Brasília, 23 de novembro de 2016.
O depoimento do presidente do Confea, José Tadeu da Silva, no encerramento da 3ª Reunião do GT Matriz Energética para o Futuro, nesta terça (22), ratificou a posição manifestada, pouco antes, pela ex-vice-presidente do Confea, e especialista integrante do GT, Ana Constantina Sarmento. Para ela, o GT objetiva entregar para o Sistema informações para os profissionais e futuros profissionais decidirem seu futuro. “O Conselho não pode fazer tudo sozinho. O material que vocês estão nos trazendo deverá servir para a Frente Parlamentar instalada hoje”.
Sistema e cenários
Na ocasião, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apresentou as diversas matrizes energéticas presentes hoje no país, além das expectativas relacionadas à Nota Técnica 13/14, segundo documento de uma série de cinco, que compõem os Estudos do Plano Nacional de Energia 2050, lançado em 2014. O diretor de Estudos de Energia Elétrica, Amílcar Guerreiro, lembrou que, em 2007, havia sido lançado o PNE 2030.
“Foi o primeiro estudo lançado pelo governo com visão de longo prazo e com visão de planejamento integrado de energia, algo decisivo para medidas como a retomada de Angra 3, o reforço e priorização da hidroeletricidade na expansão da oferta de eletricidade, a indicação do gás natural como complementação da matriz de geração, a consolidação do etanol na matriz de combustíveis, bem como para indicar o elevado potencial de produção de petróleo e gás natural pelo país, o que acabou se concretizando com antecipação”.
Já o PNE 2050, segundo ele, surge como uma resposta a eventos posteriores a 2006, como a crescente dificuldade de aproveitamento hidroelétrico na matriz nacional, o forte ganho de competitividade obtido pela energia eólica no Brasil, o surgimento da oferta de petróleo e gás natural do pré-sal, o evento de Fukushima e seu impacto no setor nuclear, a transformação da indústria de gás natural devido à oferta de gás não convencional nos EUA, o prolongamento da crise econômica mundial de 2008, a crescente preocupação com as mudanças climáticas, entre outros. “O novo horizonte, de cerca de 40 anos à frente, tem como intuito antecipar inovações e eventos de maneira a produzir mudanças significativas na sociedade e no seu relacionamento com a energia”.
Segundo o presidente da Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa (Abragel), Leonardo Sant’anna, a EPE faz esse panorama de 50 anos e outros de prazos menores, inclusive em parceria com o Operador Nacional do Sistema (ONS), de cinco anos, estudos atualizados regularmente. “Por termos uma base hidrelétrica muito desenvolvida, temos potencial para continuar a atender a grandes demandas de energia, característica fundamental para atender ao planejamento em curto prazo. Assim, nossa matriz renovável é invejável, em relação a outros países do mundo”, destacou.
Posição ratificada pelo coordenador do GT, conselheiro federal eng. eletric. Marcus Vinicius Mourão. “O GT foi constituído em vista da preocupação com o atual cenário do setor energético brasileiro e com vistas ao futuro, como incorporarmos esta situação ao nosso Sistema para orientar às instituições de ensino e aos profissionais. E ver que contribuição o Sistema da Engenharia pode dar para o incremento dessas inovações. Estamos procurando conhecer as visões dos agentes do setor para produzir um documento que sintetize essas posições e expectativas”.
Abragel
Leonardo enfatizou a importância de uma atenção maior do governo para as Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs). “Elas têm tecnologia 100 por cento nacional, apoiando a economia de forma plena, e uma vida útil de 105 anos e custo de R$ 260/MWh, mais baixo do que os da biomassa e solar, mas acima da eólica (R$ 220/MWh)”.
Segundo ele, hoje o cenário é de problemas climáticos e de preocupação com a geração de energia limpa. “Temos o seguinte quadro: avanço das eólicas, descentralização da produção, consumidores conscientes, soluções de baixo impacto, maior eficiência da cadeia, tecnologias de armazenamento e transporte e atualização das políticas públicas. O governo tem entendido o nosso papel como fonte renovável e para complementar essa geração”.
Energia solar
Segundo ele, o mercado atual ainda é irrisório com 70 MW instalado. “Temos hoje 6020 conexões, um crescimento vertiginoso, mas muito pouco com relação aos 70 milhões em potencial no país. Somos o sexto país com regulação e investimentos em termos de atratividade. Lidamos com todas as fontes, principalmente as renováveis. Somos um país privilegiado, e temos que aproveitar todas as oportunidades, focando principalmente em energias limpas e renováveis. A energia fotovoltaica solar é um dos setores que mais gera empregos no mundo”.
Experiências fotovoltaicas em usinas, shoppings, estacionamentos, iluminação pública, estádios, aeroportos, miniusinas, galpões, agrobusiness e outras, em pequenas cidades como Tauá (CE) ou no Rio de Janeiro, em empresas como a Petrobras ou em órgãos públicos como a Universidade de São Paulo, foram apresentadas. “Há previsão de leilões para 1 milhão e 299 mil conexões até 2024, segundo a EPE. Mas ainda não temos capacidade para isso. No ritmo atual, não vamos chegar nem perto desse número. A geração distribuída é o sonho de todos no mundo. Por isso, é importante mexer na legislação”.
Henrique Nunes
Equipe de Comunicação do Confea
