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  Proteção para pequenos  

Segundo dados do Sebrae, o índice de mortalidade das pequenas e médias empresas no Brasil é altíssimo. Mais da metade, 56%, fecha as portas até o terceiro ano de vida. Uma das alternativas para tentar diminuir esse índice são as incubadoras de empresas que oferecem apoio estratégico no período em que elas mais precisam

As incubadoras de empresas são ambientes que estimulam a criação e protegem o desenvolvimento de novas empresas. Abrigam novos negócios por um período de tempo limitado e se destacam entre os vários mecanismos criados para estimular a transformação de resultados de pesquisas em produtos e serviços. Assim, revertem em atividade econômica os investimentos em pesquisa realizados pela sociedade. No Brasil, costumam localizar-se junto a uma universidade ou a um instituto de pesquisas, para que as empresas se beneficiem da proximidade dos laboratórios e dos recursos humanos dessas instituições. As incubadoras oferecem às empresas infra-estrutura de uso compartilhado, assistência permanente, treinamento na área de negócios e acesso facilitado aos grupos de pesquisa e ao mercado. Essas vantagens, somadas à sinergia decorrente da própria convivência entre os novos empresários, reduzem a taxa de mortalidade desses empreendimentos. As incubadoras geram emprego, renda e estimulam uma atividade empreendedora dentro da própria comunidade.

A Faculdade de Tecnologia da Universidade de Brasília (UNB), por meio do seu Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (CDT), conta com o projeto de incubadora de empresas desde 1986 e já apoiou 61 empresas dos mais diferentes setores, entre eles: automação; biotecnologia; serviços tecnológicos; geologia; informática e telecomunicações. Atualmente, são 21 empresas participando do programa. As graduadas colocaram no mercado, durante o período de incubação, mais de 200 produtos/serviços, entre eles softwares, serviços de automação, mudas propagadas in vitro, consultorias tecnológicas.

O CDT é uma unidade da Universidade de Brasília responsável pela transferência de tecnologia, pela prestação de serviços especializados e pela interação da universidade com os empresários, os empreendedores e a sociedade em geral. Os produtos e serviços do Centro de Apoio funcio-nam como ferramentas para quem quer montar um novo negócio ou desenvolver projetos de pesquisa, que, somados ao potencial empreendedor e ao desenvolvimento de parcerias estratégicas, resultam em sucesso. Desde a criação para atingir metas e objetivos, foram criados seis programas e três núcleos, todos interagindo para apoiar e promover o desenvolvimento tecnológico. São eles: Programa Incubadora de Empresas, Hotel de Projetos, Disque Tecnologia, Empresa Júnior, Escola de Empreendedores, Jovem Empreendedor, Núcleos de Inteligência Competitiva, Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia e de Credenciamento e Certificação de Laboratórios. As incubadoras de empresas atuam na geração de empregos para recém-formados e formam jovens com perfil empreendedor. Na diminuição cada vez maior de oferta de trabalho no serviço público, vêm contribuindo para a criação de empregos, a geração de renda e a difusão e transferência do conhecimento produzido na universidade para o setor produtivo local.

A Geo Lógica Consultoria Ambiental Ltda. nasceu dentro da CDT e permaneceu só 11 meses incubada até conseguir o status de empresa graduada. Com sede em Brasília, atua nas áreas de meio ambiente, geologia, geotecnia, urbanismo, infra-estrutura e estudos hidrelétricos, e com tecnologia de ponta. A empresa, que iniciou no programa com três profissionais, conta hoje com mais de 50 pessoas na equipe técnica especializada formada por mestres e doutores, além de expandir seu mercado e já ter uma filial em Palmas/TO, atuando em 14 Estados. Com um faturamento mensal de R$ 120 mil, a empresa conta com uma carta de mais de 50 clientes. “A participação foi importante para desenvolver um melhor perfil empreendedor, além da credibilidade que podemos passar para os clientes”, afirma o geólogo e um dos diretores da empresa, Cristiano Goulart Simas Gomes.

 

Histórico

Em meados do século 20, o mundo conheceu o novo sistema de produção baseado no conhecimento e no empreendedorismo. A idéia surgiu nos EUA, em 1985, e hoje conta com mais de 700 incubadoras integradas ao movimento americano, que cresce 20% ao ano. Na Europa, essas empresas são vistas como grandes instrumentos de inovação, devido ao apoio dado para o surgimento de novas tecnologias. Não por acaso, em 2002, existiam aproximadamente 900 projetos espalhados pelo continente europeu. No Japão, na China e na Coréia do Sul, as incubadoras também são vistas como objetos essenciais de crescimento econômico. Nesse último, por exemplo, o investimento anual no setor chega a US$ 200 milhões. Há hoje cerca de 3 mil incubadoras de empresas espalhadas pelo mundo.

Os primeiros programas de incubação de empresas surgiram no Brasil, na década de 80, e, desde então, o  número de incubadoras vem crescendo sensivelmente.  Segundo dados da Anprotec – Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos de Tecnologia Avançada –, existem hoje no Brasil cerca de 183 incubadoras, número que mal chegava a 10 em 1991.  Estima-se em cerca de 1.700 o número de empresas residentes, o que representa a geração de cerca de 7 mil postos de trabalho. Diante dessa realidade, ganham as micro e pequenas empresas de base tecnológica, área preferida na implantação desses projetos. Pelo perfil do setor, 57% das incubadoras apóiam empreendimentos de base tecnológica, 29% concentram empreendimentos em áreas tradicionais da economia e 14% são mistas. Esses resultados mostram uma nova postura do cenário brasileiro com relação ao desenvolvimento de tecnologia no país e é considerado um forte indicador de competitividade. Na geografia nacional, a Região Sul lidera com o número de 84 incubadoras. Em seguida está a Região Sudeste, com 63; o Nordeste, com 23; a Região Centro-Oeste com sete; e o norte com apenas seis incubadoras.

Uma pesquisa realizada pela Anprotec revela que nos últimos cinco anos o movimento das incubadoras de empresas cresceu mais de 200%. Os novos empreendedores geraram negócios na ordem de R$ 600 milhões/ano e mais de 7 mil empregos. Um fenômeno que leva o Brasil para a primeira posição na América Latina e terceiro no ranking mundial, deixando para trás grandes potências internacionais. A pesquisa é realizada pelo órgão desde 1996 e visa a retratar o movimento das incubadoras no país. Segundo Luís Afonso Bermúdez, presidente da Anprotec, “os resultados da pesquisa têm como meta subsidiar o planejamento e a gestão das incubadoras e dos programas de apoio do governo e entidades parceiras”. Em 2002, foram investidos nesse setor R$ 14 milhões diretamente nas incubadoras e mais R$ 12 milhões para os Parques Tecnológicos, que indiretamente também auxiliam as incubadoras. O levantamento da Anprotec revela que as incubadoras com vínculo forma ou informal com universidades e/ou centros de pesquisas somam 87% do total, o que mostra a grande importância dessas instituições no movimento brasileiro. Outra dado que comprova isso é a proximidade física delas. Cerca de 49% das incubadoras estão localizadas a até 1 km das universidades/centros de pesquisa.

As incubadoras oferecem um ambiente flexível e encorajador para facilitar o surgimento e o crescimento de novos empreendimentos. O custo é bem menor, já que eles são rateados entre os participantes. Outra razão para a maior chance de sucesso das empresas incubadas é que o processo de seleção capta os melhores projetos e seleciona os empreendedores mais aptos, o que  naturalmente amplia as possibilidades de sucesso.

A Fundação ParqTec implantou a Incubadora de Empresas de Base Tecnológica pioneira na América Latina, iniciando os trabalhos em dezembro de 1984. Com apoio da Prefeitura de São Carlos e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o programa já apoiou mais de 30 empreendimentos. Hoje, uma área de 1.350 m², dividida em 15 módulos de tamanhos variáveis, comporta duas incubadoras. Com a disposição de laboratórios de multimídia, informática, eletrônica, oficina mecânica, rede local de computadores, show room, Centro de Informação Tecnológica (CIT), bem como um diversificado serviço de consultoria e assessoria. É lá que está atualmente localizada a BR Express, uma empresa de tecnologia que desenvolve soluções de software, integração de sistema e consultoria em logística. Em 2000, os idealizadores da empresa passaram pela seleção e entraram para a incubadora. O engenheiro mecânico Antônio Fabrizio Lima Passari, diretor de tecnologia da empresa, acredita que a incubadora é hoje uma alternativa para os empreendedores. “Estamos tendo todo o apoio necessário, tanto de estrutura como de profissionais”, afirma Antônio.

O Celta (Centro Empresarial para Laboração de Tecnologias Avançadas), incubadora da Fundação Certi (Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras), de Florianópolis (SC), foi também pioneira na atividade, em 1986, ao lado da incubadora de São Carlos (SP) e da UNB (DF). Atualmente, mantém 37 empresas de base tecnológica que geram cerca de 600 empregos diretos, e em 2001 o faturamento das incubadas alcançou aproximadamente R$ 40 milhões, ocupando um espaço no prédio de 3.900 metros quadrados. A incubadora já colocou no mercado 31 novas empresas que hoje faturam R$ 300 milhões, considerado o maior volume de faturamento de empreendimentos nascidos em incubadoras do país. E, em janeiro de 1988, iniciou os trabalhos a Incubadora Tecnológica de Campina Grande (PB) – ITCG. Segundo o último levantamento feito pela Anprotec, a incubadora que abriga o maior número de empreendimentos no país é o Centro Incubador Empresas Tecnológicas de São Paulo (Cietec), com 74 incubadas.

A Reason Tecnologia S.A., empresa catarinense, desenvolve solução tecnológica para o setor elétrico e foi incubada, de 1991 a 2001, no Centro Empresarial para Laboração de Tecnologias Avançadas (Celta), em Santa Catarina. Desenvolveu vários trabalhos na área de automação industrial. Para o diretor de qualidade de energia elétrica, Jurandir Paes de Oliveira, “o mais importante é a troca de informações. Os empresários que buscam a incubadora, além de poder contar com a tecnologia de ponta, podem compartilhar as suas dúvidas com outros na mesma situação”, avalia.

Para fazer parte de uma incubadora de empresas, é necessária uma proposta de criação, desenvolvimento, melhoria ou nacionalização de produtos e/ou serviços. Para mais informações, basta acessar os sites: www.anprotec.org.br e www.sebrae.com.br.

 

Incubadoras por região

Fonte: Amprotec

Luís Afonso Bermúdez

 

“As incubadoras oferecem um ambiente flexível e encorajador para facilitar o surgimento e o crescimento de novos empreendimen-tos.”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

    
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