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  Tempos de oportunidades
e investimento econômico
 

Para o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, numa visão positivista, o Brasil não está vivendo em tempos de crise. “Estamos em um momento de retomada dos investimentos e do crescimento econômico”, descreve Mário Mugnaini Jr, secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), acentuando que as exportações têm contribuído muito para a melhoria desse cenário

O Brasil está mudando. É o que afir ma o governo federal, apontando
que principalmente nos últimos meses o país vem enfrentando grandes transformações sociais e econômicas, de forma mais acentuada na área de comércio exterior, nunca vistas em sua história.

Apesar de termos uma trajetória pacífica – sem cicatrizes das guerras –, ainda vivemos em uma sociedade em evidência na exclusão social, injusta, violenta e com grandes desigualdades, onde as principais “guerras” são as de luta de classe. O “bem e o mal” lutam lado a lado, defendendo uma forma mais digna para a sobrevivência.

Mas as mudanças, segundo Mário Mugnaini Jr, secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, estão direcionadas particularmente ao comércio exterior e resultam em grandes transformações para a sociedade brasileira, movimentando conseqüentemente todos os setores sociais do país, que podem proporcionar mais dignidade à sociedade brasileira.

“A estratégia do nosso governo para aumento das vendas ao exterior está sendo o aproveitamento de todas as oportunidades para penetração em novos mercados. Por meio da Agência de Promoção das Exportações do Brasil (Apex) e junto a diversos setores industriais, estamos atingindo mercados antes pouco explorados, como os da Ásia, da Europa Central e do Oriente Médio, e os resultados da balança comercial dos últimos seis meses mostram que estamos sendo bem-sucedidos nesse trabalho”, explica Mugnaini Jr.

A perspectiva do governo em exportações para este ano era de um crescimento de R$ 8 bilhões, saindo de R$ 60 bilhões no ano de 2002 e passando para R$ 68 bilhões. “Já estamos próximos disso, com cerca de R$ 7,5 bilhões (setembro) já a mais do que no ano passado. Com o aumento das exportações, nós devemos ter uma relação comércio exterior–Produto Interno Bruto (PIB) – dívida em moeda estrangeira, – melhorada quase em dobro em relação ao ano passado. E com isso o risco Brasil cai, a nossa capacidade de pagamento aumenta e os juros também são reduzidos, favorecendo o crescimento econômico” enfatiza.

 

Desafios e perspectivas

Atualmente, o Brasil está enfrentando fortemente grandes desafios; de acordo com o governo federal, estes estão concentrados nas três grandes negociações internacionais em curso, que são a Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas) e a União Européia–Mercosul. As negociações entre União Européia e Mercosul têm um interesse específico forte por parte deste último. Com a entrada dos países do Mercosul na ALCA, a possibilidade de estreitamento das relações comerciais entre os dois blocos (UE e Mercosul) alivia a tensão de uma plausível desvantagem nas negociações da ALCA. A reunião de Cancún da OMC, realizada no mês de setembro deste ano, não trouxe progresso ainda, mas permitiu ao Brasil, na liderança do grupo de países em desenvolvimento conhecido como G-20, aglutinar fortes relações diplomáticas com a África do Sul, a Índia e com todos os países da América do Sul.

Mas o Brasil também vem enfrentando algumas dificuldades relacionadas ao comércio exterior, principalmente nas áreas de logística e crédito às exportações. “Com o aumento das exportações previstas para este ano e para os anos subseqüentes na ordem de 20%, vamos precisar de patamares no mínimo equivalentes de desenvolvimento da logística em portos, estradas, aeroportos e sistemas alfandegários em geral”, relata Mugnaini Jr.

O governo, por meio do Plano Plurianual (PPA), tem vários projetos para essa área, que poderão ser complementados por investimentos do setor privado. “No que diz respeito ao crédito, as últimas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) indicam uma clara sinalização de diminuição dos juros, o que permitirá um ganho de grande oxigênio para o setor produtivo”, conclui.

Segundo estatística do governo federal, o Brasil na última década apresentou ausência de políticas ousadas de exportação, o que ocasionou taxas de crescimento médio ao redor de apenas 2,5% ao ano, resultando em perda de participação no mercado internacional, desorientação do setor produtivo, fragilização das contas externas do país e desequilíbrio das contas públicas.

Para este governo, a intenção é recuperar a capacidade de definir e operar políticas industriais ativas, aumentar a competitividade brasileira e impulsionar as exportações, pois constitui aspecto indissociável do novo estilo de desenvolvimento voltado para o fortalecimento da economia nacional. O novo modelo econômico tem como meta priorizar três importantes aspectos para o desenvolvimento do país, que é geração de emprego, distribuição de renda e ampliação da infra-estrutura social, além de desempenhar um papel mais ativo na articulação de políticas que incrementem a capacidade competitiva e as exportações do país.

 

Políticas ativas

Para ampliar a autonomia e fortalecer a economia pela implantação de políticas ativas, o Brasil está focando três frentes distintas para o desenvolvimento. A primeira delas é a capacitação das empresas nacionais, através de fóruns de competitividade com espaço de discussão na busca de soluções consensuais dos diversos obstáculos que limitam o desenvolvimento industrial e comercial brasileiro, formulando e implementando políticas e programas que eliminem os problemas.

O segundo passo é o fortalecimento e a expansão das exportações, aumentando-as em 10% ainda em 2003, através da construção de uma imagem nacional, promovendo marcas e produtos brasileiros no exterior.

O terceiro e último passo é a ampliação das fontes de financiamento produtivo para exportação e modernização da indústria, visando ao crescimento do país.

 

 

Diplomacia

No campo econômico, a ação diplomática do Brasil está voltada para a estratégia nacional de crescimento e para a redução da vulnerabilidade externa.

O Brasil com comércio diversificado e com o objetivo de realizar seu potencial exportador, apresenta-se na condição de país em desenvolvimento, empenhando-se com êxito nas negociações da Organização Mundial do Comércio – OMC.

Ainda neste ano, a intenção do governo federal é revigorar o processo de integração e reconstrução do Mercosul, para que os países que fazem parte do bloco econômico possam enfrentar justamente os desafios do mundo globalizado e construir uma crescente coordenação macroeconômica.

O Itamaraty, na área de promoção comercial no exterior, está trabalhando ativamente na busca de novas oportunidades para a oferta exportável brasileira, no desenvolvimento de ações específicas voltadas para a atração de investimentos estrangeiros, no aumento de turismo para o Brasil, em estudos de inteligência comercial e na criação de instrumentos que vinculem as multinacionais e suas matrizes ao esforço de exportação.

 

 

Mário Mugnaini Jr.

 

“A estratégia do nosso governo para o aumento das vendas ao exterior está sendo o aproveitamento de todas as oportunidades”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“O novo modelo econômico tem como meta priorizar distribuição de renda, ampliação de infra-estrutura social e competitividade na exportação"

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

    
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