6º CNP aprova a Carta de Brasília

Brasília, 29 de outubro de 2007

"Mesa coordenadora encerra 6º CNP"
Sob aplausos e depois de submeter à aprovação da Carta de Brasília a cada um dos fóruns que compõem o Sistema Confea/Crea, o presidente do Confea, Marcos Túlio de Melo, encerrou na tarde do sábado, 27, a segunda etapa do 6º CNP (Congresso Nacional dos Profissionais).

Realizada em Brasília, a etapa reuniu cerca de 300 delegados vindos de todo o país. Durante três dias, eles analisaram propostas que, aprovadas, se transformaram em 48 decisões e também 17 moções pertinentes.

No encerramento, Túlio de Melo, agradeceu “a persistência no debate e a contribuição de todos ao Congresso” que finalizou um ciclo iniciado nos encontros 270 encontros regionais, e continuado nos 27 estaduais e nas duas etapas nacionais: no Rio de Janeiro, em agosto, e na Capital Federal.

“Contamos com contribuições efetivas formulamos num novo pacto entre os profissionais e com a sociedade e temos o compromisso de implementar o que foi decidido”, afirmou Túlio de Melo.

Para Argemiro Mendonça, eng. civ  e coordenador de todo o processo relacionado à formulação do pacto profissional e social, “foi dado um passo significativo na medida em que o pacto, um dos principais objetivos do nosso trabalho, foi debatido e assinado por todos. O compromisso de que prevaleça a democracia  encaminhando as decisões tomadas pela maioria é uma das marcas desta edição do CNP”.

Balanço positivo

"Participantes lotam Academia de Tênis"
“Positivíssimo”, foi como Afonso Lins Jr., 1º relator da mesa dos trabalhos, considerou as decisões tomadas durante o 6º CNP: “as melhores para o momento e elogiou “fazer as discussões em duas etapas, permitindo que as propostas sejam mais e melhor analisadas”.

Além de considerar o congresso bastante proveitoso, o professor de Legislação e Ética, além de consultor da área de Educação Superior, do MEC, Paulo Roberto da Silva, chamou a atenção para “o avanço” que, segundo ele, representa a aprovação e a implementação da Resolução 1.010. “O Confea está na vanguarda. A 1.010 incorporou todos os princípios da formação científica e tecnológica, previstos na LDB, Lei 9394. O Sistema se adiantou mesmo a muitas universidades na percepção de que graduação é a formação inicial, o que corresponde a atribuições iniciais”. Para o professor, essa decisão “gera aperfeiçoamento que é um dos princípios basilares da educação superior”. Parceiro reconhecido pelo MEC, o Confea, segundo Paulo Roberto, “já implantou o que hoje apenas 20 universidades brasileiras começam a discutir”.

Avanço e conservadorismo

"Participantes aprovam Carta de Brasília"

Jaques Sherique, eng. mec. e membro da comissão organizadora do evento em nível nacional e que integrou a mesa dos trabalhos, considerou o Congresso bem organizado e produtivo, porém tímido nas propostas de mudanças significativas para o Sistema. “Nosso conjunto de delegados não ousou apoiar propostas inovadoras como a questão do exame de proficiência”, lembra.

Mas Sherique apontou avanços como a aprovação de eleição direta também para os conselheiros federais, como acontece para as presidências dos Creas e do Confea. Eles continuarão sendo indicados pelas entidades nacionais mas votados pelos profissionais”, explicou, antes de registrar que adotar o mesmo critério para a escolha dos diretores da Mútua, Caixa de Assistência, deve ser destacado porque abre para a participação de todos.

O eng. mec. e também de seg. do trab. Francisco Machado, 2º secretário da mesa diretora, acredita que as decisões tomadas refletem “o envolvimento dos profissionais” . Ele chamou a atenção para decisões como as que trataram da fiscalização de profissionais das agências reguladoras nacionais, da implementação definitiva da prestação de serviços através da Engenharia, Arquitetura e Agronomia públicas, completando o próprio Estatuto da Cidade, e da que defende que o Confea tenha direito a voz e voto no Conselho Nacional de Educação, do MEC.

Machado, que também responde pela coordenadoria do Cden (Colégio de Entidades Nacionais), considera positiva, ainda, a decisão de criar nas empresas a “residência profissional”, espécie de estágio a que os diplomados teriam direito”. O que, para o 2º secretário, “é fundamental para o aperfeiçoamento da qualidade de seus serviços”.

Presente desde o primeiro momento, o presidente da Mútua, Caixa de Assistência, Anjelo da Costa Neto, que respondeu pela 2ª relatoria, disse que o 6º CNP foi bom do ponto de vista da organização e participação. “Porém, deixou a sensação de que ainda somos bastante conservadores no que se refere a mudanças necessárias ao Sistema, como, por exemplo, com relação a educação à distância, que é uma realidade à qual os profissionais ainda resistem”, diz. 

Para o geólogo Nivaldo Bósio, outro dos nove integrantes da comissão organizadora nacional, o Congresso foi “bom em função das diversificadas teses”, embora ele defenda “maior envolvimento por parte de todos na análise das propostas e tomadas de decisão”. Bósio acha o Sistema “conservador” ao não aceitar determinadas alterações que já acontecem na prática”.

VEJA A ÍNTEGRA DA CARTA DE BRASÍLIA

Maria Helena de Carvalho
Equipe CGO/Confea