Brasília, 5 de dezembro de 2013.
A contribuição da engenharia para o crescimento do país, a permanência de uma grande demanda por profissionais, registrada nos últimos 10 anos, e ainda a importância de iniciativas em prol do equilíbrio de sua melhor distribuição entre as diversas regiões e o papel das universidades e das empresas para a renovação do mercado da Engenharia no país foram alguns dos tópicos abordados pelo programa, mediado pelo apresentador João Cláudio Garcia. Outros pesquisadores e empresários do setor foram ouvidos pelo programa, que deverá ir ao ar no próximo dia 18 de dezembro, com reprises durante uma semana, no canal NBR. Entre eles, ficou claro que só se pode falar, ainda, em escassez de engenheiros em termos de qualidade, não de quantidade. “Há poucos profissionais em meio de carreira”, levantou uma das pesquisadoras ouvidas. Programas como o Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), do governo federal, também foram lembrados pelos participantes do programa.
Incremento e esforço pela qualidade
“Há diferentes aspectos quando falamos em qualidade”, ponderou o pesquisador do Ipea. A demanda paulatina pela Engenharia, em alguns setores, em meados dos anos 2000, pode ter sido um dos fatores para este cenário, “exigindo esforços para a qualificação de novos engenheiros que chegam ao mercado”. Paulo Meyer fala em um “êxodo de duas décadas” para definir a ausência de políticas públicas que proporcionassem a renovação dos profissionais do país. “Quer dizer, a formação na década de 90 foi baixa, o que levou a que hoje tenhamos mais profissionais em idade avançada”, interveio o apresentador do programa, João Cláudio Garcia. Ao que o conselheiro José Geraldo Baracuhy, citando dados como o incremento do número de profissionais registrados no Sistema Confea/Crea e Mútua e ainda o aumento de 98% do número de vagas nas universidades de Engenharia, argumentou que, de fato, nos últimos 10 anos, “após um período de estagnação até 2000”, a Engenharia experimentou “um incremento muito grande”.
Outro esforço importante para o melhor equilíbrio na distribuição de profissionais de engenharia vem sendo promovido pelos setores industrial e empresarial. A inserção de profissionais recém-formados no mercado vem sendo acompanhada por treinamentos e imersões tecnológicas, em um processo de aproximação com a realidade dos diversos segmentos tecnológicos, especialmente no âmbito privado. “Historicamente, trabalhamos na lógica da oferta. Hoje, com a inovação, essa cultura tem se alterado, e o profissional tem que ter outras atribuições, componentes essenciais como a responsabilidade social, a ética e a língua estrangeira”, comentou o conselheiro do Confea. “A formação não termina no curso Superior. Os profissionais não chegam prontos para as empresas, que têm resistência para investir nisso. O Sistema S poderia expandir mais. Esse tipo de iniciativa ganha mais relevância e acredito que a formação deveria ser mais generalista para o profissional fluir em vários campos”, sugeriu Paulo Meyer.
Sem apagão e com salários justos e legislações atualizadas
Ao final do programa, o pesquisador do Ipea, Paulo Meyer, foi enfático. “Não há escassez generalizada, apagão, mas pode haver problemas localizados”. Entre eles, estariam a engenharia naval, engenharia petrolífera e o setor ainda aquecido da construção civil. “Foram registrados 600 novos cursos em 10 anos. Além destas áreas, ainda encontramos limitações na agrimensura. Mas tenho certeza que a adequação que o próprio Sistema vem fazendo, estimulando que o profissional tenha a extensão de atribuição, mantendo sua área, contribuirá para supri-las. Mas é importante lembrar que a inovação cresce rápido e tem cursos que não existiam há alguns anos”, aponta Baracuhy.
Quanto à regionalização das possíveis defasagens, Paulo Meyer afirma que se trata de um problema em qualquer carreira. “Quando os investimentos surgem, há um estrangulamento naquela região. Agora, o problema é a própria capacidade das prefeituras tocarem as obras”. Ponto que para Baracuhy envolve também o reconhecimento da valorização profissional. “Os salários pagos pelas prefeituras estão aquém do salário mínimo profissional. E também não há ofertas sem projetos qualificados”. O engenheiro agrônomo e conselheiro do Confea considera ainda outro gargalo que vem sendo bastante discutido pelo Sistema atualmente: sua legislação. Para ele, toda a flexibilização das atividades precisa acompanhar a modernização do balizamento jurídico. “O processo de sua atualização é muito lento”, lamentou. Ao final do debate, o engenheiro agrônomo e conselheiro federal convidou o pesquisador do Ipea a participar de uma audiência em uma plenária do Conselho, no próximo ano.
Henrique Nunes
Equipe de Comunicação do Confea
