Brasília, 7 de dezembro de 2011
Os aplicativos da Resolução 1010, de 2005, e as adequações da Matriz do Conhecimento são os principais temas da pauta das coordenadorias das Câmaras Especializadas de Engenharia Elétrica e de Química, reunidas extraordinariamente, em Brasília esta semana. Já os coordenadores de Agronomia, também na Capital Federal, voltam suas atenções para a finalização de uma agenda de sustentabilidade na área, tratam do conflito com os técnicos agrícolas sobre o receituário agronômico, e promovem encontros de aproximação com o Crea-Jr e junto a entidades de representação profissional.
Ao falar sobre os aplicativos da Resolução 1010 como o do cadastramento das Instituições de Ensino Superior, Cristina Abreu, coordenadora das Câmaras de Elétrica, diz que será feita uma avaliação das dificuldades de preenchimento, já que é grande o volume de informações solicitadas. Ela chama a atenção para as adequações necessárias da Matriz do Conhecimento.
“Estamos estudando o Anexo II da Resolução para dar atribuições e competências em função das disciplinas. Da forma como esta hoje, as disciplinas estão locadas por suas especialidades, e existe uma transdisciplinariedade. Quer dizer, eu posso solicitar uma disciplina ou ter cursado uma de outra modalidade, e algumas Câmaras não estão satisfeitas com essa flexibilidade ou da forma como ela está acontecendo. Em alguns casos vamos ampliar a flexibilidade outras em restringir”.
Cristina esclarece que as críticas giram em torno do fato de que alguns profissionais não estão necessariamente habilitados para executar atividades.
“A 1010 não considera carga horária e isso para nós é importante, então o que acontece é que um profissional tem informação, sabe o que é, mas não está preparado para executar esta ou aquela atividade. Por mais que eu tenha noções de estudo topográficos, não tenho condições de elaborar um estudo de topografia. Você tem uma informação em projetos elétricos mas não está qualificado para montar um projeto, sobretudo se envolve determinado suporte de cargas, por exemplo”.
Para Cristina, são esses limites que precisam ser discutidos. “O sombreamento nunca vai acabar. As engenharias têm um núcleo comum. Todos nós temos disciplinas que fazem parte do tronco. Antigamente tínhamos o engenheiro politécnico que a partir do 9º semestre recebia uma habilitação em área específica, mas hoje não é isso o que acontece. Temos cursos de graduação cada vez mais específicos que vão se afastando muito desse eixo”.
Consenso
A coordenadora exemplifica afirmando que “o perigo de não termos aprovado a 1010, pelo menos na elétrica, é porque a área eletrônica é fragmentada em vários cursos que não têm as mesmas atribuições, e da forma como está damos a mesma atribuição para profissionais com formações diferentes. Então hoje, a gente dá o artigo 9º da Resolução 218, com poucas variações, a todas as habilitações da eletrônica, e que são várias para pesosas não têm a mesma formação. Também temos que corrigir o desvio da mecatrônica que tem o estudo mas não o seu reconhecimento”
Cristina acredita que “a priori 1010 deve ajudar”. O que considera difícil é “reunir interesses das diversas modalidades”, mas ela acredita que “ vai demorar, mas chegaremos ao consenso”.
As adequações em função da quantidade e diversidade de modalidades também alcança a Câmara de Química, segundo Maurício Rigo, coordenador nacional.
Para ele, “por ora está nebuloso”, mas explica que “são cinco modalidades e na Câmara não temos todos os especialistas, faltam nuclear, de materiais e têxtil. Nosso forte são Alimentos e Química, mas vamos terminar de revisar para todas as modalidades”. Ele admite que “ pode ficar faltando alguma coisa, mas que pode ser corrigida posteriormente em função da versatilidade da 1010”.
Reunidos desde a última segunda-feira, os coordenadores de Química fazem um balanço positivo do encontro que para Rigo foi “produtivo e uma oportunidade de alterarmos a matriz da nossa área. Fizemos simulações e mudanças para deixá-la mais enxuta”.
Sobre o software para o cadastramento das Instituições de Ensino, o coordenador acredita que “precisa ser melhorado para depois ser disponibilizado para os coordenadores de curso”.
Maria Helena de Carvalho
Assessoria de Comunicação Social
