Universidades participam de diálogo sobre Educação a Distância

Brasília, 6 de março de 2015.

"Representantes de universidades apresentaram experiências de Ensino a Distância (EaD) ao Confea"

Representantes de cursos de engenharia estiveram reunidos, na última quinta-feira (5/3), com o GT Educação a Distância e com a Comissão de Educação e Atribuição Profissional (Ceap), do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), na sede do Conselho, em Brasília.

"Conselheiros Daniel Salati e Gustavo Braz: momento inédito para ampliar debate sobre o tema"

“Hoje foi o dia mais importante para o GT. Podemos ouvir os especialistas, que acrescentaram muitas informações úteis. Posso dizer que teremos muito mais trabalho de agora em diante, um trabalho que se estenderá ao trabalho do GT”, argumentou o conselheiro federal e coordenador da Ceap, engenheiro mecânico Gustavo Braz.

A reunião integra um amplo debate sobre a formação e as atribuições relacionadas ao Sistema. No final do ano passado e no início deste, foram promovidos dois encontros, em formato de seminário, com o Conselho Nacional de Educação (CNE). “Nunca o Sistema trouxe essa discussão para dentro do Confea”, apontou o coordenador do GT, engenheiro agrônomo Daniel Salati.

"Segundo encontro entre Confea e Conselho Nacional de Educação, em janeiro"

“Fico feliz que hoje o Sistema se dedique a ver o que está sendo feito na educação. Ainda haverá divergências, mas fico feliz com o que está acontecendo”, sugeriu o diretor acadêmico da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp), engenheiro eletricista Waldomiro Loyolla.

Diálogo

Um dos resultados do “Diálogo Confea/CNE” foi a criação de um Grupo de Trabalho para tratar sobre o tema do Ensino a Distância.  Após a análise do seminário, a quarta e penúltima reunião, nesta quinta-feira (6), no Confea, ouviu representantes de universidades que apresentaram contribuições e “cases” para o debate. A última reunião do GT será dias 19 e 20 deste mês, também no Confea.

Participaram da reunião, além do especialista da Univesp, representantes da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Universidade de Uberaba (Uniube), Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), Hoper Educação e Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB).

O GT coordenado por Daniel Salati conta com as participações do conselheiro Gustavo Braz e dos professores especialistas Jean Marcus Ribeiro, presidente da Federação das Associações de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado de Minas Gerais (FAEA-MG), e engenheiro eletricista Wesley Abreu, da Sociedade Educacional de Santa Catarina (Unisociesc).

Bacharelado e outras regulamentações

"Coordenador do GT e coordenador adjunto da Ceap: diálogo em novo momento"

Daniel Salati lembrou aos professores que uma das preocupações reincidentes dos formandos é com a denominação “bacharel em”, que lhes provoca reações veementes. “Ele quer o título e fica uma fera. Ele não sabe nem o que é bacharel. E nós temos que dar o título, muitas vezes diante de denominações de cursos muito próximas”.

Na visão de Regina Tombini, uma das representantes do IESB, seria interessante que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep) participasse deste ponto do diálogo. “Deveríamos construir uma nova versão do catálogo de cursos, em consulta pública, de olho no mercado, sem cursos obsoletos. Isso diminui a evasão. Temos lutado para corrigir essa regulação, que hoje está muito solta com competências que às vezes não coincidem com as estabelecidas pelo Confea”, disse.

Em torno da nova proposta de regulação à EaD, conduzida pelo MEC e lembrada pelo assessor da Comissão de Educação e Atribuição Profissional do Confea, Fábio Merlo, outro representante do IESB, Francisco Botelho, manifestou que seu novo documento, renovado no início do ano, atende às recomendações das instituições de ensino.

"Regina Tombini e Francisco Botelho: mercado e Inep"

“Ele parte do princípio de que a universidade faz o seu projeto pedagógico, garantindo sua autonomia e flexibilizando a criação de polos presenciais. A comunidade está feliz com esse novo documento”, sugeriu, considerando que o MEC já promove uma regulação mínima, segundo as diretrizes curriculares.

“Se isso fica muito em discussão, o curso fica obsoleto, e temos dificuldades em enquadrar o aluno, no que tange às atribuições profissionais”, sugere Daniel Salati. “O que nos preocupa é a parte profissionalizante”. Já Botelho afirmou que o mercado poderia vir a ser o regulamentador, “conforme foi na Europa e o Mercosul pode exigir”.

Ao que Regina Tombini comentou que adequação ao mercado, conforme a orientação do Crea-DF, exigiu a criação de um módulo de certificação, chamado “Módulo Crea”, com 360 horas/aulas, no curso de Tecnologia de Redes. “O aluno estuda apenas para não perder o mercado”.

Casos

"Diretor acadêmico da Univesp, o engenheiro eletricista Waldomiro Loyolla também vem acompanhando de perto as discussões do Sistema junto ao Conselho Nacional de Educação"

Com cursos de engenharia de produção e engenharia de computação, que contam com 18 polos presenciais, a Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp) apresentou sua experiência de uma “universidade pública tirada do papel”.  O diretor acadêmico da instituição, engenheiro eletricista Waldomiro Loyolla, descreveu suas atividades, “síncronas e assíncronas” (simultâneas e intermitentes, respectivamente), que priorizam regiões não atendidas pelo ensino superior no Estado de São Paulo e nos Centros Educacionais Unificados (CEUs), localizados na periferia da capital paulista.

“Tínhamos a grande vantagem de criar o novo”, considerou, após apontar os desafios à construção do ”ensino mediado por tecnologia” na Univesp. “Tivemos o caso do curso de Pedagogia, com evasão de 22%, o melhor índice do país”. A universidade conta, inclusive, com apoio logístico de um canal de TV aberto.

A experiência do curso de Tecnologia em Gestão Ambiental da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) foi apresentada por seu coordenador, o engenheiro agrônomo Jairo Afonso Henkes. Criado em 2008, “o curso buscou oferecer diferenciais para o futuro profissional lidar com o mercado do trabalho. Com 25 anos de engenharia, posso dizer que, em 80% do meu tempo, eu faço gestão. Somos os mais hábeis em fazer gestão”.

"Coordenador do curso de Tecnologia em Gestão Ambiental da Unisul, engenheiro agrônomo Jairo Henkes: dinamização das profissões"

Na expectativa de superar as “desengrenagens” para a regulamentação junto ao Confea e ao CNE e defendendo o conceito de “dinamização das profissões”, Henkes considera que o curso busca reconhecer “as competências” dos alunos, por meio de uma carga horária de 2.550 horas em seis semestres, em modalidade 100% a distância – à exceção de seminários e outras atividades síncronas e assíncronas. “A EaD veio para ficar. Somos avaliados pelo MEC, de acordo com a nova base legal, como a universidade comunitária com conceito 4 no Enade”.

"Reunião do GT terá continuidade ainda este mês"

Após reconhecer que o título de tecnólogo em gestão ambiental ainda traz dificuldade junto à Ceap, da qual é coordenador adjunto, Daniel Salati lembrou aos participantes da reunião que será apresentado um relatório pela Comissão, destacando que “a regulamentação das avaliações”, conduzidas pelo Confea, ganhará bastante com as contribuições do Grupo de Trabalho. O conselheiro também convidou as universidades a participarem do Congresso Técnico Científico (Contecc), a ser realizado na 72ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (Soea), em setembro.

Henrique Nunes
Equipe de Comunicação do Confea