Confea na Rio+20: Bancos afirmam importância do desenvolvimento sustentável

Rio de Janeiro, 13 de junho de 2012.



A participação dos bancos no processo de construção de uma economia em dia com o desenvolvimento sustentável foi um dos temas do ciclo de debates *Brasil sustentável – o caminho para todos*. Sob o tema “Riscos e oportunidades no financiamento da transição para uma Nova Economia ambientalmente sustentável e socialmente inclusiva”, o presidente da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Murilo Portugal, participou de uma mesa ao lado do pesquisador do Centro de Estudos da Fundação Getúlio Vargas, Mário Manzoni e que teve como debatedores o professor do Departamento de Economia do Georgia Institute Technology, Emilson Caputo Silva, e ainda o diretor da Oscip Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, Roberto Smeraldi. O debate ocorreu na tarde desta quarta-feira (13/6), no auditório Tom Jobim, no Jardim Botânico, dentro da programação da conferência Rio + 20.

"A participação dos bancos e as conquistas brasileiras para o desenvolvimento sustentável foram abordadas pelo presidente da Febraban"

 

O presidente da Febraban iniciou sua explanação dizendo que o mundo está enfrentando dilemas complexos, dos quais um dos mais importantes é o do desenvolvimento sustentável. Para ele, a cada dia aumentam os desafios para a preservação do meio ambiente, bem como sua conciliação com o incremento das economias, de acordo com o conceito de “desenvolvimento sustentável”. O PIB do mundo cresceu, segundo Murilo Portugal, 75% desde a Eco-92. Neste mesmo período, a mortalidade infantil caiu em um terço. “O Brasil também experimentou um crescimento de 81%, nossa taxa de pobreza foi reduzida, incorporamos 40 milhões de pessoas na classe C. Mesmo assim, nosso país se tornou uma referência em meio ambiente, mostrando que é possível conciliar”. Posição reforçada ao final do seu depoimento, em torno da participação do setor privado. “Na Rio 92, o setor privado estava praticamente ausente das discussões. Hoje, há visivelmente um compromisso do setor empresarial com a sustentabilidade. Um desafio para todos nós”.

 

O representante dos bancos citou que o Brasil tem um plano “ambicioso, mas exequível”, apoiado por um programa de metas, com o objetivo de reduzir os gases de efeito estufa. “Temos uma posição de liderança como uma economia de baixo carbono. Nossa matriz energética é uma das mais limpas do mundo, a mais baixa dos países do Brics. Temos pesquisas de excelente qualidade. Para manter isso, o nosso governo se comprometeu a uma redução adicional das emissões. A Febraban considera que esta conferência no Rio é uma extraordinária oportunidade de continuarmos a equilibrar o desenvolvimento sustentável. O setor privado deve ter uma participação chave, os bancos estão conscientes da sua responsabilidade para que prossigamos nosso desenvolvimento econômico com atenção ao meio ambiente e ao social. As transações bancárias aumentaram para 67 bilhões no ano passado, estamos em um processo de bancalização”.

 

Compromissos e práticas 

Murilo Portugal acentua que, paralelo aos lucros do setor, vêm sendo incrementados princípios éticos em que o setor bancário vem assumindo compromissos voluntários em relação a sustentabilidade, como a adesão aos Objetivos do Milênio e a vários índices de sustentabilidade, como o Carbono Eficiente. “A Febraban apoia as iniciativas do governo em prol do desenvolvimento sustentável, como a adesão ao Protocolo Verde. Nossos princípios são: oferecer linhas de financiamento que fomentem a qualidade de vida da população e o meio ambiente; considerar os impactos dos meio ambiente nas anáilses de risco; promover o consumo consciente nos processos internos dos bancos; informar e sensibilizar todas as partes interessadas nas políticas e nas práticas de sustentabilidade e promover a integração de esforços entre as várias organizações que assinaram o Protocolo Verde”.

 

Entre as práticas do setor, está o uso do mecanismo chamado “DDA”, que prromove a substituição eletrônica dos boletos, e que representa uma economia de um bilhão de litros de água, entre outros referenciais. Outro exemplo dado pelo presidente da Federação Brasileira dos Bancos é a compensação de cheques por imagem digitalizada, trazendo uma economia de 37 milhões de quilômetros que deixam de ser percorridos, com uma redução das emissões de carbono na ordem de 15 mil toneladas anuais. Projetos de inclusão social, buscando evitar qualquer tipo de discriminação, programas específicos para promover a igualdade de trabalho, “empregando 10 mil pessoas com deficiência física”, um parque de projetos eletrônicos adaptado ao uso de pessoas com deficiência, além de esforços para reduzir a exclusão social e financeira, proporcionando oportunidades de criação de emprego e de renda, estão entre as iniciativas apresentadas pelo setor.

 

Expectativas

Há boas expectativas para o país e para o setor de bancos, nesse processo. “Temos condições de produzir a economia verde. Há necessidade de ampliar a taxa de crescimento da nossa economia. Vamos ampliar iniciativas que apoiem o crescimento do meio ambiente. Várias oportunidades surgiram para desenvolver a Economia Verde, como o uso consciente de energia, onde somos líderes no mundo com geração hídrica de 75% da nossa energia, além da capacidade instalada de energia eólica. Há um espaço grande para novos empreendimentos na área. O BNDES financia estes investimentos na energia eólica, é importante criar mecanismos para o crédito privado nestes empreendimentos”, declarou, destacando ainda o bom desempenho de setores como o da construção civil e da área agrícola do país, dentro da linha de pensamento por que governo e instituições privadas têm se pautado para estimular o desenvolvimento sustentável, como no aproveitamento equilibrado dos resíduos sólidos e na formação dos créditos de carbono. “As ações governamentais são essenciais, e os setores privados devem preservar o equilíbrio entre os resultados econômicos financeiros e os resultados sociais e ambientais. O Brasil pode continuar exercendo uma influência significativa neste processo, e os bancos serão parceiros neste esforço”.



Henrique Nunes
Assessoria de Comunicação e Marketing do Confea