Energia renovável promete expandir economia indiana

Jéssica Lipisnki, do Instituto CarbonoBrasil – Mercado Ético, 23 de março de 2011 | 13h40

Assim como a China e o Brasil, a Índia tem mostrado ao mundo que é dona de um dos maiores potenciais de energia renovável do mundo. Agora, um estudo apresentado na sexta-feira (18/03) pelo The Climate Group confirma esse fato. A pesquisa, intitulada India´s Clean Revolution, aponta que o país pode se tornar uma superpotência limpa, rivalizando com a União Europeia, EUA e China.

De acordo com o relatório, o mercado sustentável indiano pode chegar a US$135 bilhões em 2020, e poderia criar 10,5 milhões de empregos verdes na próxima década, à medida que investimentos em eficiência energética e tecnologias de energia sustentável forem aumentando.

O estudo também diz que atualmente a Índia é o quinto maior produtor de energia do mundo, mas o consumo de energia per capita no país é de apenas 30% da média mundial. Com o crescimento da economia do país, esse cenário tende a mudar. Até 2030, por exemplo, espera-se que haja 100 milhões de famílias na classe-média, o que aumentará o PIB do país em cinco vezes.

Segundo a pesquisa, a energia renovável pode suprir grande parte do iminente crescimento na demanda energética. Calcula-se que o setor de energia limpa cresça 736% na próxima década, três vezes mais do que na China ou nos EUA. Os investimentos em eficiência energética, por sua vez, devem triplicar e alcançar mais de US$ 77 bilhões até 2020.

Entre as medidas que o governo tomou para estimular o desenvolvimento da energia renovável, estão estabelecer padrões de consumo para a indústria, oferecer treinamento de administração de energia e aumentar a consciência do consumidor quanto à importância da economia energética.

Atualmente, o mercado de energia renovável indiano cresce 15% ao ano. O país é um dos líderes em energia renovável e possui 17GW de capacidade instalada, e acredita-se que este número deva aumentar para 74GW até 2022. Em 2009, A Índia instalou 1,7GW só de capacidade eólica, índice que ficou atrás apenas dos níveis da China e dos EUA.

No estado de Gujarat, o país planeja construir a primeira usina de energia das marés de toda a Ásia, e também tenciona criar uma estrutura para gerar 500MW de energia solar.
O setor que mais consome energia na Índia é a indústria, responsável por 52% da demanda energética. Em 2004-2005, o país consumia cerca de 138 milhões de KWh, e espera-se que este número aumente para 588 milhões de KWh até 2045.

Por isso, o relatório sugere que a eficiência energética é vital para uma revolução industrial limpa, pois poderia ajudar a reduzir entre 15% e 25% do consumo energético, evitando a construção de mais 10GW até 2012. Na indústria do aço, por exemplo, 50% da energia utilizada nas usinas é perdida.

Segundo o relatório, economias de energia como essa poderiam evitar a emissão de 148,6 milhões de toneladas de CO2 por ano. Além disso, o estudo indica que o governo e a iniciativa privada devem investir em tecnologias de baixo carbono e segurança energética, para que o país possa atingir um modelo econômico mais sustentável.

A utilização de prédios verdes e tecnologias inteligentes ajudariam a Índia a adicionar US$608 bilhões ao orçamento até 2020. Além disso, luzes de LED e aquecimento inteligente evitariam a emissão de 20 milhões de toneladas de CO2.

O transporte limpo também pode contribuir muito para a redução do consumo energético e da emissão de gases do efeito estufa (GEEs) do país. O relatório afirma que se o uso do transporte público e veículos elétricos fossem maiores e houvesse uma melhoria na eficiência dos combustíveis, a Índia poderia deixar de emitir 100 milhões de toneladas de CO2.

Nesse sentido, empresas como a G-Wiz planejam aumentar a produção de carros elétricos, desenvolvendo 30 mil veículos para o mercado interno e externo ainda esse ano, e colocando nas ruas da Índia 400 mil automóveis elétricos até 2020.

Essas tecnologias poderiam fazer com que o país alcançasse uma economia mais sustentável, mas para isso é necessário que investidores nacionais e intencionais apliquem cerca de US$60 bilhões por ano no setor renovável. Empresas privadas já injetaram cerca de US$300 bilhões no setor, e o desafio agora é aumentar esse número com parcerias público-privadas.

“A Índia tem a oportunidade de dar um salto nos esforços para uma economia mais desenvolvida, instalando tecnologias mais novas e mais limpas”, afirmou Kirit Parikh, membro da Comissão de Planejamento. “Nós temos a capacidade, e os benefícios para a Índia em aproveitar essa oportunidade agora serão transformadores – uma revolução limpa na Índia significará crescimento sustentável na nossa economia e no consumo de energia”.

No entanto, livrar-se da dependência de fontes não-renováveis ou inseguras pode ser mais difícil do que o país espera. Jairam Ramesh, ministro indiano do Meio Ambiente, afirmou no sábado (20) que a Índia tem que aprender com a crise nuclear ocorrida no Japão, mas que o pais não pode deixar de utilizar energia nuclear.

“O que aconteceu no Japão é muito sério. Nós teremos que aprender lições apropriadas e outras salvaguardas adicionais, precauções adicionais são necessárias e devemos tomá-las, mas eu não acredito que a Índia possa abandonar [o programa] de energia nuclear”, disse Ramesh.
Já Parikh sustenta: “Não existe um futuro bom com altos níveis de carbono e fontes de energia não seguras na Índia ou em qualquer lugar. Apenas uma revolução industrial limpa pode garantir uma prosperidade em longo prazo para qualquer nação e em nenhum lugar isso é mais verdade do que na Índia. A boa notícia é que uma economia de baixo carbono oferece enormes oportunidades econômicas e que líderes políticos e econômicos já estão trabalhando juntos para garantir que se encaminhe uma revolução limpa na Índia”.

(Instituto CarbonoBrasil)

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