Brasília, 25 de abril de 2009
A comemoração dos 75 anos do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia da Bahia (Crea-BA), na noite de 23 de abril, no Bahia Othon Palace, foi marcada pelo papel social do Sistema Confea/Crea para o desenvolvimento do país. Outro ponto abordado foi a contribuição das categorias profissionais para um projeto de nação, sobretudo no enfrentamento da atual crise econômica mundial.
Na abertura da solenidade, o presidente,eng. agr. Jonas Dantas, destacou que o Crea chega há sete décadas e meia somando ações importantes para a agenda da sociedade. “Essas ações refletem o empenho e a dedicação de funcionários, diretores, conselheiros, entidades e profissionais que construíram a história do Conselho. Nesse processo reafirmo a importância de gestores como Jair Gomes, José Hamilton, Marco Amigo e Affonso Baqueiro Rios, este que foi um guru na concepção mais rica da palavra para o nosso Crea”.
Ao sustentar o papel social do Crea na defesa dos interesses sociais, Dantas chamou a atenção dos presentes para estarem engajados no projeto de assistência pública de inclusão. “A aprovação da lei 11.888 é a chance que temos de reduzir o passivo social enfrentado pela nossa população. Precisamos defender e implantar projetos que visem o direito de ir e vir do cidadão. Dessa forma construiremos um caminho de respeito, riqueza e humanismo para o nosso país”.
Em seu discurso, o governador em exercício do Estado da Bahia, Edmundo Pereira, relembrou que desde a adolescência sabia da importância do Crea para o Estado. Como prefeito do município de Brumado, por três vezes, também pontuou as ações desempenhadas pelo regional. “O Crea tem um papel importante na vida de todos que estão aqui, porque todos ajudaram a construir a história dos 75 anos”.
O presidente do Confea, engenheiro Marco Túlio de Melo, retornou ao ano de criação do Sistema Confea/Crea, em 1933, onde se discutia a proposta de o Brasil sair de um modelo agrário para começar a construir uma estrutura de desenvolvimento. Nesse processo, de acordo com Marcos Túlio, a regulamentação das profissões da área tecnológica teve o apoio fundamental dos Creas e das entidades de classe. Hoje, todas as categorias somam mais de 900 mil profissionais em todo o país. “Temos que continuar fortalecendo as nossas categorias com o desafio de discutir o desenvolvimento científico e tecnológico. Dessa forma, desejamos um futuro brilhante ao Crea-BA, as entidades e os profissionais que o compõe”.
Ao reforçar a parceria do Crea com a Caixa Econômica Federal, o gerente regional do banco, Luis Antônio de Souza, aproveitou para falar do plano de habitação do governo, que pretende construir 1 milhão de casas no país, para famílias com renda de até três salários mínimos. “A qualidade dos profissionais do Crea-BA será a garantia de um programa de sucesso. Essa é a verdadeira função social de um Conselho”.
O presidente da Mútua – Caixa de Assistência aos Profissionais, Ângelo da Costa Neto, destacou que o Crea-BA é um dos regionais mais atuantes no país. “Isso reforça ainda mais a parceria com a Mútua em benefício de todos os profissionais. Parabenizo o presidente Jonas Dantas pelos 75 anos e pela magnitude dessa festa”.
Convidado a abordar o tema “A conjuntura econômica brasileira frente a crise mundial”, o economista César Benjamin começou definindo a crise como “grave e prolongada”. “Não temos distanciamento histórico para avaliar a crise. Não acreditem em projeções que estão sendo divulgadas”.
O conferencista traçou três pontos importantes durante a conferência: como ocorreu a crise, a situação atual de endividamento e as perspectivas para o futuro, incluindo a situação do Brasil.
De acordo com o analista, a crise tem um peso maior porque nasce nos EUA, ou seja, no berço da economia do sistema mundo e do sistema bancário. Dentre outros fatores que acarretaram o atual cenário, Benjamim destaca o deslocamento da mão de obra para a Ásia, a terceira geração de derivativos (juros cobrados em terceira parcela) e a crise no sistema habitacional. “Tudo isso alterou o capitalismo americano. Assim, ocorreu a desregulamentação da atividade financeira”, avaliou.
Para se ter uma idéia da dimensão da crise americana, o economista citou que nas esferas especulativas de todo o mundo circula a ordem de US$ 600 trilhões de papel negociados no mercado secundário, volume muito superior ao PIB mundial, que é de US$ 35 trilhões. “O estado americano e a sociedade se lançaram num processo gigante de endividamento. O déficit orçamentário americano hoje é o PIB do Brasil. A crise desmoralizou o trilhão. Na verdade, os trilhões gastos agora são antecipações de receitas futuras que vão se prolongar durante muitos anos”, prevê.
Sobre a participação do Brasil na atual fase, Benjamim disse que haverá uma queda na atividade econômica. “Ainda não se sabe a amplitude das empresas brasileiras que participaram dos déficits derivativos americanos”. O economista diz que, apesar das críticas, o Banco Central tem trabalhado e hoje não há crise bancária, além de o Brasil ter espaço para manejo de política monetária. “A minha maior preocupação é que somos uma sociedade de vontade fraca. Não sabemos criar um modelo de desenvolvimento para a nossa economia. Precisamos fortalecer a capacidade de criar políticas fortes, pesquisa científica. Assim, teremos capacidade de enfrentaremos qualquer crise”.
Nas considerações finais de sua conferência, César Benjamim creditou no Sistema Confea/Crea a responsabilidade de contribuir com o fortalecimento do país. “O Sistema deve construir esse projeto de Nação. É isso que nos une, por ser uma preocupação comum. Os profissionais são pilares do progresso que devemos atingir”.
Ainda na solenidade, em reconhecimento a dedicação dos funcionários mais antigos do Conselho, o presidente Jonas Dantas entregou uma placa de homenagem a José Carlos Araújo Santana, Evanísia Alves da Silva e Vera Lúcia Leone Vianna.
Estiveram presentes os presidentes dos Conselhos do Distrito Federal, Francisco Machado, do Espírito Santo, Luis Fernando Fiorotti, representantes de entidades de classe, diretor da Escola Politécnica da Ufba, Luís Edmundo Prado, diretora da Escola de Arquitetura da Ufba, Solange Araújo, dentre outros.
Cleide Nunes
Assessoria de Comunicação do Crea-BA
