Florianópolis, 28 de setembro de 2011
Ao participar como palestrante da 68ª Soeaa, falando sobre Pesquisa e Inovação na Solução dos Desafios Ambientais, a ex-senadora citou Hannah Arendt para lembrar que a humanidade tem “enorme dificuldade em lidar e reagir diante do irreversível e do imprevisível”. Ela explicou que o irreversível pode ser perdoado, e que o irreversível só pode ser evitado com o compromisso, a promessa. Para Marina, “não podemos pagar para ver o planeta aquecer dois graus Celsius como preveem alguns cientistas”.
De acordo com a ex-ministra, para salvar a chamada crise econômica de 2008, cerca de US$ 32 bilhões tiveram de ser injetados. “Se temos atualmente 2 bilhões de seres humanos que vivem com menos de US$ 1 por dia, eu pergunto: a crise econômica começou mesmo em 2008? Com certeza para esses 2 bilhões de pessoas - 16 milhões no Brasil - sempre houve crise econômica, mas não havia relevância, pois estava no andar de baixo. Quando chegou ao andar de cima, ganhou esse nome. Não podemos banalizar as coisas, como se não tivéssemos um problema. Se olharmos para África, Ásia, América Latina, há crise econômica há muitos anos”, alertou.
Crise dos valores
Segundo dados da ex-ministra, o planeta já está 30% “no vermelho”, ou seja, consome 30% a mais do que pode suportar. “Imagine se todo mês você gastasse no cartão de crédito 30% a mais do que pode pagar”, falou em tom de brincadeira, mas expondo uma analogia que reflete a gravidade da situação ambiental. “Temos que mudar não só nossa maneira de produzir e de consumir, mas sim o modo como somos felizes. Temos que aprender a ser feliz de outra forma, não com bens que registrem uma certa posição social”, explicou.
Beatriz Leal e Maria Helena de Carvalho
Assessoria de Comunicação do Confea
