Confea participa da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas

Bali, 6 de dezembro de 2007

Começou na segunda-feira (3) a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, em Bali, na Indonésia. O eng. civil Odair Santos Júnior, integrante do GT de Meio Ambiente do Confea, participa do evento como integrante da Delegação do Brasil.

O Protocolo de Quioto foi um dos temas em pauta. Na oportunidade, a Delegação da Austrália ratificou sua participação no Protocolo. "Os Estados Unidos, que se retiraram do Protocolo, estão cada vez mais isolados no Planeta Terra", defende Odair Santos. O Protocolo de Quioto caracteriza a importância da Agenda 21, que tem um capítulo totalmente dedicado à proteção da atmosfera.

Mudanças climáticas e a Amazônia
Na manhã de hoje, 6 de dezembro, o WWF divulgou, durante a Conferência, o relatório Os ciclos viciosos da Amazônia: estiagem e queimada na floresta estufa. Consta no documento que o ciclo vicioso combinado de mudanças climáticas e desmatamento pode acabar com a floresta Amazônica ou, pelo menos, prejudicar gravemente cerca de 60% de sua vegetação até 2030.

O autor do relatório, Dr. Dan Nepstad, cientista sênior do Woods Hole Research Centre in Massachussets, afirma que a importância da Amazônia para o clima global não pode ser subestimada. "A Amazônia é essencial não apenas para esfriar a temperatura do planeta, mas também por ser uma grande fonte de água doce que pode ser suficiente para influenciar algumas das grandes correntes marítimas, além de ser uma grande fonte de armazenamento de carbono", defende.

De acordo com o WWF, atualmente todo o carbono da conversão da floresta em pastagens e lavouras na Amazônia está sendo varrido para a atmosfera a uma taxa de 0,2 a 0,3 bilhões de toneladas de CO² por ano. O diretor do Programa Global de Mudanças Climáticas da Rede WWF, Dr. Hans Verolme, afirma que no próximo período de compromissos, o Protocolo de Quioto tem de incluir metas de reduções de emissões oriundas do desmatamento. "Uma falha ao proteger a Amazônia pode ser um desastre não apenas para quem mora na região, mas para a estabilidade do clima em todo o planeta", completa.

"Imaginemos como ficaria o relatório se a ele fossem incorporados dados a respeito da devastação do Cerrado e, também, a degradação das terras antes alagadas do Pantanal mato-grossense - região que, além do Brasil, alcança mais dois países da América do Sul", lembra Odair Santos.

Beatriz Leal
Equipe de Comunicação do Confea
*com colaboração do eng. civ. Odair Santos Júnior