Brasília, 30 de junho de 2011

De acordo com ele, diversos são os fatores que colocam o Brasil em posição de vantagem para o crescimento econômico e militar. “O momento é propício para o Brasil determinar seus rumos de desenvolvimento interno e de participação do mercado global em seus próprios termos”, afirmou. Um dos fatores de oportunidade para o Brasil mencionados por Vivacqua é o fato de que os Estados Unidos perderam vontade e capacidade de exercer controle sobre a América Latina. Isso ocorre, segundo o engenheiro, por três motivos: a crise financeira que afetou os países do G7 a partir de 2008; a emergência dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China); e o advento das associações Sul-Sul (articulações entre países em desenvolvimento).
Além disso, Vivacqua ressaltou que, na era da escassez, o Brasil tem posição de destaque e valorização por causa de seus recursos naturais. No entanto, sob o ponto de vista do engenheiro, a gestão nesse campo precisa ser melhorada. “O Banco Mundial ajudou a financiar a exploração de petróleo no Brasil, mas isso não reduziu a pobreza, e, sim, fomentou a corrupção”, disse. Outro ponto destacado por Vivacqua como fator de oportunidade para o Brasil é o fato de que os países da América Latina, em geral, “têm elegido nos últimos anos governos populares voltados para a valorização dos mercados internos e da integração do continente sul-americano”.
Para ele, portanto, esse é o momento para que o Brasil desenvolva um planejamento estratégico baseado em ciência, tecnologia e Engenharia. “Nas últimas décadas, a Engenharia perdeu, no Brasil, o papel de condutor do desenvolvimento. Os engenheiros, como classe profissional, têm que se movimentar para ocupar esse vácuo que existe hoje no governo brasileiro”, concluiu.
Na opinião do presidente do Confea, Marcos Túlio de Melo, o plenário do Conselho deveria fazer esse debate em detrimento das discussões sobre as incongruências entre as modalidades profissionais e sugeriu o projeto estratégico “Pensar o Brasil e as Américas” como fórum. “Esperamos que este plenário seja o momento de inteligência da Engenharia brasileira. Esses desafios estratégicos propostos por Vivacqua nos une. O que separa são as discussões de assuntos menores”, afirmou.
Integração e nacionalismo
Em paralelo à integração, também é preciso, conforme defende Vivacqua, resgatar o conceito de nação. “Há umas décadas, quem tentava falar em nacionalismo era tachado de comunista, atrasado. Mas por que não podemos falar em nacionalista do tipo japonês, francês ou americano? Tudo aqui é mais difícil quando se fala do nacional. Temos que fingir que não queremos empresas brasileiras. Porém, o nacionalismo é muito importante. Ou temos uma consciência nacionalista nas empresas ou seremos explorados”, disse, ao mencionar o projeto do trem de alta velocidade como exemplo: “Por que não planejar o início das obras do trem rápido para daqui cinco anos? Monta-se uma escola sobre trem rápido, formam-se brasileiros e faz com empresa daqui em vez de importar tecnologia”.
Defesa
Outro ponto abordado pelo engenheiro foi o sistema militar. “Todos os países respeitados são fortes ou fazem parte de uniões fortes. O Brasil não precisa de uniões, pois é um país forte, grande. Precisa, sim, ter uma indústria de defesa, que alimente a indústria de tecnologia de ponta”, afirmou, ao defender o apoio a pesquisa e indústrias de alta tecnologia. “Precisamos replicar iniciativas como a Embraer, o ITA Instituto Tecnológico de Aeronáutica e o CTA Centro Técnico Aeroespacial”.
Transporte
Durante a palestra, Vivacqua criticou a matriz de transportes do Brasil, formada 70% por rodovia e 10% por ferrovia, entre outros meios. Para ele, se essa matriz fosse revertida, seriam reduzidos os acidentes e o consumo de energia, além de diminuir os gastos em manutenção de estradas.
Beatriz Leal
Assessoria de Comunicação do Confea
