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  Sem luz no fim do túnel
 

Cidades sofrem com o aumento da demanda por energia elétrica e já consomem 11% de toda a energia produzida no Brasil. Mas as principais falhas no abastecimento vêm da falta de linhas de transmissão e não da geração como muitos imaginam

Os municípios brasileiros consomem 11% da energia elétrica produzida no país, segundo estimativas da Eletrobrás. As regiões Sudeste e Sul concentram o consumo, espalhado no Brasil todo por 47,2 milhões de unidades consumidoras. Esses clientes são atendidos por 1.371 empreendimentos, que geram 88.426.662 kW de potência. O mercado brasileiro de energia, no entanto, está em expansão e deve crescer cerca de 4,5% do ano, ultrapassando 100 mil MW em 2008. Para atender a essa demanda, estimativas da Associação Brasileira de Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib) revelam que serão necessários investimentos para ampliar a oferta entre 3,2 mil MW e 3,5 mil MW de energia nova todos os anos, o que equivale a algo em torno de R$ 16,5 bilhões ou US$ 5,5 bilhões por ano.

Embora precise de novos empreendimentos de geração, é na escassez de linhas de transmissão de energia ligando as grandes geradoras às regiões Norte e Centro-Oeste que se concentra o principal problema dos municípios brasileiros que sofrem falhas ou ameaças constantes de racionamento no fornecimento de energia elétrica. Isso porque o Sistema Interligado Nacional, gerenciado pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), deixa de fora 3,4% da capacidade de produção de eletricidade em sistemas isolados localizados principalmente na Região Amazônica. “A capilaridade das linhas se reduz significativamente nas regiões Norte e Centro-Oeste, deixando grande parte do território descoberta”, explica Roberto Araújo, do Ilumina – Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Elétrico, ONG que reúne engenheiros e técnicos especialistas no setor.
De acordo com dados do IBGE, em 11% dos municípios brasileiros o fornecimento de energia elétrica não existe ou é de má qualida de Computados por regiões, os dados mostram que, no Norte e no Nordeste, esse percentual é bem superior, atingindo 27% na primeira região e 18% na segunda. No Sudeste, o abastecimento é inexistente ou deficitário em 7% dos municípios, enquanto no Sul, em 8,5% das cidades, e no Centro-Oeste, em 11% delas.

Entrando ainda mais na questão municipal, a iluminação pública é inexistente ou precária em 37,2% das cidades brasileiras. No Norte, esse percentual é bem superior à média nacional, ficando em 56%. Nas regiões Nordeste e Centro-Oeste, os números também não são animadores: 44% e 45% dos municípios, respectivamente, não são bem atendidos pela iluminação pública.

 

Manaus em estado de alerta

A capital do Amazonas, que sofreu e tem a possibilidade de sofrer crise no abastecimento a partir de 2005, é uma importante cidade que fica de fora da interligação com o SIN. Hoje, a energia consumida na cidade vem principalmente de usinas térmicas a óleo diesel, sendo que apenas 15% vêm da Hidrelétrica de Balbina. “Essa energia custa cinco vezes mais que uma hidrelétrica ou térmica a gás. Mas como o custo está distribuído por consumidores do Brasil todo, a preocupação em modernizar ou ampliar a oferta de energia hidrelétrica na região é pequena”, destaca Araújo. Uma boa solução para a região de Manaus seria trazer gás de Urucu, já que o gasoduto está há 200 km da capital do Amazonas. Um estudo do Crea-AM revela que o encerramento dos contratos dos atuais produtores independentes contratados acarretará racionamento de energia na cidade de Manaus, que neste ano deve dispor de 818 MW para os horários de pico.

Térmicas a diesel abastecem grande parte dos municípios na Região Norte e também do Centro-Oeste. Existem cidades que sofrem racionamento preventivo nessas regiões, em uma situação que para o resto do país parece estranha. Quando chove muito, existe o racionamento. Isso porque as estradas ficam intransitáveis, impossibilitando a chegada do combustível nessas localidades por alguns dias. Mas a interligação com o SIN tem de ser pensada também por causa dos novos empreendimentos de geração que estão sendo construídos na Região Norte.

 

Iluminação pública sofre com o desperdício

A dificuldade de oferecer um serviço de iluminação pública de qualidade ou de atrair investimentos para um município suscetível a falhas no fornecimento, no entanto, não é o único problema que aflige prefeitos de todo o país. A conta de luz de uma cidade é geralmente a segunda maior despesa de um município, perdendo apenas para a folha de pagamento, informa José Pitanga Maia, coordenador do projeto Redes Cidades Eficientes em Energia – uma parceria entre o Instituto Brasileiro de Administração Municipal (Ibam) e Eletrobrás/Procel. O objetivo do programa é ajudar os municípios a fazer uso responsável da energia e evitar o desperdício, além de facilitar a difusão e a troca de informações sobre o desenvolvimento de projetos de eficiência energética entre os municípios brasileiros.

“A meta é capacitar as prefeituras na gestão do uso da energia elétrica, reduzindo o desperdício e a conta de luz, para que os recursos sejam utilizados em setores considerados prioritários para a população”, explica a chefe da Divisão de Projetos Especiais da Eletrobrás/Procel, Solange Nogueira Santos.

O Ibam faz a capacitação do município e fomenta a criação de um núcleo de pessoas aptas a fazer a gestão e um planejamento energético para a cidade, o Plano Municipal de Gestão da Energia Elétrica, para os quatro anos seguintes. Segundo Maia, 55 municípios brasileiros já fizeram essa capacitação e possuem seus planos. Colocar em andamento as medidas sugeridas, no entanto, é um pouco mais difícil. “Muitas vezes, o plano prevê, por exemplo, a troca de todo o sistema de iluminação pública. Isso tem um custo e depende de financiamento”, explica. O potencial de economia de energia elétrica por parte das cidades, segundo cálculos dos técnicos da Eletrobrás/Procel, é de 33%. Essa energia economizada seria capaz de iluminar cerca de 3,8 milhões de residências.

Outro programa da Eletrobrás para ajudar as prefeituras a consumir energia elétrica de forma responsável é o Reluz. E um dos aspectos abordados pelo Reluz é a iluminação pública. Hoje, 365 municípios brasileiros já foram beneficiados e mais 1.418 já possuem contratos assinados. No total, serão economizados 949.366 MW/h por ano, o que equivale ao consumo de mais de 510 mil residências, segundo Solange. A Eletrobrás, por meio do Reluz, já financiou mais de 2 mil municípios em todo o país, tornando eficientes cerca de 3 milhões de pontos de iluminação pública. Até o ano de 2010, a Eletrobrás financiará R$ 2 bilhões para tornar mais eficientes 9,5 milhões de pontos de iluminação pública e instalar mais 3 milhões de pontos em todo o país. O objetivo é atender a 80% dos municípios brasileiros.

 

Roberto Araújo

 

“O mercado brasileiro de energia, no entanto, está em expansão e deve crescer cerca de 4,5% do ano...”








“...a iluminação pública é inexistente ou precária em 37,2% das cidades brasileiras.”

 









“Outro programa da Eletrobrás para ajudar as prefeituras a consumir energia elétrica de forma responsável é o Reluz.”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

    
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