São Paulo (SP), 13 de novembro de 2014.

Ao abordar a equidade de gênero no contexto da engenharia agrícola, a Dra. Daniella Jorge traçou uma linha histórica da participação da mulher desde a origem da agricultura e da engenharia, passando por dados conceituais sobre a engenharia agrícola, pelo surgimento dos primeiros cursos de engenharia, pelas áreas da engenharia agrícola e sua evolução, até a presença da mulher nessa área e no agronegócio.
Professora do pós-doutorado da Unicamp, Daniella Jorge sustenta que desde os primórdios da agricultura a mulher teve sua importância no desenvolvimento da atividade, com importância crescente e indiscutível quando se observa atualmente a sua relevância em altos cargos no agronegócio. Ela destaca que, apesar de a engenharia ainda ser uma disciplina essencialmente masculina, a mulher foi ganhando espaço com o tempo e que o futuro da engenharia agrícola, voltado a questões biológicas e de biossistemas, tem trazido mais mulheres para o curso e consequentemente para o mercado.
Ao concluir sua palestra, apresentou uma lista de mulheres que tiveram grande destaque na atividade, entre elas a professora Ila Maria Correia, única mulher a se formar na primeira turma de engenharia agrícola no Brasil, em 1977, no curso criado pela Universidade Federal de Pelotas em 27 de outubro de 1972 e reconhecido pelo Ministério da Educação e da Cultura em 2 de fevereiro de 1978. Ila Maria Correia é doutora em engenharia agrícola e diretora do Centro de Engenharia Agrícola e Automação do Instituto Agronômico de Campinas (IAC).

A engenheira civil Lia Sá apresentou alternativas de contribuição da mulher da área tecnológica para um mundo sustentável, a partir da correta utilização dos elementos essenciais à sobrevivência do ser humano: água, energia, alimento e ar (puro). Sua explanação prendeu o público durante uma hora, enquanto a especialista estimulou a produção e o consumo com sensibilidade, reafirmou conceitos de reciclagem, apresentou referências femininas da área tecnológica, suas práticas e recomendações e ainda exibiu índices que comprovam dificuldades à equidade de gênero para as mulheres que atuam na área tecnológica no Brasil, conforme se pode conferir nos quadros de nº 47, 48, 49 e 50 da apresentação.
O Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) historicamente confere atenção às práticas de equidade de gênero, tanto que é de 50% a participação de empregados do sexo masculino e 50% do feminino, em seu quadro de pessoal. Atualmente, busca a obtenção do selo de Equidade de Gênero concedido pelo Programa Pró-equidade de Gênero e Raça, da Secretaria de Políticas para as Mulheres do Governo Federal e cumpre a agenda exigida para essa certificação. Uma das ações previstas no plano de trabalho do GT Equidade de Gênero do Confea, proferir palestra em evento internacional sobre equidade de gênero, foi cumprida durante essa edição da XVI Fimai. Lia Sá ressaltou em sua palestra o agradecimento do GT ao coordenador do Colégio de Entidades Nacionais (Cden) do Confea, Gumercindo Silva, pela inclusão do tema na grade de programação do Auditório Confea na Fimai. “Foi a única palestra sobre equidade de gênero nesse grande evento, que reune público de cerca de 18 mil pessoas”, observou.
Energia da biomassa e reconversão de CO₂
O engenheiro químico Hely Andrade, membro da Associação Brasileira de Engenharia Química (Abeq), também atraiu o público para a sua palestra “Energia primária da biomassa e reconversão do CO₂ em Energia: sustentabilidade da eficiência energética na indústria”. Seu trabalho apresentou tecnologia inovadora “SEE CO₂ ENERGY”, para geração de energia por meio da gaseificação completa das matérias combustíveis contendo carbono.

Essa tecnologia foi apresentada por Hely Andrade no Congresso Internacional de Bioenergia e foi especialmente detalhada ao público do Auditório Confea em todas as suas fases: processo de gaseificação, subsistemas associados, resultados da gaseificação, além de resultados econômicos e ambientais. O processo SEE CO₂Energy opera com resíduos urbanos, industriais e hospitalares; biomassas, como bagaço de cana, madeira etc.; lodos industriais e de estações de tratamento e, também, pneus, resíduos de refinarias e de petróleo.
Engenheiros e agrônomos expositores, visitantes e convidados participaram do debate sobre a tecnologia inovadora descrita por Hely Andrade, com diversos elogios ao conteúdo de sua apresentação e houve quem defendesse que a palestra deveria ser estendida. Em seguida, a Keppe Motor apresentou pela segunda vez ao público, como previsto, as suas aplicações industriais. Das 18h30 às 20h, com o tema “Emissões fugitivas de compostos orgânicos”, a apresentação da consultora Laura Bertolini, da E-Consultoria Ambiental, parceira do núcleo Estudos e Avaliações Atmosféricas (Esaat), encerrou as atividades do Auditório Confea.
Palestra Energia da biomassa e reconversão de CO₂
O coordenador da programação, Gumercindo Silva, confirma que o conteúdo integral das 26 palestras – nove delas internacionais – proferidas no Auditório Confea será disponibilizado nos sites do Conselho Federal e da XVI Fimai na próxima semana.
Equipes de Comunicação do Confea e Fimai/Simai
