Rio de Janeiro, 24 de maio de 2007
O presidente do Confea, eng. Marcos Túlio de Melo, participou da IV Conferência Mundial das Associações de Engenheiros e Cientistas, realizada pela primeira vez no Brasil, no Rio de Janeiro, de 21 a 23 de maio. Integrado por entidades sindicais da área de engenharia dos Estados Unidos, Austrália e diversos países da Europa e da América Latina, o destaque do evento foi o enfoque do desenvolvimento tecnológico na perspectiva da inclusão social.
Nesse contexto, Túlio destacou que o Brasil tem potencial para traçar alternativas de um novo modelo de desenvolvimento mundial. Ele afirmou que os engenheiros têm um importante papel a cumprir no sentido de garantir a sustentabilidade ambiental e a busca permanente da justiça social. “O desenvolvimento precisa ser distribuído para todos os cidadãos”, sublinhou. Para ele, esses profissionais têm a capacidade de buscar soluções para minimizar possíveis impactos.
Também integraram a mesa o presidente da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), Olímpio Alves dos Santos; o representante da Union Network International (UNI), Gehard Rohde; o secretário executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia, Luiz Emanuel Rebelo Fernandes; o Presidente da Emop, Ícaro Moreno Jr.; o membro da executiva nacional e secretário geral da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Adeilson Telles e o diretor executivo suplente da Fisenge e coordenador do evento, Agamenon de Oliveira.
Adeílson Telles destacou a importância da ação sindical de ir além dos limites do capital e das reivindicações de salário. Segundo ele, está na agenda da CUT a temática do desenvolvimento inclusivo. “Os trabalhadores precisam debater o desenvolvimento inclusivo e responsável, que sirva para o conjunto da sociedade”, afirmou.
O presidente da Emop Ícaro Moreno Jr. enfatizou a necessidade de quebrar os muros virtuais que isolam as comunidades carentes da sociedade. Ele declarou que o Rio de Janeiro recebeu do Programa de Aceleração do Crescimento R$ 1 bilhão e 200 milhões para serem investidos em quatro anos, focando, principalmente, as comunidades carentes, que abrangem aproximadamente 500 mil pessoas. Ícaro Moreno informou, ainda, que o dinheiro deve ser investido em habitações, aberturas de ruas, acessibilidade, hospitais mais modernos, escolas para tempo integral e praças.
Luiz Emanuel Rebelo Fernandes, por sua vez, lamentou que, em plena era do conhecimento, os meios de obtenção desses saberes estejam monopolizados, gerando desigualdades. Fernandes lembrou que o conhecimento é um bem público para o desenvolvimento de todas as sociedades. “A ciência e a tecnologia devem ser usadas como ponte para o conhecimento e informação entre os povos”, disse.
O presidente da Fisenge, Olímpio Alves dos Santos, encerrou a cerimônia abordando a necessidade de, para além da globalização do trabalho, os participantes atentarem para o que está acontecendo à volta. “A sociedade vive a mudança de uma época na qual a ação do homem foi essencial para construí-la, com erros e acertos. Mas, apesar de elevar o conforto e modificar a natureza em benefício próprio, os conhecimentos dos seres humanos também foram utilizados para a destruição. Queremos o desenvolvimento e a construção da sociedade baseada em outros valores, que não sejam apenas os do capital. É preciso que tenhamos a coragem de iniciar uma nova construção, de um mundo mais justo e melhor”, alertou o presidente da Fisenge.
Por Tânia Coelho - Fisenge
