tradicionais da economia e 14% são
mistas. Esses resultados mostram uma nova
postura do cenário brasileiro com relação
ao desenvolvimento de tecnologia no país
e é considerado um forte indicador
de competitividade. Na geografia nacional,
a Região Sul lidera com o número
de 84 incubadoras. Em seguida está
a Região Sudeste, com 63; o Nordeste,
com 23; a Região Centro-Oeste com sete;
e o norte com apenas seis incubadoras.
Uma pesquisa realizada
pela Anprotec revela que nos últimos
cinco anos o movimento das incubadoras de
empresas cresceu mais de 200%. Os novos empreendedores
geraram negócios na ordem de R$ 600
milhões/ano e mais de 7 mil empregos.
Um fenômeno que leva o Brasil para a
primeira posição na América
Latina e terceiro no ranking mundial, deixando
para trás grandes potências internacionais.
A pesquisa é realizada pelo órgão
desde 1996 e visa a retratar o movimento das
incubadoras no país. Segundo Luís
Afonso Bermúdez, presidente da Anprotec,
“os resultados da pesquisa têm
como meta subsidiar o planejamento e a gestão
das incubadoras e dos programas de apoio do
governo e entidades parceiras”. Em 2002,
foram investidos nesse setor R$ 14 milhões
diretamente nas incubadoras e mais R$ 12 milhões
para os Parques Tecnológicos, que indiretamente
também auxiliam as incubadoras. O levantamento
da Anprotec revela que as incubadoras com
vínculo forma ou informal com universidades
e/ou centros de pesquisas somam 87% do total,
o que mostra a grande importância dessas
instituições no movimento brasileiro.
Outra dado que comprova isso é a proximidade
física delas. Cerca de 49% das incubadoras
estão localizadas a até 1 km
das universidades/centros de pesquisa.
As incubadoras oferecem
um ambiente flexível e encorajador
para facilitar o surgimento e o crescimento
de novos empreendimentos. O custo é
bem menor, já que eles são rateados
entre os participantes. Outra razão
para a maior chance de sucesso das empresas
incubadas é que o processo de seleção
capta os melhores projetos e seleciona os
empreendedores mais aptos, o que naturalmente
amplia as possibilidades de sucesso.
A Fundação
ParqTec implantou a Incubadora de Empresas
de Base Tecnológica pioneira na América
Latina, iniciando os trabalhos em dezembro
de 1984. Com apoio da Prefeitura de São
Carlos e do Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (CNPq),
o programa já apoiou mais de 30 empreendimentos.
Hoje, uma área de 1.350 m², dividida
em 15 módulos de tamanhos variáveis,
comporta duas incubadoras. Com a disposição
de laboratórios de multimídia,
informática, eletrônica, oficina
mecânica, rede local de computadores,
show room, Centro de Informação
Tecnológica (CIT), bem como um diversificado
serviço de consultoria e assessoria.
É lá que está atualmente
localizada a BR Express, uma empresa de tecnologia
que desenvolve soluções de software,
integração de sistema e consultoria
em logística. Em 2000, os idealizadores
da empresa passaram pela seleção
e entraram para a incubadora. O engenheiro
mecânico Antônio Fabrizio Lima
Passari, diretor de tecnologia da empresa,
acredita que a incubadora é hoje uma
alternativa para os empreendedores. “Estamos
tendo todo o apoio necessário, tanto
de estrutura como de profissionais”,
afirma Antônio.
O Celta (Centro Empresarial
para Laboração de Tecnologias
Avançadas), incubadora da Fundação
Certi (Centros de Referência em Tecnologias
Inovadoras), de Florianópolis (SC),
foi também pioneira na atividade, em
1986, ao lado da incubadora de São
Carlos (SP) e da UNB (DF). Atualmente, mantém
37 empresas de base tecnológica que
geram cerca de 600 empregos diretos, e em
2001 o faturamento das incubadas alcançou
aproximadamente R$ 40 milhões, ocupando
um espaço no prédio de 3.900
metros quadrados. A incubadora já colocou
no mercado 31 novas empresas que hoje faturam
R$ 300 milhões, considerado o maior
volume de faturamento de empreendimentos nascidos
em incubadoras do país. E, em janeiro
de 1988, iniciou os trabalhos a Incubadora
Tecnológica de Campina Grande (PB)
– ITCG. Segundo o último levantamento
feito pela Anprotec, a incubadora que abriga
o maior número de empreendimentos no
país é o Centro Incubador Empresas
Tecnológicas de São Paulo (Cietec),
com 74 incubadas.
A Reason Tecnologia
S.A., empresa catarinense, desenvolve solução
tecnológica para o setor elétrico
e foi incubada, de 1991 a 2001, no Centro
Empresarial para Laboração de
Tecnologias Avançadas (Celta), em Santa
Catarina. Desenvolveu vários trabalhos
na área de automação
industrial. Para o diretor de qualidade de
energia elétrica, Jurandir Paes de
Oliveira, “o mais importante é
a troca de informações. Os empresários
que buscam a incubadora, além de poder
contar com a tecnologia de ponta, podem compartilhar
as suas dúvidas com outros na mesma
situação”, avalia.
Para fazer parte de
uma incubadora de empresas, é necessária
uma proposta de criação, desenvolvimento,
melhoria ou nacionalização de
produtos e/ou serviços. Para mais informações,
basta acessar os sites: www.anprotec.org.br
e www.sebrae.com.br.
|
|