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Desenvolvimento econômico positivo do país calcado no crescimento agrícola, mudanças no modo de encarar os acidentes do ambiente de trabalho, suporte contra processos jurídicos, sustentabilidade do ambiente urbano. Cada vez mais presentes e úteis a um maior número de áreas, profissionais de engenharia, arquitetura e técnicos agrícolas comemoram suas datas expandindo o foco de atuação e avaliando a situação do mercado
Aagricultura é considerada um dos pilares
do crescimento econômico observado em
2004, no país, o que reflete diretamente na atuação e no mercado de trabalho do engenheiro agrônomo, que comemora o seu dia em 12 de outubro. Há, no Brasil, mais de 100 mil profissionais da área, e a cada ano são formados mais 6 mil. “O engenheiro agrônomo atua diretamente no ensino, pesquisa, extensão, assistência técnica e no novo enfoque que está revolucionando o país, que é o agronegócio”, destaca o presidente da Confederação Brasileira das Confederações de Engenheiros Agrônomos do Brasil (Confaeab), Antônio de Pádua Angelim.
O ano de 2004 foi muito importante para a categoria, pois o Brasil recebeu as maiores autoridades da agricultura mundial ao sediar o III Congresso Mundial de Profissionais de Agronomia e o I Congresso Pan-Americano de Engenheiros Agrônomos, realizados em outubro, em Fortaleza (CE). Na ocasião, três brasileiros foram eleitos para a direção de entidades internacionais: a Associação Mundial de Engenheiros Agrônomos passou a ter o catarinense Carlos Pieta Filho como presidente e o maranhense Antônio de Pádua Angelim como secretário-geral. A Vice-Presidência Cone Sul da Associação Pan-Americana de Engenheiros Agrônomos ficou a cargo do mineiro Marcelo Martins Pinto.
Para os próximos anos, é fundamental para a categoria que o governo brasileiro tenha excelente desempenho nas negociações externas, para que caiam as barreiras protecionistas. Outro desafio para os agrônomos, de acordo com Angelim, é a existência de recursos suficientes para investir na infra-estrutura, como em rodovias, estradas, ferrovias, portos e armazéns, para escoamento e armazenamento da produção. “Quanto a nós, engenheiros agrônomos, cada vez mais vamos continuar apresentando novos momentos de culturas e insumos, para que a produtividade seja cada vez maior, e assim vamos quebrando recordes”, garante o presidente da Confaeab.
Outro profissional positivamente afetado pelo crescimento do agronegócio é o técnico agrícola, comemorado no dia 5 de novembro. São várias as habilitações e áreas de atuação do técnico agrícola, entre elas agroindústria, agropecuária, enologia, meteorologia, pesca, leite e derivados. A agroindústria e a agricultura familiar são as áreas que mais têm apresentado expansão e absorção de profissionais nos últimos anos.
Aumenta o mercado de trabalho, mas aumenta também o desafio de atender adequadamente à demanda. “Enfrentamos um grande problema que é a falta de atualização dos profissionais. O mercado está cada vez mais exigente, e muitas vezes o técnico só procura especialização depois que a oportunidade aparece. É fundamental uma reciclagem constante”, avalia o conselheiro federal da categoria no Confea, Marcos de Souza.
Ele dá como exemplo a exigência de carteira de habilitação para atuar no ramo: antes, era uma qualidade a mais do profissional. Hoje é requisito indispensável, juntamente com conhecimentos de informática e de tecnologias aplicadas. A busca pela especialização é apenas um dos desafios do técnico agrícola. Souza destaca a luta pela garantia de consolidação do decreto que regulamenta a profissão e o estabelecimento de um piso salarial para a categoria.
O surgimento dos produtos transgênicos é outra questão que implicará uma profunda adequação e atualização não só dos técnicos agrícolas, mas de todos os profissionais de ciências agrárias. “Os transgênicos são algo inovador, que, se for consolidado no Brasil, irá exigir um cuidado sério dos centros de ensino, das entidades representativas e de todos os profissionais atuantes”, adverte Souza.
A formação dos técnicos agrícolas sofreu uma modificação fundamental com a implantação da Lei de Diretrizes e Bases. Antes, o futuro profissional, após o primeiro grau, cursava três anos do ensino técnico que correspondiam ao ensino médio. Hoje, essa opção ainda existe, mas agora o curso técnico pode ser feito em separado, por um ano e meio, desde que o aluno tenha também o diploma do ensino médio. Para Souza, isso facilita a qualificação e garante maior mobilidade para o técnico que, por exemplo, mude de localidade. “Agora, em um ano e meio, ele estará habilitado para atender às necessidades gerais e específicas da nova região e às exigências do novo mercado onde irá atuar.”
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Segurança no trabalho
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A prevenção de acidentes, antes função relacionada fundamentalmente à área médica, hoje já é um ramo consolidado da engenharia. Os dados mais recentes do Ministério do Trabalho, de 2002, trazem 2.965 engenheiros de segurança com vínculo empregatício, mas estima-se que em torno de 10 mil atuem de forma autônoma. Eles comemoram sua data no dia 27 de novembro. Engenheiros de qualquer modalidade, arquitetos e geólogos podem se habilitar a tornar-se um engenheiro de segurança, através do curso de especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho.
As áreas de atuação são as que se relacionam com as condições dos ambientes de trabalho e com o comportamento humano nestes, sob o ponto de vista da segurança do trabalhador. Não é raro pessoas confundirem o papel desse profissional com o do médico do trabalho. O presidente da Sociedade Brasileira de Engenharia de Segurança, André Lopes Netto, esclarece a diferença: “Poderíamos sintetizar dizendo que a ação do engenheiro de segurança se situa, preponderantemente, nas condições dos ambientes de trabalho, sem descuidar do atendimento ao homem, enquanto o médico do trabalho atua, preponderantemente, no atendimento ao homem, sem descuidar da correção dos ambientes de trabalho. São ações diferenciadas, com objetivo comum – a segurança e a saúde do homem que trabalha, seja qual for seu campo de atividade”.
O mercado de trabalho nesse ramo depende, fundamentalmente, do desenvolvimento econômico, principalmente na área industrial. Lopes Netto considera que as grandes e médias empresas, nacionais ou estrangeiras, proporcionam um mercado de trabalho adequado e promissor para quem atua na área, mas percebe que as pequenas empresas do país apresentam uma demanda inferior se comparadas às dos países economicamente mais desenvolvidos. |
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Avaliações e perícias
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Outro profissional que comemora sua data no último trimestre do ano é o engenheiro de avaliações e perícias de engenharia (13 de dezembro). Décadas atrás, quem ingressava em uma dessas áreas a tinha como atividade secundária. Mas o aumento do número de processos judiciais envolvendo má confecção e análise de contratos, principalmente, ocasionou a abertura do mercado para esse profissional a ponto de, hoje, a maioria dos engenheiros que trabalha nesse segmento atuar de forma exclusiva.
Na área de avaliações, a demanda cresceu à medida que os bancos passaram a exigir trabalhos técnicos para dar garantias de crédito e financiamentos, e os investidores institucionais como os fundos de pensão, a buscar argumentos cada vez mais técnicos na hora de determinar o que fazer com o dinheiro a investir.
Hoje, a maior parte dos construtores/incorporadores não começa uma obra sem antes ter um laudo de caracterização de vizinhanças, seja para registrar o estado físico das edificações e demais imóveis próximos ao canteiro de obras, seja para caracterizar aspectos ambientais relevantes. Também é difícil encontrar quem alugue um imóvel sem antes documentar o estado físico do local antes da ocupação. “Ninguém quer assumir os danos produzidos por seus antecessores”, aponta o presidente do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia (Ibape), Octavio Galvão Neto. Evitar isso é a função do engenheiro que trabalha com perícias.
Não há um curso específico que forme esse tipo de engenheiro. Mas aquele que lida com perícias, por exemplo, está trabalhando em um universo bastante distinto daquele para o qual foi formado: o mundo do Direito. Por isso, é necessária uma formação complementar, que vem sendo oferecida pelas entidades filiadas ao Ibape através de cursos específicos e de pós-graduação mantidos em parceria com diversas universidades do país. |
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Profissionais atuantes,
cidades sustentáveis
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O Conselho Superior do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), reunido em Maceió, no início de setembro, decidiu fazer de 2005 o Ano do Direito à Arquitetura. Trata-se de garantir o direito ao consumidor e usuário da moradia saudável, com espaços de qualidade e para todos. O objetivo é ampliar a discussão do exercício profissional diante das necessidades sociais.
“Somente com a democratização da arquitetura se socializa o bem moradia dignamente, tal como a democratização do acesso à medicina permite socializar a saúde para todos, explica o presidente do IAB, Demetre Anastassakis. “O principal desafio deste início de século é nos prepararmos para estender nossos benefícios a todos. Garantir a todos, podendo pagar ou não, os benefícios da arquitetura e do urbanismo, para que se garanta a todos o direito à moradia – boa moradia – e o direito à cidade – boa cidade”, completa.
Os arquitetos e urbanistas comemoram seu dia em 11 de dezembro. Estima-se que haja no Brasil 100 mil profissionais habilitados e cerca de 160 cursos espalhados por quase todo o território nacional. A sustentabilidade das cidades muito depende do trabalho desse profissional, responsável pelo planejamento e desenvolvimento do espaço público e privado.
Anastassakis destaca que há um paradoxo na ocupação desses espaços no Brasil: mesmo nas grandes metrópoles, onde falta espaço público, há espaço privado ocioso considerável e provido de infra-estrutura. “Preenchê-lo racionalmente, permitindo que as cidades cresçam ao patamar de pleno uso das infra-estruturas existentes, é a nossa maior tarefa agora.”
Uma das lutas da Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA) é justamente pelo que chamam de “universalização da assistência técnica”. Assim como o Brasil conquistou um Sistema Único de Saúde – que, mesmo com todos os problemas, garante o acesso deste serviço a todas as pessoas que não podem pagar por ele –, a entidade sugere que o poder público faça um sistema único, capaz de disponibilizar a toda a população o conhecimento dos arquitetos e demais profissionais que trabalham com a questão das cidades.
“A profissão do arquiteto é ‘una’, diferente das que se subdividem em várias, o que dá ao arquiteto uma formação ao mesmo tempo técnica e humanística. Vejo com bons olhos o futuro da profissão, principalmente para os arquitetos que se dedicarem à área social, um mercado grande e ainda pouco explorado”, destaca o presidente da FNA, Eduardo Bimbi. Ele ressalta que a profissão deve deixar de ser elitista, de grandes prédios e materiais importados, e se dedicar a uma nova forma de fazer arquitetura, mais voltada ao social. “A arquitetura dos grandes projetos é importante, mas, em um país com 170 milhões de habitantes, não há dinheiro para que só exista isso”, enfatiza Bimbi.
A assinatura do decreto que regulamentava as profissões de engenheiro, arquiteto e agrimensor, em 11 de dezembro de 1933, deu origem ao Dia do Engenheiro e Arquiteto. A data é destinada a toda a categoria dos engenheiros, apesar de muitas vezes ser entendida como Dia do Arquiteto e do Engenheiro Civil. O presidente da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), Olímpio Alves Santos, explica. “Naquela época, existia basicamente a engenharia civil, já que a indústria era incipiente. Não havia tantas modalidades de engenheiros estabelecidas, como mecânica e elétrica, por exemplo.”
Um estudo desenvolvido pela Fisenge constatou, a partir de comparações entre estatísticas oficiais nacionais, que 115.950 novos engenheiros foram formados no Brasil, entre 1995 e 2001, uma média de quase 20 mil por ano. Somando-se a este dado o número de profissionais habilitados empregados antes de 1995 e mantendo-se a média de formados a cada ano, imagina-se que haja cerca de 350 mil engenheiros no país. Algumas estimativas, no entanto, elevam o número para 500 mil.
Em uma época em que o espaço urbano enfrenta graves problemas de sustentabilidade, é cada vez mais evidente a importância da atuação dos profissionais de engenharia e arquitetura na busca de soluções. “A importância do engenheiro é crucial, porque a profissão está intimamente ligada a questões elementares como saneamento básico, habitação, transporte e energia”, enfatiza o presidente da Federação Nacional de Engenheiros, Murilo Celso de Campos Pinheiro. Ele destaca a preocupação com a construção civil sustentável, que vai além do uso de material reciclado nas obras.
Trata-se, por exemplo, de construir edificações que economizem água e energia e que possuam um sistema mais ecológico de esgotamento que os tradicionais. “Não resta dúvida de que uma cidade que garanta qualidade de vida à sua população necessariamente terá de lançar mão da boa engenharia de forma adequada a sua realidade econômica, social e política.”
Para Pinheiro, um dos principais desafios para o profissional deve também ser vencido pelo país como um todo. “O mercado de trabalho está comprometido pela falta de investimentos e pelas políticas que marcaram a década de 90, com privatização, desindustrialização e desnacionalização.”
O perfil da profissão também mudou nos últimos anos. Além de toda a formação técnica, o profissional de hoje precisa estar preparado para lidar com questões de marketing, finanças e ter compreensão da realidade social em que atua. Não deve buscar apenas o emprego tradicional, mas voltar-se para ações de empreendedorismo, sem jamais esquecer da dinâmica do mercado. “Vivemos na era da informação, e qualificação é tarefa para a vida inteira, especialmente ao profissional do setor tecnológico”, completa Pinheiro.
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Marcos de Souza |
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| “A busca pela especialização é apenas um dos desafios do técnico agrícola.” |
| “...a ação do engenheiro de segurança se situa, prepondera-ntemente, nas condições dos ambientes de trabalho,...” |
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| Olímpio Alves Santos |
“O mercado de trabalho está comprometido pela falta de investimentos e pelas políticas que marcaram a década de 90,...” |
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