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De um lado, grupos
de ecologistas querendo preservar o que resta da
Mata Atlântica. De outro, a cadeia produtiva
querendo garantir a geração de empregos.
Vence o país que conseguiu aprovar na Câmara
por unanimidade o Projeto de Lei 3.285, de 1992,
de autoria de Fábio Feldman. Na espera pela
aprovação do Senado e pela sanção
do presidente, a Lei da Mata Atlântica, como
é conhecida, é polêmica e até
a sua aprovação deve seguir diversos
rumos
Depois de mais de 11 anos tramitando na Câmara
dos Deputados, o texto da
Lei da Mata Atlântica foi aprovado com alterações,
após um acordo entre as bancadas ruralista
e ambientalista, que fixa regras para a preservação
da Mata Atlântica. O projeto, que agora vai
à votação no Senado, ainda
deixa dúvidas quanto à abrangência
da área preservada, de acordo com a Abraf
(Associação Brasileira dos Produtores
de Florestas Plantadas). Atualmente, somente 7,3%
da Mata Atlântica original está intocada.
O projeto aprovado garante a preservação
desses 7,3%, afirmando que fazem parte do Bioma
Mata Atlântica formações nativas
e ecossistemas associados, delimitados em mapa do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), como a mata de araucárias, manguezais,
vegetações de restingas, campos de
altitude, brejos interioranos, encraves florestais
do Nordeste e outros.
A polêmica maior ainda
gira em torno da abrangência da lei para as
áreas remanescentes de vegetação
nativa em regeneração. Pelo texto,
terão seu uso e conservação
regulados, além das vegetações
nativas em estágio primário, também
as secundárias e as de médio e avançado
estágio de regeneração. Caberá
ao Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) definir
o tipo de vegetação em regeneração.
E a definição sobre a área
exata, que será alvo da nova lei, será
feita pelo IBGE, que lançará em breve
novo mapa com as áreas de preservação
da mata em 17 Estados do país.
“Esse é o grande
problema”, afirma o engenheiro florestal Marcílio
Caron Neto, vice-presidente da Abraf. “Qualquer
área definida como Mata Atlântica passa
a ser considerada patrimônio nacional (artigo
225 da Constituição). Como tal, mesmo
em estágio inicial de regeneração,
a área sofrerá limitações
de uso”, diz Caron. “Sem uma definição
clara do que o novo mapa do IBGE irá incluir,
há o risco de grandes obras, como estradas
e hidrelétricas, serem inviabilizadas e de
produtores rurais e silvicultores sofrerem sérias
restrições à expansão
de suas atividades”, conclui.
Na visão do engenheiro,
tão importante quanto preservar os 7,3% de
Mata Atlântica remanescente é “plantar
para evitar mais devastação e criar
postos de trabalho”. A cadeia produtiva ligada
à silvicultura gera hoje 2,5 milhões
de empregos diretos e indiretos.
Apesar dos problemas gerados
com o substitutivo aprovado pela Câmara, o
setor produtivo acredita que foi uma vitória.
“O importante é que conseguimos ser
escutados e principalmente alteramos os pontos que
prejudicavam a economia do país”, diz
Caron, que fez parte do Grupo de Trabalho. O engenheiro
florestal acrescenta que o papel da Frente Parlamentar
de Silvicultura foi fundamental. “Conseguimos
mostrar aos parlamentares os riscos que o país
corria com a aprovação do PL”,
afirma. O deputado federal Gervásio Silva
(PFL/SC), que é o coordenador da frente suprapartidária,
diz que “grande parte dos integrantes já
atuaram em áreas afins, o que facilita até
mesmo pelo conhecimento dos problemas do setor”.
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