Brasil produz primeiro caça supersônico por transferência tecnológica

Brasília, 25 de março de 2026.

A Defesa e Engenharia brasileiras marcaram um grande momento na manhã desta quarta-feira (25/3) com a apresentação do primeiro caça F-39E Gripen produzido no país. Fruto de uma parceria entre a empresa sueca Saab e a Embraer, a aeronave militar foi apresentada ao público no Aeródromo Embraer Unidade Gavião Peixoto, em São Paulo. Das 36 aeronaves supersônicas adquiridas em 2014, com investimentos de R$ 20 bilhões e a previsão de transferência tecnológica, outras 14 serão produzidas nas instalações da Embraer, consolidando a qualidade dos profissionais brasileiros envolvidos com a iniciativa. Cerca de 300 engenheiros, pilotos e técnicos participaram de treinamentos na Suécia nos últimos anos. Os Gripen começaram a ser incorporados à Força Aérea Brasileira no final de 2022.
 

Caça F-39 E Gripen, de origem sueca, passa a ser produzido no país, garantindo o aperfeiçoamento de engenheiros brasileiros
Caça F-39 E Gripen, de origem sueca, passa a ser produzido no país, garantindo o aperfeiçoamento de engenheiros brasileiros e a soberania nacional                   Foto: Ricardo Stuckert/PR


A produção nacional dos Gripen foi prestigiada pelas presenças do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin e de outras autoridades. “A indústria de defesa é um seguro para a soberania nacional, além de vanguarda do desenvolvimento industrial”, comentou o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços à Agência Brasil. Para o ministro da Defesa, José Múcio, o acesso às tecnologias de ponta impacta a indústria nacional positivamente. Ele afirmou que “ao investir em defesa, nossa indústria registra um marco de amadurecimento e competência, permitindo ao Brasil se posicionar como o maior polo produtor da América Latina, ampliando a capacidade de garantir a soberania nacional e a segurança regional”. O comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do Ar Marcelo Damasceno, considerou que o país já dispõe de uma base industrial e tecnológica sólida, capital humano altamente qualificado e, “principalmente, visionária capacidade de empreende e inovar, típica do DNA brasileiro”.

Para o engenheiro aeronáutico Maurício Pazini Brandão, conselheiro do Crea-SP e professor de engenharia aeronáutica do Instituto Tecnológico de Aeronáutica, “a integração do caça supersônico à Defesa nacional com capacidade de voar duas vezes a velocidade do som (Mach 2 – até 2400 km/h) é algo a se comemorar”. Para ele, em entrevista ao SBT News, “estamos tendo contato com as tecnologias de ponta. Para a Embraer e para as empresas associadas, isso representa um salto tecnológico enorme. Esses conhecimentos passam para a aviação civil”. Já com outras experiências relacionadas ao Sistema Confea/Crea, Pazini falou ainda da importância da Embraer para a autonomia aeronáutica do país. “Na área militar, os conhecimentos são internacionais e compartilhados por acordos. Essa parceria com a Suécia é mais um caso de sucesso da capacidade da engenharia brasileira”, resumiu.
 

Henrique Nunes
Equipe de Comunicação do Confea
Com informações da Agência Brasil e do SBT News