José Eustáquio Diniz Alves* - Mercado Ético, 07 de abril de 2011 | 17h16
A divisão de população das Nações Unidas (ONU) acaba de atualizar, em seu site, os dados demográficos e os primeiros resultados das novas projeções de população – revisão 2010 – que cobrem o período que vai de 1950 a 2100.
A população mundial que era de 2,52 bilhões de habitantes, em 1950, passou para 6,87 bilhões de habitantes em 2010 e deverá chegar a 10,16 bilhões em 2100, segundo a projeção média. Nos 60 anos entre 1950 e 2010 a população mundial cresceu 172% e nos próximos 90 anos, entre 2010 e 2100, o crscimento demográfico mundial deverá ficar em 50%. Portanto, o ritmo de crescimento da população mundial está diminuindo, mas o mundo terá mais 3 bilhões de pessoas até o fim do século XXI.
A população brasileira que era de cerca de 191 milhões de habitantes em 2010 deverá atingir um pico de cerca de 220 milhões por volta do ano de 2030, e depois iniciar um suave declínio até cerca de 180 milhões de habitantes em 2100.
A população da China que era de 551 milhões de habitantes, em 1950, chegou a 1,341 bilhão em 2010, deverá atingir um pico de 1,396 bilhão por volta do ano de 2025, e depois iniciar um grande declínio até atingir 944 milhões de habitantes em 2100.
A população da Índia que era de cerca de 372 milhões de habitantes, em 1950, chegou a 1,223 bilhão em 2010, deverá atingir um pico de 1,720 bilhão por volta do ano de 2060, e depois iniciar um leve declínio até atingir 1,557 milhões de habitantes em 2100. Portanto, a Índia deverá ter mais de 600 milhões de habitantes do que a China no final do século XXI.
Já a população do Japão que era de 82 milhões de habitantes em 1950, passou para 127 milhões em 2010 e deverá cair até ficar com 91 milhões de habitantes em 2100. Ou seja, no final de 150 anos a população do Japão será quase do mesmo tamanho.
No extremo oposto, há o caso da Nigéria que tinha uma população de 38 milhões de habitantes em 1950, passou para 158 milhões em 2010, e deverá alcançar 756 milhões de habitantes em em 2100.
Não existe consenso na literatura quanto aos efeitos do crescimento populacional sobre o meio ambiente e sobre a qualidade de vida de uma população em constante crescimento. Alguns autores vislumbram perspectivas catastróficas se nada for feito para estabilizar a população e salvar o meio ambiente. Outros autores consideram que os avanços científicos e tecnológicos tem sido capazes de sustentar uma população cada vez maior e que consome cada vez mais, em quantidade e em qualidade.
Contudo, o mundo é um só, e tanto os pessimistas quanto os otimistas precisam juntar forças para a construção de um mundo melhor e mais justo. O importante é que o debate das diversas perspectivas teóricas não paralise as ações no sentido de mitigar o aquecimento global, garantir os direitos da biodiversidade, recuperar os recursos naturais e possibilitar uma vida humana com mais bem-estar e em harmonia com a natureza.
Referências do ONU:
UN/ESA: Expert Group Meeting on Recent and Future Trends in Fertility, New York, 2-4 December 2009
UN/ESA. What is new in the 2010 Revision of the World Population Prospects? New York, 2011
* José Eustáquio Diniz Alves, colunista do EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br
(EcoDebate)
