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  Três arcos para o futuro

Hoje, a Ponte Juscelino Kubitsheck é um dos maiores cartões postais de Brasília. Para a sua construção, foram necessários dois anos e muita pesquisa sobre todo o projeto, que inclui os famosos três grandes arcos de aço. Alexandre Chan, arquiteto projetista da ponte, esteve na 60ª SOEAA, contando detalhes deste grandioso monumento

Como em uma cena já vista em vários filmes famosos, os olhos fixos contra-
ditoriamente perseguem todos os centímetros de uma enorme estrutura metálica, além de uma expressão embasbacada. Sem grandes chances de erro, é isso que a maioria das pessoas expressa ao atravessar os 1.200 metros de comprimento da “mais bela ponte do mundo”, como a própria Medalha Gustav Lindentha categorizou a Ponte JK, de Brasília. Os três grandes arcos parecem envolvê-la de uma maneira que a faz parecer realmente uma escultura, uma obra de arte. “Não é bem assim. Um dia perguntaram de onde veio a idéia. No projeto, constava uma parte que falava sobre uma pedrinha batendo na água. A partir disso, todo mundo pensou que era um arquiteto na beira da lagoa tendo um insight genial”, conta rindo Alexandre Chan, arquiteto projetista da ponte. Para ele, a ousadia do projeto é novidade apenas aqui na América Latina. “Essa é uma linguagem que está no dia-a-dia da vanguarda e que já está em uso no mundo. Não é a criação de um arquiteto”, completa.

Alexandre, que esteve na 60ª SOEAA, fala com paixão de seus projetos, em especial sobre a ponte de Brasília. O arquiteto também é responsável por outras obras grandiosas e extremamente conhecidas do público em geral, como o Piscinão de Ramos e o Shopping Rio Sul, ambas no Rio de Janeiro. “Já fiz muita coisa. Vi no rosto das pessoas lágrimas de alegria durante a inauguração do piscinão. Mas a ponte JK é meu ‘xodó’, sem dúvida pela grande aceitação popular”, afirma.

Com certeza, a ponte é mais um dos muitos cartões postais de Brasília, mas com o diferencial de ser praticamente uma unanimidade. O arquiteto conta que, até mesmo, um dos concorrentes para a conquista da medalha Gustav Lindentha, logo após a divulgação da vencedora, enviou uma correspondência que a princípio parecia apenas uma critica. “Na carta, estava escrito: sou contra esta ponte, sem dúvida, a mais bela”, lembra Chan.

Um dos grandes atrativos da JK são os três grandes arcos em aço que sustentam três tabuleiros com vão de 240 metros cada. “Ali só precisava de um arco, mas como as fundações eram ruins precisamos colocar três”, conta. Para que o projeto fosse idealizado e colocado em prática, o processo de criação passou por um período de observação do local em que a ponte seria instalada. “Até subi na antena de televisão para ver como o sol poderia bater na ponte.” Inclusive, a obra apresenta certas mudanças visuais conforme o sol se movimenta ao longo do dia, ou mesmo com a iluminação noturna. São três tipos de iluminação. Na pista, foram colocados 41 postes com luminárias de vapor de mercúrio de 400 watts. Para manter a segurança de pedestres e
ciclistas, 162 postes com lâmpadas de 150 watts foram colocados na ponte, sendo que para realçar os arcos há 164 refletores em 400, 1.500 e 150 watts.

Para a construção da ponte, o melhor projeto entre os 98 inscritos, foi escolhido por concurso público o Concurso Nacional de Estudos Preliminares de Arquitetura. “A encomenda da ponte foi super-rigorosa. Não podia haver muitas modificações, tanto que o local em que ela foi instalada é o original”, afirma. A partir daí, foram dois anos para a sua inauguração. Hoje, o que se percebe é que além de tornar-se cartão postal, a ponte aproximou bairros, inclusive valorizando regiões e incorporando áreas importantes ao Plano Piloto.

De qualquer maneira, é fácil constatar que o projetista de um dos maiores cartões postais de Brasília acredita que todos devem ser considerados criadores ou projetistas do futuro. “Na verdade, em nossa profissão todos somos assim, independentemente de você trabalhar com grandes projetos ou mesmo em pequenas obras”, conta. Segundo ele, é importante saber lidar com a não-realização dos projetos. “Muitos projetos meus não foram construídos. Sabe que eu até gosto disto?”, comenta. Sobre a ponte JK, Chan conta que existem projetos de expansão da obra. “A nossa idéia era fazer uma Casa do Visitante. Mandei um projeto em 2000, mas, infelizmente, não deu certo”, afirma. Agora, o arquiteto vislumbra um complexo turístico no lote do governo federal, na cabeceira da ponte. “Isso ainda envolve concurso, licitação. Com certeza, é um processo longo”, completa.

Com futuro indefinido ou não, a obra hoje faz parte do dia-a-dia da cidade e com certeza deve ser apreciada pelos visitantes e moradores de Brasília. “Vi relatos de pessoas quem vêm passar na ponte, mesmo não precisando. Isso é muito legal”, finaliza. Com certeza, todo o sentimento de perplexidade descrito no começo deste texto, só pode ser sentido por aqueles que tiverem o privilégio de conhecer de perto esses três grandes arcos.

INFORMAÇÕES
Localização Liga o Plano Piloto à Q.L 24/26 do Lago Sul
Comprimento Total 1.200 m
Arcos 3 vãos de 240 m cada, com altura de 62,70 m
acima do nível do lago, apoiados em 4 bases submersas
Acessos 10 vãos de 45 a 48 m
Largura da Ponte 24 m (6 pistas)
Profundidade do Lago 23 m (no local da obra)
Rampa da Ponte 2,25 % (ascendente para o vão central)
Área do Tabuleiro 28.800.00 m2
Projetistas Arquiteto: Alexandre Chan Engenheiros: Mário Vila Verde e Filemon Botto de Barros

Alexandre Chan

 

“Obra apresenta certas mudanças visuais conforme o movimento
do sol”

 

 

    
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