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Considerada outrora
ineficaz e imprecisa, a previsão do tempo
tem hoje presença obrigatória no cotidiano
de agricultores, empresários, pesquisadores
e da população em geral. Mais que
uma simples análise subjetiva de dados e
de fenômenos climáticos, o trabalho
de previsão dos meteorologistas (que comemoram
seu dia em 3 de março) conquista cada vez
mais destaque na sociedade e começa a ter
sua importância reconhecida em diversos segmentos
da economia
Responsável pela interpretação
de infor mações e dados referentes
aos fenômenos climáticos, o profissional
de meteorologia atua na quantificação
das tendências do tempo – seja elaborando
textos, gráficos ou tabelas – para
mapear de forma precisa as tendências e previsões
climáticas. Diversas atividades econômicas,
como agricultura, turismo e produção
de energia elétrica, estão relacionadas
ao trabalho desenvolvido pelos meteorologistas.
Por muitos anos, a previsão
do tempo era considerada um serviço impreciso
e falho, e as pessoas criaram uma cultura de descrédito
acerca dos meteorologistas, hoje vencida pela seriedade
do trabalho. “Há alguns anos, quando
falávamos que ia chover, as pessoas iam à
praia”, lembra Ronaldo Coutinho, especialista
em agrometeorologia, que em conjunto com um geógrafo
e um meteorologista, traduz a previsão do
tempo para uma linguagem bem mais acessível
aos leigos. O interesse pela ciência surgiu
já na infância. “Desde pequeno,
eu lia livros relacionados ao tema, livros de Geografia,
interessava-me por mapas e gráficos, e também
conversava com pessoas e profissionais da área”,
conta Coutinho. “O trabalho desenvolvido por
mim e pelo Homero Haymussi deu origem ao Climerh”,
hoje uma das principais referências em meteorologia
no Sul do país, atendendo a milhares de consultas
a cada dia.
No Inpe (Instituto Nacional
de Pesquisas Espaciais), Maria Assunção
Silva Dias coordena o Cptec – Centro de Previsão
do Tempo e Estudos Climáticos. Doutora em
Ciências Atmosféricas pela Colorado
State University, Maria Assunção é
docente em Meteorologia desde 1979 e recentemente
integrou a equipe do Cptec-Inpe. “A meteorologia
permeia várias áreas e atividades
de interesse da sociedade, desde o turismo, a agricultura,
os transportes aéreos e marítimos
até a gravação de cenas externas
de uma novela”, explica. Entre os setores
que a dra. Maria Assunção destaca
como dependentes da previsão meteorológica
está a agricultura. “Com a mecanização
e modernização das técnicas
agrícolas, a meteorologia é fundamental
para o planejamento da atividade”, exemplifica.
A pesquisadora também enfatiza a importância
da ciência para o controle da poluição,
para a realização de competições
náuticas e aéreas (como vôo
livre e asa delta).
Prakki Satyamurty, Doutor
em Meteorologia pelo Inpe e ex-presidente da Sociedade
Brasileira de Meteorologia, também destaca
as relações estreitas entre a agricultura
e os trabalhos de previsão do tempo. “O
trabalho do meteorologista influi e afeta diretamente
o desenvolvimento do setor, desde a distribuição
de sementes e de créditos agrícolas
para agricultores até a distribuição
de cestas básicas e de água para a
população na época da seca”,
analisa, “além de salvar cafezais,
hortaliças e lavouras no valor de centenas
de milhões de reais a cada ano”. Especialista
em agrometeorologia, Ronaldo Coutinho também
desenvolve um trabalho direcionado ao homem do campo.
“Não adianta nada fazer uma previsão
extremamente técnica para este tipo de público”,
explica Coutinho. “Temos que transformar as
informações contidas no boletim em
algo fácil de ser compreendido, para evitar
erros de interpretação”, completa.
Os pecuaristas, lembra o dr. Satyamurty, também
utilizam a previsão meteorológica
para planejar as atividades nas fazendas e evitar
eventuais prejuízos com os rebanhos em dias
de chuva ou ventos fortes.
Os benefícios da previsão
meteorológica também se estendem à
zona urbana brasileira. “Uma previsão
confiável, realizada com apenas três
horas de antecedência, ajuda a evitar os transtornos
causados por uma chuva forte e repentina (desde
lentidão do trânsito até desabamentos
das encostas e enxurradas) em uma cidade do porte
de São Paulo”, exemplifica Satyamurty.
Ronaldo Coutinho, que realiza a previsão
do tempo para 25 rádios e para uma emissora
de TV, explica que muitos empresários aproveitam
os dados meteorológicos para incrementar
suas atividades. “Pessoas que trabalham com
instalação de piscinas e pavimentação
asfáltica, por exemplo, costumam nos consultar
para evitar que a chuva atrapalhe
e estrague o serviço”, conta. Lojistas
de roupas também utilizam os benefícios
da meteorologia para traçar as estratégias
de vendas em cada estação. “As
pessoas buscam orientações sobre o
tempo para terem
noção de quantas peças de roupas
comprar em cada estação e até
mesmo para ter idéias na hora de montar as
vitrines”, explica.
Em tempos de crise, as donas
de casa fazem uso da previsão meteorológica
para economizar água e materiais de limpeza.
“As pessoas que acompanham as previsões
economizam, em média, duas caixas de sabão
em pó por mês”, explica Coutinho.
“Se considerarmos que em cada família
temos quatro pessoas, podemos afirmar que os moradores
de São Joaquim, por exemplo, economizam 11.400
caixas de sabão em pó a cada trinta
dias”, completa.
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