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As estradas brasileiras matam e ferem ao ano mais
pessoas do que em muitas guerras internacionais.
• Apenas 30% de todas as
rodovias do país são pavimentadas.
• Para cada um real investido
em estradas, três reais são poupados
do bolso dos usuários com a manutenção
dos veículos.
• R$ 2,3 bilhões em
investimentos em transportes estão previstos
no orçamento da União para este ano.
• E o que parece muito dinheiro
é pouco para recuperar 1,6 milhão
de quilômetros de estradas e corrigir anos
de descaso.
A raiz de todo o problema
das rodovias brasileiras teve início após
a Segunda
Guerra Mundial, quando o Brasil optou por desenvolver
um modelo de transporte quase exclusivamente rodoviário.
O resultado desta decisão se reflete, ainda
hoje, nos principais indicadores relativos ao setor.
O país depende das rodovias para a economia
funcionar, já que elas respondem por cerca
de 64% do transporte de cargas e 90% do transporte
de passageiros dentro do território nacional.
São as rodovias federais que formam os grandes
corredores de escoamento da produção
do país
Apesar da comprovada importância
que as estradas têm para o país, nem
sempre o setor tem a atenção necessária.
As reportagens publicadas na Série Estradas,
em cinco edições da Revista do Confea,
mostraram uma triste realidade da malha viária
estadual e federal. Condições precárias,
falta de verbas para manutenção e
a absoluta necessidade de novos investimentos no
setor foram alguns dos problemas revelados.
De acordo com o chefe do
gabinete do Departamento Nacional de Infra-Estrutura
de Transportes (DNIT), engenheiro Coelho Sadok de
Sá, a malha rodoviária federal começou
a ficar ruim a partir da Constituição
de 1988, quando foi extinto o Fundo Rodoviário
Nacional. “Este era o imposto sobre combustíveis
vinculado ao setor de transporte. Com a sua extinção,
ficou reduzida a verba para investimentos no setor.
Hoje, o governo criou um novo imposto, o Cide. Porém
este não é vinculado ao segmento dos
transportes”, esclarece Sadok.
Dados do DNIT mostram que
apenas 62,4% das rodovias federais são pavimentadas.
Segundo o Modelo de Avaliação Econômica
elaborado pelo departamento, para cada real investido
em rodovias há uma redução
de quase três reais no Custo Operacional dos
Veículos.
Outra pesquisa realizada
regularmente pela Confederação Nacional
dos Transportes (CNT) revelou que, de 45.294 km
pesquisados, 68,8% das rodovias pesquisadas estão
em condições que variam de deficiente
(66,3%) a ruim (2,2%) e péssima (0,3%). Apenas
2,9 % da malha avaliada recebeu a qualificação
ótima, e 28,4%, boa. Números ainda
tímidos pela importância econômica
do setor. Há estudos da Cepal revelando que
as estradas em más condições
podem estar causando prejuízos ao Brasil
entre 1% e 3% do valor do PIB nos últimos
anos.
Com as deficiências
do sistema rodoviário, o custo das más
condições das estradas acaba chegando
ao bolso do consumidor e à conta das empresas.
Este fato é mais visível nos períodos
de férias, fim de ano e feriados prolongados,
já que nessa época o cidadão
comum costuma pegar a estrada. Somente concessionárias
de rodovias como Autoban (Anhanguera–Bandeirantes),
Nova Dutra (Rodovia Pres. Dutra) e Ecovias (Sistema
Anchieta e Imigrantes) registram fluxo de veículos,
nos dias de pico, que superam 300 mil veículos
em apenas dois dias, num só sentido.
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Investimentos
e programas
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Os
dirigentes sabem que não há
como pensar em desenvolvimento sustentado
sem um sistema de transporte com o devido
suporte. O governo federal anunciou no último
dia 13 de fevereiro a liberação
de R$ 178 milhões para socorrer as
estradas federais prejudicadas pelas chuvas.
Os recursos são provenientes da arrecadação
da Cide e da antecipação de
orçamento do Ministério dos
Transportes. Foi autorizado o repasse pelo
Ministério do Planejamento aos Estados
de R$ 90 milhões da Cide e antecipados
ao Ministério dos Transportes R$ 88
milhões dos R$ 2,3 bilhões previstos
no orçamento de 2004. “O orçamento
deste ano já está um pouco maior
que o do ano passado. Portanto, acredito que,
aos poucos, o governo conseguirá ampliar
os investimentos em transportes. Sabemos,
entretanto, que a demanda reprimida na área
é muito grande, e é praticamente
impossível atender a todo o “clamor”
rapidamente, mas vamos otimizar os investimentos
em transportes”, afirmou o ministro
dos Transportes, Alfredo Nascimento.
O Ministério
dos Transportes investiu muito em 2003, na
transparência das ações
e dos investimentos. Para isso, houve revisão
dos contratos das principais obras em execução,
o mapeamento da malha rodoviária com
identificação das intervenções
necessárias, além dos convênios
com o Exército, Confea e CEF para fiscalização
de obras.
Paralelamente aos investimentos,
foram criados programas e parcerias para implementar
procedimentos de fiscalização
e controle dos serviços e obras, assegurando
desta forma a efetiva aplicação
dos recursos financeiros. A expectativa é
que, com estes novos mecanismos de controle
e fiscalização, o setor venha
a funcionar melhor.
O Departamento Nacional
de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT) determinou
no início do governo aos coordenadores
das Unidades de Infra-Estrutura Terrestre
– Units (representantes do órgão
nos Estados) – que criassem uma comissão
em cada uma delas, com o objetivo de acompanhar
as várias obras rodoviárias
e executar medições e avaliações
desses serviços de engenharia.
Através do Programa
de Fiscalização e Controle de
Programas e Projetos, o DNIT vem desenvolvendo
este objetivo. Para aplicação
do programa, foram formadas parcerias por
meio de outras instituições
com capacidade técnica e operacional
para colaborar com as tarefas de controle
e fiscalização. O engenheiro
civil Marcos Túlio de Melo, presidente
do Crea Minas Gerais, participou da concepção
do projeto, trabalhando em conjunto com as
demais instituições envolvidas.
Juntamente com os técnicos
do DNIT, do Exército Brasileiro e Caixa
Econômica Federal – CEF, os Creas
fizeram parte das comissões de medição
na primeira fase do Programa de Fiscalização
e Controle. Essas comissões tiveram
o objetivo de aprimorar a gestão da
malha rodoviária federal através
da fiscalização das obras. “O
programa dá ênfase ao encorajamento
da sociedade civil organizada para participar
da fiscalização das rodovias
federais e desta forma dar mais transparência
a todo o processo e assegurar a aplicação
efetiva do dinheiro investido”, explica
José Augusto Veloso Pinto, coordenador
do projeto.
Desta forma, procurou-se,
dentro do DNIT, que tem a maior responsabilidade
na área, mudar o perfil da fiscalização
e tornar os procedimentos transparentes, atuantes
e com uma maior atenção para
o desenvolvimento físico da qualidade
das obras. “Para se desenvolver uma
mudança desta proporção,
pensou-se em envolver outros segmentos da
sociedade civil, fazendo com que outras experiências
somadas dessem resultados mais promissores.
Paralelamente a isso, pensou-se em promover
uma reestruturação geral no
DNIT”, explica o chefe do gabinete do
DNIT, engenheiro José Henrique Coelho
Sadok de Sá.
A parte financeira,
que é a avaliação da
obra, a liberação de faturas
e pagamentos, passou a ser tratada pela comissão
criada nas Units, constituída de três
componentes: o engenheiro fiscal, que conhece
a obra; outro engenheiro da Unit; e um terceiro,
de um dos parceiros (Caixa Federal, Batalhão
de Engenharia do Exército/BEC ou Confea
– Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura
e Agronomia).
O Confea resolveu apoiar
o processo devido à estreita ligação
entre os profissionais das entidades. Com
estrutura nos 27 Estados, mais de 1.200 agentes
de fiscalização de nível
técnico, 1.231 profissionais de nível
superior conselheiros da área tecnológica,
o Sistema Confea/ Crea tem todo o suporte
necessário para atender às necessidades
do programa. Além disso, o Sistema
tem boa capacidade e agilidade para informar
a situação de regularidade de
empresas, profissionais e Anotações
de Responsabilidade Técnica –
ART – já exigidas nos contratos
do DNIT. Outro fator favorável é
a disposição para parcerias,
com níveis diferenciados de organização
nos Estados.
De acordo com o relatório
de controle do programa, paralelamente à
estruturação deste sistema de
controle e fiscalização deverão
ser desenvolvidas ações de planejamento
para priorização dos investimentos,
de acordo com as disponibilidades orçamentária
e financeira, para desta forma assegurar o
fluxo normal dos pagamentos. Evitam-se assim
paralisações que comprometam
a qualidade e a viabilidade econômica
do empreendimento.
Além dos benefícios
econômicos, as melhorias que as empresas
realizam nas estradas e o controle estatístico
detalhado também têm contribuído
para a redução, em média,
de 15% a 20% no número de acidentes
e vítimas. Isto comprova que investir
na recuperação das estradas
também produz benefícios sociais.
Somente entre 1997 e 2000, nas rodovias federais
asfaltadas, que representam pouco mais de
30% do total das rodovias pavimentadas, 27.703
pessoas perderam a vida e 249.021 ficaram
feridas em 474.114 acidentes.
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Rodovia
da morte
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Uma
das rodovias mais problemáticas do
país é a BR 101, apelidada de
Rodovia da Morte. Em Santa Catarina, no trecho
Sul, a BR-101 foi construída nos anos
70 com capacidade para 4,6 mil veículos
ao dia. Atualmente, o trecho recebe 20 mil
veículos por dia, sendo que, na temporada,
o volume cresce 30%. Segundo a Federação
das Transportadoras, pelo trecho Sul passam
50% das cargas industriais e agrícolas
do país.
O orçamento
para a execução do projeto está
em US$ 780 milhões (cerca de R$ 2,3
bilhões). O que falta para dar início
ao processo é a assinatura do contrato
com o Banco Interamericano de Desenvolvimento
(BID), que diz que irá financiar 60%
da obra. Isto não acontece porque o
governo federal não tem os 40% restantes.
Segundo o DNIT, no orçamento da União
existem apenas R$ 89,8 milhões.
Em entrevista concedida
em Santa Catarina, o ministro do Planejamento,
Guido Mantega, disse que Lula garantiu o início
da duplicação para 2004. Depois
da repercussão negativa de um novo
revés para a duplicação
da BR-101, o presidente Luiz Inácio
Lula determinou que o ministro do Planejamento,
Guido Mantega, lidere as negociações
para resolver os entraves do trecho Norte
da rodovia (acima de Palhoça), que
emperram a assinatura do contrato do trecho
Sul (Osório–Palhoça).
| HOMENAGEADOS COM A MEDALHA DO
MÉRITO |
| Confira
o resultado da pesquisa da CNT (Confederação
Nacional dos Transportes), que aponta
os melhores e os piores trechos
rodoviários brasileiros:
Os melhores:
1º
Limeira (SP)/ São José
do Rio Preto (SP) – SP-310
2º
São Paulo (SP)/ Uberaba
(MG) – BR-050 / SP-330
3º
Engenheiro Miller (SP)/ Jupiá
(SP) – SP-209 / SP-300
4º
São Paulo (SP)/ Taubaté
(SP) – SP 070
5º
Barretos (SP)/ Bueno de Andrade
(SP) – SP 326
6º
São Paulo (SP)/ Limeira
(SP) – SP-348
7º
Campinas (SP)/ Jacareí
(SP) – SP-065
8º
São Paulo (SP)/ Itaí
(SP)/ Espírito do Turvo
(SP) – SP-255/SP-280
9º
Araraquara (SP)/ São Carlos
(SP)/ Franca (SP)/ Itirapuã
(SP) – SP- 255/SP-318/SP-334/SP-345
10º
Rio de Janeiro (RJ)/ São
Paulo (SP) – BR-116
Os piores:
1º
Poços de Caldas (MG)/ Lorena
(SP) – BR-459
2º
Salvador (BA)/ Paulo Afonso (BA)
– BR-110, BA-093
3º
Teresina (PI)/ Barreiras (BA)
– BR-135, BR-324, BR-343,
PI-140
4º
Leopoldina (MG)/ BR-262 (MG) –
BR-120, BR-265, BR-354, BR-369,
BR-491, MG-167, MG-285
5º
Alta Floresta (MT)/ Cuiabá
(MT) – BR-163, BR-364/BR-163,
MT-208, MT-320
6º
Marabá (PA)/ Dom Eliseu
(PA) – BR-222
7º
Curvelo (MG)/ Ibotirama (BA) –
BR-030, BR-122, BR-135, BA-160
8º
Jataí (GO)/ Piranhas (GO)
– BR-158
9º
Picos (PI)/ Salgueiro (PE)/ Lagoa
Grande (PE) – BR-122, BR-232,
BR-316
10º
Belém (PA)/ Guaraí
(TO) – PA-150, PA-151, PA-252,
PA-287, PA-447, TO-336
Por
Graziella Itamaro
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Alfredo
Nascimento |
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“é praticamente impossível atender
a todo o “clamor” rapidamente, mas vamos
otimizar os investimentos em transportes” |

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