Florianópolis, 28 de setembro de 2011
Visivelmente orgulhoso do trabalho do CDS, criado há 15 anos e que já formou 500 mestres e doutores em desenvolvimento sustentável, Saulo defendeu a “interdisciplinaridade” para enfrentar as questões que afetam o meio ambiente. “O desenvolvimento sustentável exige uma integração que não nos permite ser arrogantes”. De acordo com ele, o debate sobre sustentabilidade requer o princípio de humildade. “Precisamos reconhecer nossas limitações enquanto o avanço do conhecimento científico busca conhecer todo o contexto do aquecimento climático”.
Na opinião do especialista, os países desenvolvidos são os grandes vilões das mudanças climáticas, sim. “80% da energia consumida no mundo está nos 25% mais privilegiados, predominantemente no Hemisfério Norte”. Para ele, no entanto, a discussão e os indicadores não podem ser analisados apenas pelas perspectivas locais. “É uma discussão geopolítica e deve incluir produtores e consumidores. Tratar a questão como um assunto geopolítico evita que o tema seja tratado como uma questão neo-colonizadora e permite que os países desenvolvidos assumam suas responsabilidades sobre os produtos”, disse.
Ao final da exposição, os participantes da plateia puderam fazer perguntas ao especialista. No momento, surgiu o debate em relação à exploração de petróleo na camada pré-sal e como esse processo poderia afetar o meio ambiente. “O pré-sal é um direito que o Brasil tem de explorar essa riqueza e ponto final, como todos os outros países têm direito de explorar suas riquezas. Não se entra mais nessa discussão. O Brasil, ainda mais que outros países, tem esse direito, pois tem a matriz energética mais limpa do mundo”, defendeu.
Saulo também foi questionado sobre os terremotos que têm assolado o mundo e o papel do homem nesses eventos, ao que explicou que os desastres naturais são divididos em dois grupos: aqueles que são consequência das ações do homem, como aquecimento global e efeito estufa; e aqueles que fazem parte da dinâmica interna da Terra, “sobre a qual não temos qualquer ingerência”, explicou. Nessa segunda categoria estão os terremotos, tsunamis e vulcanismos, que “não têm absolutamente nada a ver com mudanças climáticas”.
Crise dos valores
Recapitulando o debate levantado pela ambientalista Marina Silva, que o precedeu no painel, Pereira Filho também defende a revisão nos padrões e sonhos de consumo que, segundo ele acredita, não devem mais ser tão balizados em termos materialistas. “Essa é uma mudança de paradigma importante, precisamos arranjar formas de valorizar os bens imateriais e não termos nosso ideal de consumo voltado apenas para a economia material”, completou.
Beatriz Leal e Maria Helena de Carvalho
Assessoria de Comunicação do Confea
