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A cidade projetada
pelo arquiteto Oscar Niemeyer recebeu cerca de 2
mil pessoas durante a 60ª SOEAA. O evento teve
dois painéis nacionais e dois internacionais
que discutiram os cenários prospectivos para
o futuro do Brasil e do mundo
Brasília foi testemunha do compromisso social
que o Sistema Confea/Crea tem com o Brasil e do
papel da Semana Oficial da Engenharia, Arquitetura
e Agronomia com o crescimento do país. A
tarefa, que para alguns parecia impossível,
foi cumprida. Dois painéis nacionais e dois
internacionais abrigaram discussões sobre
desenvolvimentos técnicos e humanos, desafios
e oportunidades do mercado brasileiro e os novos
paradigmas da formação e do exercício
profissional no mundo. Mesmo tendo como meta desenvolver
uma análise crítica sobre o Planejamento
Pluria-nual do governo federal, engenheiros, arquitetos,
agrônomos, ministros, estudantes, jornalistas,
senadores, cientistas, educadores, entre outras
classes profissionais não menos importantes,
foram mais além: expressaram e ouviram idéias
sobre os primeiros cenários de futuro para
o país.
O presidente do Confea, Wilson
Lang, conduziu a primeira apresentação
dos painelistas convidados. Iniciou o discurso de
abertura do Painel Internacional 1 explicando a
metodologia usada para analisar variáveis
internacionais que afetam questões nacionais,
ressaltando a sintonia da ação com
as metas federais de desenvolvimento. “Esse
debate acontece simultaneamente ao trabalho do governo
federal de discutir o Plano Plurianual de Investimentos
para 2004/2007”, disse.
A primeira idéia de
um cenário prospectivo para o desenvolvimento
mundial foi do cientista do Centro Franco-Brasileiro
de Documentação Técnica e Científica,
Luc Quoniam, que também é doutor em
Ciências da Informação
e da Comunicação. O francês
reconheceu a responsabilidade do pedido feito pelo
presidente Lang e admitiu que precisaria de ajuda.
“Tenho que consultar uma bola de cristal para
fazer uma previsão do futuro em 20 minutos”,
brincou. Não foi preciso. Mesmo sem aparatos
místicos, Quoniam provou que as palavras
de Wilson Lang eram verdadeiras. “Com sua
inteligência e experiência, nenhuma
ajuda é necessária”, ressaltou
Lang.
Usando matemática
e filosofia, Quoniam ilustrou desde a velocidade
da evolução tecnológica até
as chances de uma previsão para o futuro
estarem erradas. “Atualmente, cada ano de
desenvolvimento tecnológico equivale a sete,
se considerarmos um passado recente. Enquanto dizia
que a relação entre desenvolvimento
tecnológico e tempo era inversamente proporcional,
citava o professor francês Michael Godert
para questionar um paradigma. “O futuro não
é escrito e sim construído”,
arriscou.
Sobre o social, Luc insistiu
em não tentar prever, mas antecipou que as
novas tecnologias existentes farão com que
o homem repense e reestruture a sociedade e as relações
fruto do convívio e da interação
social, chegando a uma nova organização
da economia e da sociedade. “O desafio de
nós todos será saber trabalhar em
redes humanas e compartilhar conhecimento”,
concluiu o especialista em análise de processos
de trabalho.
No mesmo painel, o presidente
da Federação Mundial das Organizações
de Engenharia (Fmoi), engenheiro José Mendem,
citou a falta de reconhecimento da sociedade mundial
sobre o papel da engenharia e da tecnologia para
o desenvolvimento mundial. “A engenharia e
a tecnologia estão desempenhando um papel
decisivo na melhoria das condições
de vida em todo o mundo”, afirmou ao ser questionado
sobre a importância de um sistema de formação
profissional adequado à realidade atual.
Indo mais a fundo nas considerações
sobre a preparação de um profissional,
o Painel Internacional 2 incitou a reflexão
sobre as diferenças entre capacitação
e qualificação profissional. O engenheiro
eletricista e diretor do Idelt - Instituto de Desenvolvimento
Logístico de Transporte e Meio Ambiente,
Frederico Bussinger, apontou a necessidade de reavaliar
os critérios de graduação profissional
adotados hoje. “Um engenheiro recém-formado
sai da faculdade com capacitação formal
para assumir as obras de uma hidrelétrica
e ainda não tem qualificação
para tal”, argumenta sobre a criação
de um controle do conhecimento adquirido ao longo
do tempo de prática profissional.
Discutindo os novos paradigmas
da formação e do exercício
profissional, os painelistas concordaram que um
futuro ideal deverá despir-se de barreiras
para aquisição de conhecimento. Uma
das sugestões é aumentar a troca de
informações e descobertas entre os
países. “Temos que incentivar o intercâmbio
internacional de profissionais em programas de pós-graduação
e especialização, por exemplo”,
defendeu o bastonário da Ordem do Engenheiros
de Portugal, Francisco Sousa Soares.
No Painel Internacional 1,
que antecedeu à explanação
de Francisco Soares, o francês Luc Quoniam
já havia ressaltado a importância dessa
interação para a formação
cultural do profissional do futuro. Segundo Quoniam,
a principal barreira para uma comunicação
eficaz é o ajuste das regras culturais. “Os
brasileiros devem aprender a dizer não”,
enfatizou o cientista. A agricultura também
apareceu como atividade a ser contemplada nas análises
sobre o futuro das nações.
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