Economia verde em pauta no Rio de Janeiro

Brasília, 25 de maio de 2011.

O Conselho Euro-Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável (EUBRA) realiza no Rio de Janeiro, de 1 a 3 de junho, o Global Green Busines, que reunirá gestores públicos, grupos financeiros, empresas de tecnologia limpa e infraestrutura com o objetivo de promover e viabilizar a implantação de tecnologias e de iniciativas que vem sendo realizadas em cidades em todo o mundo. Uma grande tendência mundial, essas iniciativas visam a propor novas formas de lidar com a economia de modo a gerar impacto econômico positivo e, ao mesmo tempo, impacto zero ou perto de zero no meio ambiente.

Trata-se do conceito de “economia verde”, conforme o qual a economia e o meio ambiente voltam a caminhar juntos, a partir inclusive de soluções tecnológicas mais limpas e inteligentes. De acordo com o presidente do Conselho, Robson Oliveira, ao contrário do que se pensa, essa forma de pensar a economia não tem nada de novo. “A economia verde é de certa forma aquilo que a humanidade fez antes dos últimos 300 anos, quando a maioria da população vivia na zona rural, em cidades pequenas”, explica Robson. Para ele, a tendência mundial hoje é a de buscar soluções para “desconstruir um modelo econômico que não deu certo”, em que a grande concentração de pessoas nos centros urbanos e a utilização de formas de produção de grande impacto no meio ambiente têm levado cada vez mais pessoas a uma percepção de que “algo precisa mudar”.

Há cerca de 60 anos, apenas 20% da população vivia em centros urbanos. Hoje, essa realidade se inverteu. “Essa grande migração das pessoas para as cidades ocorreu devido a alguns vetores, isto é, promessas de emprego, saúde, segurança e bem-estar. Essas promessas não se concretizaram para muitos e, hoje, está praticamente inviável viver em alguns centros urbanos”, analisa Robson. Segundo ele, muitas pessoas estão buscando naturalmente voltar para o campo ou buscar cidades menores, periféricas aos grandes centros. “A tendência hoje é o esvaziamento dos grandes centros”, ressalta ele, citando como exemplo a cidade de Detroit, 11ª maior cidade dos Estados Unidos. “Detroit tinha 2 milhões de habitantes em 1994. Hoje, vivem lá 900 mil pessoas. O centro da cidade está vazio e os prédios, desertos”.

Isso acontece, segundo Robson, porque os vetores que levaram as pessoas a viverem naquela cidade não existem mais, assim como não existem em diversas outras cidades do mundo. “No Brasil, por exemplo, muita gente tem a sede do seu trabalho em São Paulo, mas vive em Campinas ou em outras regiões periféricas”, ressaltou. “Até mesmo grandes empresas brasileiras estão hoje em cidades menores”. Nesse contexto, a economia verde contempla inclusive a ideia de criar mecanismos para forçar um processo de redistribuição espacial da população.

Essa ideia, segundo Robson, é a de um modelo de desenvolvimento “pós-urbano”, em que se busca soluções para os problemas que o modelo de desenvolvimento urbano tem causado. “Não podemos mais viver nessa maluquice”, ressalta Robson. “Se fornecermos energia elétrica e comunicação nas zonas hoje pouco ocupadas, de forma que as pessoas possam trabalhar à distância, essa seria uma das formas de promover uma mudança qualitativa no modelo de desenvolvimento”.

Rio + 20
O “Global Green Busines”, que tem como um de seus parceiros a Organização das Nações Unidas (ONU), é um evento preliminar à Rio +20. Segundo Robson, será um esforço no sentido de divulgar e promover as ações que serão realizadas em 2012. A Rio + 20 é um evento das Nações Unidas, realizado 20 anos após a realização da primeira Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – a Rio-92. O encontro visa a renovar o engajamento dos líderes mundiais com o desenvolvimento sustentável do planeta. Além da contribuição para a “economia verde”, serão debatidas questões como a eliminação da pobreza, com foco sobre a questão da estrutura de governança internacional na área do desenvolvimento sustentável. A Rio+20 insere-se numa longa tradição de reuniões anteriores da ONU sobre o tema, entre as quais as Conferências de 1972 em Estocolmo, Suécia, e de 2002, em Joanesburgo, África do Sul.

Para Robson, a participação e o engajamento dos profissionais ligados ao Sistema Confea/Crea é fundamental para enriquecer a temática. “Teremos grupos de planejamento urbano, ligados à questão da energia renovável, entre outros. É um evento extremamente importante para o Sistema Confea/Crea, porque começa a mostrar novas opções de tecnologia para a economia verde”, ressalta. Essa temática, inclusive, fará parte da 68º Semana Oficial da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia (Soeaa), evento que será realizado de 27 a 30 de setembro em Florianópolis.

Mariana Silva
Assessoria de Comunicação do Confea