Brasília, 20 de janeiro de 2026.
Com a proposta de tornar o Sistema Confea/Crea mais próximo, justo e efetivamente útil para quem exerce a profissão, o engenheiro de produção Dyego Reis inicia, em 2026, seu mandato no plenário do Confea. As prioridades da atuação estão organizadas em torno da valorização profissional ao longo de toda a trajetória, incluindo a defesa da anuidade progressiva para os iniciantes, o estímulo à atualização técnica dos profissionais plenos, o enfrentamento da precarização no serviço público e o fortalecimento da atuação de engenheiros e geocientistas no ambiente empresarial, reconhecidos como agentes estratégicos do desenvolvimento nacional.

Natural de Imperatriz (MA), Dyego graduou-se no Pará em Engenharia de Produção e Engenharia Ambiental. No Tocantins, concluiu Engenharia de Segurança do Trabalho e especializou-se em Gestão de Resíduos. É ainda estudante concluinte de Engenharia Civil e Agronomia. Servidor público de carreira do Estado do Tocantins desde 2013 — atualmente em processo de licença para o exercício do mandato — e professor universitário desde 2016, o conselheiro destaca que essa atuação transversal o permite compreender, de maneira prática e sistêmica, os desafios enfrentados pela profissão em diferentes contextos.
Em entrevista à equipe de Comunicação do Confea, Dyego Reis aborda a importância de representar os profissionais da modalidade Industrial, detalha como pretende incentivar a inovação e a modernização da Engenharia e reflete sobre o legado que quer deixar para os profissionais e para o Sistema durante o mandato, que cumpre ao lado do engenheiro mecânico Flávio Zanata até o final de 2028.
Quais atividades o senhor desenvolve na Engenharia atualmente?
Atualmente, desenvolvo atividades na Engenharia de forma integrada entre o setor público, a iniciativa privada e a atuação técnica especializada, com base na minha formação em Engenharia de Produção, Engenharia Ambiental e Engenharia de Segurança do Trabalho. Essa atuação transversal me permite compreender, de maneira prática e sistêmica, os desafios enfrentados pela profissão em diferentes contextos. No âmbito do serviço público, atuei em distintos órgãos governamentais nas áreas de extensão rural, segurança pública, meio ambiente e pesca e aquicultura. Nos últimos anos, exerço a função de Diretor de Desenvolvimento da Pesca e Aquicultura do Estado do Tocantins, desempenhando atividades de gestão pública, planejamento estratégico, formulação de políticas públicas, captação de recursos e articulação institucional. Paralelamente, mantenho atuação técnica como responsável e consultor em projetos ambientais, agroindustriais e aquícolas, além de experiência empresarial nos setores do agronegócio, da indústria de bioinsumos e da compostagem ambiental. Também atuei por vários anos como professor universitário em cursos de Engenharia, o que proporcionou contato direto com a formação de profissionais e com os desafios contemporâneos do ensino técnico e tecnológico. Essa vivência integrada orienta minha atuação no Sistema Confea/Crea.
Como se deu a formação da chapa com o suplente eng. mec. Flávio Zanata e quais princípios orientam essa atuação conjunta no plenário do Confea?
A formação da chapa com o engenheiro mecânico Flávio Zanata ocorreu de maneira natural, a partir de afinidade de princípios, complementaridade técnica e convergência de visão institucional sobre o papel do Sistema Confea/Crea. Embora oriundos de formações distintas, compartilhamos valores fundamentais, como a defesa da Engenharia e das Geociências, a ética profissional, a valorização do acervo técnico e o compromisso com resultados efetivos para os profissionais. Nossa atuação conjunta no plenário do Confea é orientada pelo diálogo, pela escuta qualificada e pela construção de posicionamentos técnicos sólidos e responsáveis. Trabalhamos com a compreensão de que o conselheiro federal não atua de forma setorizada, mas contribui para o fortalecimento institucional do Sistema como um todo, respeitando as atribuições profissionais e a diversidade das Engenharias, da Agronomia e das Geociências.

Qual a importância de representar os profissionais da sua modalidade no plenário do Confea?
Representar os profissionais da aba industrial no plenário do Confea é uma responsabilidade estratégica. Trata-se de uma modalidade formada por múltiplas áreas da Engenharia, diretamente vinculadas à produtividade, à inovação, à competitividade e ao desenvolvimento econômico e sustentável do país. Contribuir com uma visão fundamentada na prática profissional — que transita pela indústria, pelo setor produtivo, pela gestão pública e pelo empreendedorismo — permite qualificar os debates no plenário, aproximar o Sistema da realidade do mercado e fortalecer a defesa de condições adequadas para o exercício profissional. Essa representação é essencial para que decisões normativas e institucionais estejam alinhadas aos desafios contemporâneos da Engenharia brasileira.
Quais são as principais prioridades do seu mandato para a valorização e o fortalecimento da atuação profissional no Sistema Confea/Crea?
Minhas prioridades estão organizadas em torno da valorização do profissional ao longo de toda a sua trajetória. Destaco:
• Apoio ao profissional iniciante, com defesa da anuidade progressiva, programas de mentoria e ampliação do acesso à capacitação;
• Valorização do profissional pleno, com incentivo à atualização técnica, fortalecimento da Mútua e reconhecimento do acervo técnico como patrimônio profissional;
• Defesa do engenheiro do serviço público, buscando assegurar o respeito ao piso salarial, às atribuições legais e combatendo a precarização por meio de cargos genéricos;
• Fortalecimento do engenheiro e geocientista empresário, reconhecendo a empresa de Engenharia como agente estratégico do desenvolvimento e possibilitando mais alternativas de performance técnica e econômica a esse grupo.
O foco do mandato é tornar o Sistema mais próximo, mais justo e mais útil para quem está na ponta exercendo a profissão.
De que forma pretende incentivar a inovação e a modernização da Engenharia, ampliando a competitividade e a inserção tecnológica dos profissionais?
A inovação deve ser tratada como eixo estruturante do Sistema, condição precípua de nossas proposições. Defendo a ampliação de parcerias institucionais com universidades, centros de pesquisa, setor produtivo e agências de fomento, além do incentivo à capacitação em novas tecnologias, gestão, sustentabilidade e transformação digital. O Sistema Confea/Crea também pode exercer papel relevante como indutor de inovação ao valorizar soluções técnicas nacionais, estimular o empreendedorismo de base tecnológica e facilitar o acesso dos profissionais a programas de crédito, incubação e desenvolvimento de projetos. A modernização passa, necessariamente, pela construção de um ciclo virtuoso de parcerias estratégicas, orientadas por critérios técnicos e por uma governança pautada na transparência impoluta e integridade institucional.
Em um cenário de eleições no Brasil em que energia, infraestrutura e transição energética ganham destaque, como o senhor avalia o papel do Confea na defesa e valorização dos engenheiros?
O Confea tem um papel estratégico nesse cenário: defender que as grandes decisões sejam conduzidas com responsabilidade técnica e protagonismo da Engenharia Brasileira. O Sistema precisa se posicionar de forma abalizada junto aos poderes públicos, mostrando que políticas públicas sólidas passam, necessariamente, pela atuação de engenheiros habilitados, valorizados e respeitados. Nesse contexto, é fundamental afirmar esses profissionais como essenciais ao Estado, assegurando a defesa de suas atribuições legais, combatendo a desvalorização técnica e garantindo que projetos estruturantes sejam executados com qualidade, segurança e sustentabilidade.
Ao concluir seu mandato como conselheiro, que legado pretende deixar para os profissionais e para o Sistema?
Ao concluir o mandato, pretendo deixar como legado uma atuação presente, acessível e orientada a resultados concretos. O objetivo é contribuir para um Sistema mais próximo da realidade dos profissionais, mais atento às diferentes fases da carreira e mais estratégico na defesa da Engenharia, da Agronomia e das Geociências. Busco que os profissionais se sintam efetivamente representados, ouvidos e valorizados, e que o Confea se consolide como uma instituição ainda mais forte, moderna e conectada aos desafios do desenvolvimento nacional. Caso esse avanço institucional seja percebido ao final do mandato, entenderei que a missão foi cumprida.
Julianna Curado
Equipe de Comunicação do Confea
