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Trânsito:
uma via urgente
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Projeções revelam que nos próximos dez anos a frota de automóveis no país deve atingir 30 milhões de unidades. Um aumento proporcional ao crescimento da população que chegará a 200 milhões de habitantes. Congestionamentos, acidentes e poluição nas grandes cidades são alguns dos problemas a serem resolvidos antes que o “caos” prevaleça
Em metrópoles como São Paulo, Rio de Janeiro e
Belo Horizonte, os congestionamentos, que hoje
em média chegam a 120 km, fazem parte do cotidiano das pessoas que moram nestas cidades. Para agravar um pouco mais a situação, o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) apurou que em 2002 o trânsito foi responsável por mais de 18 mil mortes e cerca de 251 mil feridos, colocando o país na posição de campeão de acidentes de trânsito. Grande parcela dessa atual situação foi resultado do tipo de desenvolvimento urbano e de transporte executado no Brasil, em paralelo ao crescimento desordenado das cidades.
Os impactos negativos respingam diretamente na eficiência da economia urbana, que se não resolvida a tempo pode comprometer o crescimento e a qualidade de vida. “O primeiro fator que pesa é a perda da capacidade competitiva para outras cidades, o aumento da desigualdade e a imobilidade das pessoas. Essa situação é centrada no uso do automóvel, uma campanha que vigora desde a década de 50 com o incentivo do poder público para a compra de veículos. Precisamos de uma mudança cultural focada no ser humano”, argumentou o diretor executivo da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos), Nazareno S. Affonso.
Em 1995, com a queda da inflação, a estabilidade do país levou os brasileiros a adquirirem mais bens, principalmente nas camadas de renda mais baixa. O poder aquisitivo esquentou as vendas, e o crescimento da indústria automobilística foi certeiro. As conseqüências, também. A falta de infra-estrutura evidenciou a fragilidade da rede urbana, o descontrole sobre o trânsito resultou em situações de congestionamentos e, conseqüentemente, na elevação do tempo de viagem e na redução da produtividade das atividades urbanas.
Estudos do Ipea/ANTP (1998), realizados em dez cidades brasileiras, estimam que os gastos excessivos resultantes do congestionamento severo (quando a capacidade da via está esgotada) atingem cerca de R$ 450 milhões por ano. Se incluir as demais cidades médias e grandes, o valor sobe para a casa dos bilhões. “A superação dos problemas de trânsito não será resultado apenas da melhoria da infra-estrutura viária, que se mostra sempre insuficiente, apesar dos altos investimentos em avenidas e viadutos, que simplesmente mudam os congestionamentos de lugar. Exige uma rediscussão do atual modelo de deslocamento adotado nas maiores cidades, que se mostra esgotado e, mesmo assim, é reproduzido pelas cidades maiores”, esclarece o secretário nacional de Transportes e Mobilidade Urbana, José Carlos Xavier.
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Guerra urbana
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Conseqüências do inchaço das vias públicas são sentidos na vida das pessoas. Dados da OMS (Organização Mundial de Saúde) apontam 1,6 milhão de mortes por ano, em todo o mundo, de vítimas diretas e indiretas do trânsito, o que engloba a qualidade do ar e acidentes ocorridos na calçada, número que supera a taxa de mortos nos conflitos armados e na guerra, chegando a 310 mil. “Isso coloca o Brasil em frente a uma situação de saúde pública, na qual temos de rever a mobilidade como questão de política pública, mudar a lógica e a elaboração de políticas amigáveis. Pensar em cidades mais humanas”, completou Nazareno.
De um lado, a ampliação do número de veículos, o agravamento das condições de trânsito das cidades; do outro, a queda no uso do transporte público. Em contrapartida, um número elevado de pessoas gasta diariamente muito tempo nos seus deslocamentos por transporte coletivo. Com a queda no nível de serviço, a redução dos investimentos necessários ao transporte público, a paralisação de obras iniciadas e em alguns casos o abandono dos sistemas já constituídos, ocorreu a queda no nível de serviço. O aumento da tarifa do transporte público agravou a concorrência com o transporte clandestino, que enxugou uma grande parte de passageiros. De acordo com um levantamento, 63% das grandes cidades com mais de 300 mil habitantes têm transporte ilegal.
Estudo da ANTP (Associação Nacional de Transporte Público) revela que a grande maioria, cerca de 50%, migrou para o transporte clandestino, uma outra parcela faz o percurso a pé (44%) ou usa o carro (17%), e o restante não usa nenhum tipo de transporte. Algumas pessoas recorreram ao uso da bicicleta como meio de transporte (7%), em razão da impossibilidade de adquirir passagem de ônibus. Contabiliza-se uma queda de 8,5% de passageiros de transportes públicos nas cidades médias e grandes, entre 1995 e 1997. Esse percentual continua caindo com o passar dos anos. Entre 1994 e 2001, o sistema de transporte público no país perdeu 25% de seus passageiros para, em sua maioria, o transporte ilegal. Conforme técnicos da área, o grande motivo recai sobre a falta de investimento no setor, que se tornou caro, ineficiente e de baixa qualidade.
Com a queda ano a ano, o transporte público urbano metropolitano (ônibus, trem, metrô) arrecada R$
15 bilhões em todo o país. De acordo com o levantamento, os 115 mil ônibus que existem deixaram de transportar nesses anos 16 milhões de pessoas. O número de passageiros caiu de cerca de 75 milhões para 59 milhões de pessoas transportadas no país, por dia.
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Ações paralelas
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A reorganização das cidades e dos espaços usufruídos por toda a sociedade é passo básico no direcionamento de melhorias que atendam à qualidade de vida e segurança. Os graves problemas encontrados no trânsito urbano e regional do país (acidentes, impunidade, ineficiência, desorganização do trânsito, deficiência geral da fiscalização sobre as condições dos veículos e sobre o comportamento dos usuários, impunidade dos infratores, acessibilidade e mobilidade) desencadearam a busca por soluções de êxito propostas por entidades competentes por essa temática. Uma iniciativa do Crea de Minas Gerais foi a criação da Comissão Permanente de Acessibilidade, com o objetivo de efetivar ações que mostrem a importância dada ao tema pelos profissionais da engenharia, arquitetura e agronomia que constituem o conselho. “Foi criado o lema: ’Inacessível é inaceitável’ para dinamizar um processo de reeducação profissional e de conscientização da sociedade para a transformação da inclusão na sociedade, mobilizar e sensibilizar profissionais e a sociedade para a necessidade de se construir ambientes com acessibilidade plena, principalmente para os portadores de necessidades especiais, temporários ou permanentes”, revela o presidente do Crea -MG, engenheiro Marco Túlio de Melo.
A campanha foi lançada em 1999, teve duração de dois anos e acabou sendo adotada nacionalmente pelo Sistema Confea/Crea. A ação alavancou outras movimentações do conselho como o desenvolvimento de projetos junto às prefeituras no acompanhamento, no Congresso Nacional, da Lei 3.499/99, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou mobilidade reduzida.
“Temos de ter um olhar diferente, não diferenciando o portador de necessidades especiais, mas transformando nosso meio numa sociedade inclusiva”, complementa o presidente do Crea-MG.
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Marco Túlio de Melo |
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“Os graves problemas encontrados no trânsito urbano e regional do país desenca-dearam a busca por soluções de êxito...” |
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