Maceió, 18 de maio de 2014
“Um espelho retrovisor”. Com esta imagem em que se referiu à sua trajetória e à legislação do Sistema Confea/Crea e Mútua, o presidente do Confea, engenheiro civil José Tadeu da Silva, encerrou na noite deste domingo (18/5), em Maceió, a abertura do Encontro Nacional da Engenharia Civil - Reunião dos Conselheiros Federais e Regionais da modalidade Engenharia Civil do Sistema Confea/Crea e Mútua. O evento é realizado pelo Confea, a partir de uma sugestão da Associação Brasileira de Engenharia Civil (Abenc), em parceria também com a Federação Brasileira de Associações de Engenheiros (Febrae) e com o Conselho Regional de Engenharia do Estado de Alagoas (Crea-AL). A reunião proporá soluções para os grandes desafios da modalidade.
Em sua abertura, o evento contou com as participações do coordenador da Frente Parlamentar em Defesa da Engenharia, deputado federal Augusto Coutinho (SD-PE) e do ex-presidente do Crea-AL e deputado estadual Judson Cabral (PT-AL). Entre os presentes, 16 presidentes de Creas e diversos conselheiros, entre eles o vice-presidente do Confea, engenheiro mecânico Julio Fialkoski.
Ao final dos discursos de abertura, o presidente do Confea questionou o que os engenheiros civis e demais representantes do Sistema Confea/Crea e Mútua precisam fazer para que a Lei 5.194/1966 atenda à engenharia civil. Assim, ele concluía um amplo panorama da legislação dos profissionais da área tecnológica do país, em que ele também pôde fazer uma analogia com as transformações por que ele próprio atravessou em sua vida. “Dentro desse espelho retrovisor, o que precisamos fazer para atender aos nossos anseios e atender às demandas da engenharia civil, quando o Brasil nunca precisou tanto da engenharia civil como agora? Daí a importância deste encontro. Teremos a oportunidade de colocar a nossa inteligência a serviço da engenharia civil dentro dos nossos estados e do nosso país. Precisamos que o deputado federal Augusto Coutinho leve essas propostas para o Congresso Nacional para que ressoem os nossos anseios”, conclamou.
Trajetória
Ao agradecer o empenho do deputado federal Augusto Coutinho como “comandante” da Frente Parlamentar de Apoio à Engenharia, Arquitetura e Agronomia, o presidente do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia, o engenheiro civil José Tadeu da Silva saudou todos os engenheiros civis e representantes das demais modalidades presentes. Elogiou a participação política do deputado estadual alagoano Judson Cabral, lembrando que “engenheiro elege engenheiro”. Fez questão de citar ainda a presença de presidentes e dirigentes estaduais da Abenc, além do “xerife da engenharia civil”, como se referiu ao conselheiro federal Francisco José Teixeira Ladaga, presidente da Abenc nacional, que sugeriu e coordena a realização da atividade. Também ressaltou a importância da participação dos presidentes de Creas, não apenas os que pertencem à modalidade. “Temos 16 presidentes, podemos fazer uma reunião do Colégio de Presidentes aqui”. Em seguida, relacionou ainda os conselheiros e lideranças do Sistema.
José Tadeu da Silva endossou as palavras de todos os que o antecederam e, lembrando sua ascendência mineira, contou um pouco da sua trajetória. “Uma criança de oito anos, engraxate, filho de um bóia-fria e de uma lavadeira, que, em 1961, não poderia jamais pensar que seria engenheiro civil. Como isso foi para a cabeça dele? Onze anos depois ele se tornou engenheiro civil e hoje está abrindo o Encontro Nacional da Engenharia Civil. Isso passou por três palavras: coragem, para vencer, dedicação e ainda trabalho. Se eu dou algum conforto a meus filhos, foi graças ao diploma de engenheiro civil e a uma carteira de engenheiro civil. Devo muito à engenharia civil do nosso país”, afirmou.
Nesse momento, visivelmente emocionado, José Tadeu destacou que, como presidente do Confea, enxerga o sistema com unidade e sem distinção por profissões, em seguida ressalvando-se no direito de, ali, naquele momento, falar não apenas como presidente do Confea, mas falar também como engenheiro civil.
“Dentro desse espelho retrovisor, o que precisamos fazer para atender aos nossos anseios e atender às demandas da engenharia civil, quando o Brasil nunca precisou tanto da engenharia civil? Daí a importância deste encontro. Teremos a oportunidade de colocar a nossa inteligência a serviço da engenharia civil dentro dos nossos estados e do nosso país. Precisamos que o deputado federal Augusto Coutinho leve essas propostas para o Congresso Nacional para que ressoem os nossos anseios”, conclamou.
Ele também garantiu ao coordenador da Coordenadoria Nacional das Câmaras de Engenharia Civil, Luiz Capraro, que, enquanto estiver no Confea, promoverá novos encontros como este. Com esses comentários, José Tadeu destacou a importância da engenharia civil e de sua atualização permanente, lembrando que as obras dos arquitetos que construíram Brasília e outras grandes edificações nacionais só têm estabilidade graças aos engenheiros civis. Em seguida, relacionou a importância do Sistema Confea/Crea, comparando-o ao Sistema Judiciário brasileiro.
“Nesse encontro memorável, que é um dever do Conselho Federal, e não um favor, de dar condições para que os nossos profissionais e os operadores do direito da engenharia, os conselheiros estaduais, apresentem suas contribuições. Nós somos como o Sistema Judiciário, com funções de julgamento, de poder legislativo e de poder executivo. Como judiciário, julgamos as infrações éticas da profissão. E para aplicar uma sanção, temos que ter amparo na lei, compactada na resolução 1.048”.
Encontro e legislação
Segundo o presidente do Confea, em seu discurso de abertura do Encontro Nacional da Engenharia Civil, tudo o que se passa na modalidade Civil, passa pelas câmaras da engenharia civil. “Por isso, dei carta branca ao conselheiro Ladaga para fazer o que se tem que fazer, por toda a confiança que os engenheiros civis têm no senhor. Ele montou a pauta deste evento. Tenho certeza de que ela irá detectar os problemas da Civil, que temos que discutir e fazer o trabalho para ser ouvido e implementado pelo Conselho Federal. Já pude perceber que vamos ter muito o que fazer nestes dois dias, será uma discussão grande porque nós precisamos modernizar o nosso Sistema”.
A verve para contador de histórias do presidente do Confea voltou a se combinar com seu conhecimento do aparato legal do Sistema Confea/Crea e Mútua, como normalmente José Tadeu costuma demonstrar em suas falas. “O Brasil era diferente em 1933, quando Getúlio fez o decreto 23.569, dizendo, no artigo 18, que se criavam os conselhos para fiscalização da engenharia, arquitetura e agrimensura. É esse decreto que está registrado na minha carteira. E a partir do capítulo 28, capítulo 4, tratou ‘das especializações profissionais’. Nos artigos, fala de nossas atribuições”.
José Tadeu lembrou então outras especializações descritas pelo decreto para concluir que o instrumento legal proporcionou os primeiros sombreamentos. “Chegamos a 1966, e a Lei 5.194 começa a falar direto de engenheiro, arquiteto, engenheiro agrônomo. A seção quatro do artigo sétimo tem o título de 'atribuições profissionais e coordenação de suas atividades'. Quer dizer, começa a citar as engenharias do decreto, tudo com a palavra engenheiro. Quer dizer, criou a categoria, e aí coube ao Confea atribuir as modalidades. Agora, precisamos rever e atualizar a legislação. Teremos muito trabalho nesta reunião”, frisou.
Henrique Nunes
Equipe de Comunicação do Confea
