Palestrante no último painel da audiência pública Confea/Crea em Campo que ocorre em São Paulo, o vice-presidente executivo do Instituto Ethos, Paulo Augusto Itacarambi, disse enxergar a Copa do Mundo como oportunidade de criar mecanismos de participação popular no controle dos custos das obras que fiquem para depois da Copa. "Ao final de cinco anos, gostaríamos de ter mais transparência, integridade e controle social sobre as ações públicas e privadas", disse.
Uma forma de viabilizar a integridade nas administrações pública e privada são os acordos setoriais, que, conforme explica Itacarambi, convidam empresas de segmentos específicos (saúde, construção civil, energia e transporte) participarem de acordo de não participação em qualquer prática de baixa integridade. "Ao aceitar o acordo, a empresa se submete a um comitê de ética autônomo. Ou seja, se entrar em conluio, cartel, ou qualquer outra prática antiética, a empresa será denunciada", explicou, completando que os acordos setoriais são iniciativas bem-sucedidas em outros países.
Transparência é outra meta proposta pelo Instituto Ethos, que será medida pelos indicativos de quais cidades e estados-sede estarão publicando todos os investimentos públicos feitos após a Copa do Mundo. "No ano que vem, com a eleição das prefeituras, vamos tentar conseguir o compromisso de campanha dos candidatos de publicarem todos os gastos da prefeitura e cobraremos depois", disse.
Durante sua apresentação, Itacarambi destacou uma parceria do Instituto Ethos com o Confea que utilizará o conhecimento dos engenheiros para elaboração de uma cartilha que oriente pessoas leigas na área a identificarem sinais de corrupção na construção civil. A publicação orientará sobre contratos de leitura difícil e canais de denúncia. "A Copa é uma oportunidade de apresentar a boa engenharia brasileira. E boa engenharia exige planejamento e projeto bem feito - se isso for cumprido, resolvem-se todos os males", disse.
A palestra do vice-presidente executivo do Instituto Ethos fez parte do painel "Fiscalização e Controle Social", que contou com participação de representantes do Ministério Público Federal, Tribunal Regional do Trabalho da 15a Região, Tribunal de Contas do Estado de São Paulo e Tribunal de Contas do Município de São Paulo. No mesmo painel, o superintendente de fiscalização do Crea-SP afirmou que o Conselho Regional realizará fiscalização nos empreendimentos da Copa do Mundo, acompanhando todos os passos das obras.
Beatriz Leal
Assessoria de Comunicação do Confea
