Engenheiro de produção: profissional multidisciplinar

Brasília, 8 de maio de 2009

Os cursos de engenharia de produção têm se expandido no país. Entre março de 2008 e maio de 2009 foram abertos 70 novas graduações. Um dos mais novos é o da Universidade de Brasília (UnB), que iniciará a primeira turma no próximo semestre, com 18 vagas e carga horária de 12 semestres.  Ao todo, existem hoje 346 cursos de engenharia de produção no país.

Para o presidente da Associação Brasileira de Engenharia de Produção (Abepro), Osvaldo Luiz Gonçalves Quelhas, o número de cursos reflete a demanda do mercado.  “O fenômeno produtivo ocorre em todas as áreas da atividade humana (hospitais, escolas, fábricas, serviços em geral, governos). Sendo assim a habilidade da engenharia de produção é requerida de forma intensa e sistemática”, afirmou ele.

O presidente da Abepro ressalta que o engenheiro de produção tem um amplo mercado em que pode se inserir, devido a sua formação multidisciplinar. “Além de conhecer as ciências básicas para a engenharia, como materiais, modelos matemáticos, pesquisa operacional, física e química, o engenheiro de produção tem visão sistêmica mais apropriada às necessidades contemporânea. No país, as empresas se planejam para captar os melhores alunos da área”, disse.

Até o fim da década de 90 e início do ano 2000, segundo Quelhas, os engenheiros de produção eram absorvidos pelas empresas do mercado financeiro, devido à sua formação matemática e lógica. “Atualmente, no entanto, com o incremento da indústria do petróleo, gás e biocombustíveis, agronegócio e setores voltados para a exportação, temporariamente em crise, esses setores absorvem a maior quantidade de formados”, ressaltou.

Na década de 70 os conceitos e métodos próprios da engenharia de produção desenvolveram-se e se tornaram independentes de outras áreas tecnológicas. Hoje, a engenharia de produção é uma habilitação específica derivada de uma das grandes áreas da engenharia. Por isso, há cursos de engenharia de produção plena e de engenharia de produção elétrica, civil e mecânica, por exemplo. Veja os cursos disponíveis no país, por região.

Por essa formação ampla, o engenheiro de produção pode atuar em 11 grandes áreas: gestão dos recursos, processos, sistemas de produção e operações; pesquisa operacional; qualidade; engenharia do produto; ergonomia, higiene e segurança do trabalho; engenharia econômica; gestão de recursos naturais; engenharia da estrutura organizacional; educação em engenharia de produção; ética e responsabilidade social em engenharia de produção e desenvolvimento regional sustentado.

A base de formação pode ser divida em três níveis: ciências gerais; ciências da engenharia e disciplinas básicas da especialidade de cada engenharia. Além dessa formação, comum às engenharias, a formação do engenheiro de produção inclui disciplinas voltadas para as ciências humanas e sociais, para o meio ambiente e questões éticas.

Anualmente coordenadores de cursos tradicionais e novos, com o objetivo de debater formas de garantir a qualidade na formação dos engenheiros de produção brasileiros, desde o projeto de cursos a aspectos pedagógicos, de práticas de ensino, de trocas de experiências quanto à internacionalização no contexto da formação. Este ano, o “Encontro dos Coordenadores de Engenharia de Produção” será em Recife, de 13 a 16 de maio.

Saiba mais sobre a profissão no site da Associação Brasileira de Engenharia de Produção.

Mariana Zanata
Equipe de Comunicação do Confea