ENTREVISTA PING PONG: Marwan Abdelhamid

Teresina, 13 de agosto de 2014

A Federação Mundial de Organizações de Engenheiros (FMOI, na sigla em Francês, ou WFEO, na sigla em Inglês) é reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) como a instituição ímpar para assuntos técnicos em Engenharia. Com 93 países membros, a FMOI é consultora da ONU em gerenciamento de riscos de desastres naturais, meio ambiente, mudanças climáticas, energia, tecnologia, entre outras frentes. A sede da FMOI é em Paris, dentro do escritório da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura).

Em entrevista ao jornal “Bem aqui, ó!”, o presidente da Federação, o engenheiro civil Marwan Abdelhamid falou sobre mobilidade profissional e equidade de gênero. Abdelhamid congratulou o Brasil pelo fato de o presidente-eleito para o próximo mandato na FMOI (que se inicia em 2015), Jorge Spitalnik, ser brasileiro. Antes de Abdelhamid, que é palestino, os cinco últimos países a presidir a Federação foram Kuwait, Espanha, Austrália, Tunísia e Malásia.

ASSISTA AO VÍDEO SOBRE A PARTICIPAÇÃO DE ABDELHAMID NA 71ª SOEA

Esta é a sua primeira Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia? Quais são as primeiras impressões? 

O Confea e a Febrae, juntos, representam um membro muito importante da Federação Mundial. As atividades dessas organizações e a Soea aqui em Teresina interessam à FMOI. É por isso que aceitei a excepcionalidade de estar aqui. Parabéns pelo trabalho feito pelo Confea por esta semana em Teresina. Parabéns aos meus irmãos e irmãs engenheiros brasileiros. Vocês estão contribuindo para e engenharia mundial.

A FMOI é consultora da ONU para assuntos de Engenharia, mas hoje o sr. Participou do debate sobre equidade de gênero, que também é prioridade nas Nações Unidas. A FMOI tem projetos relacionados ao empoderamento da mulher?

Participei deste Fórum, pois considero uma questão muito importante. A equidade de gênero também é pauta na FMOI, temos o comitê técnico “Mulheres na Engenharia”. Eu conclamo às mulheres engenheiras brasileiras a virem e participar deste evento (71a Soea) e da Federação Mundial.

Como é feito o relacionamento FMOI – ONU?

Trabalhamos junto com as Nações Unidas para implantar os objetivos e planos que a WFEO propõe à ONU. Nós articulamos para que essas propostas se transformem em planos internacionais e implementados nas áreas de meio ambiente, mudanças climáticas, gerenciamento de risco de desastres etc. 

Temos especialistas nos comitês técnicos* eles propõem o que gostariam de ter de nós, e nós formulamos recomendações e encontramos soluções que apresentamos às Nações Unidas, que nos reconhecem como a organização-chave para essas questões. 

Entre as propostas que a FMOI tem feito à ONU nos últimos anos, qual o senhor destaca?

Da minha experiência, eu destaco uma recomendação muito importante: se formos unidos, globais, se pensarmos grande, agimos grande. Se pensarmos pequeno, agimos pequeno. Mas nós somos grandes. Estamos trabalhando por uma vida melhor da humanidade, esse é o nosso papel de engenheiro – e estamos sendo bem sucedidos nesse papel.

Na visão do senhor, quais são as perspectivas para a mobilidade profissional internacional para profissionais brasileiros ou para aqueles estrangeiros que queiram trabalhar no Brasil?

A dificuldade da mobilidade profissional não é um problema de engenharia em si. É um problema político entre países. Nós temos de lutar para implementar a mobilidade de engenheiros. Começamos região por região, continente por continente e depois podemos alcançar a mobilidade global de engenheiros. Temos muitos projetos nesse tema e estamos trabalhando bastante para implementá-los.  

*São dez: Engenharia e Meio Ambiente, Educação em Engenharia, Informação e Comunicação, Gerenciamento de Risco em Desastres, Comitê de Energia, Engenharia para Tecnologias Inovadoras, Jovens Engenheiros / Futuros Líderes, Mulheres na Engenharia, Engenharia em Construção de Capacidade e Anticorrupção. 

Beatriz Leal
Equipe de Comunicação do Confea