Salvador, 29 de maio de 2007
Na conferência de abertura do VI CEP, o engenheiro agrônomo e florestal Sebastião Pinheiro abordou o Projeto Pensar Brasil, realizado pelo Sistema Confea/Crea. O ponto de partida do engenheiro para chamar a atenção do público sobre o tema foi o questionamento: qual o Brasil que queremos pensar? A partir do exemplo da relação entre ensino público e ensino privado, o especialista traçou um panorama do Brasil real. Entre as distorções que atrasam o desenvolvimento do país estariam as desigualdades e a competição desleal entre os alunos oriundos da rede pública e os do ensino privado. Não conseguimos discutir com profundidade essas questões. O brasileiro foi educado para se tornar autônomo. Sempre subjugado a um interesse individual que supera o coletivo", analisou Pinheiro.
Outra ausência que emperra o desenvolvimento do país, na avaliação do engenheiro, é o debate sobre Reforma Agrária. "Esse é um dos temas que o brasileiro pouco se dá conta. A falta de políticas abrangentes e contextualizadas faz com que a questão do solo fique do lado de fora".
Nos debates sobre formação o Reitor da Universidade Federal da Bahia, professor Naomar Almeida, mostrou a estrutura adotada pelas universidades brasileiras ao longo dos anos, com base nos modelos europeu e americano. E o quanto isso afetou a linha do ensino e a formação nas áreas de graduação e pós-graduação. "Além de formar profissionais, precisamos colocar no mercado produtores do conhecimento científico e tecnológico. A reforma universitária é fundamental para que isso ocorra ", explicou o reitor da Ufba.
Segundo Almeida, até que esse processo de mudança se estabeleça, é preciso solucionar grandes problemas como precocidade na escolha da carreira, seleção limitada e traumática para o ingresso na graduação, perda de autonomia das instituições e a incompatibilidade com modelos de arquitetura curricular aplicados mundialmente. Nesse aspecto, a Universidade Nova, proposta pela própria Ufba, pode ajudar a ampliar a oferta de educação superior, além de reduzir a evasão do ensino público, o que levaria a uma maior formação do setor tecnológico.
Ao abordar a importância do engajamento de todos nos congressos, o presidente do Confea, Marcos Túlio de Melo, enfatizou a união das categorias em torno de objetivos comuns: a valorização profissional e a contribuição efetiva do segmento tecnológico para o desenvolvimento do país. "Esse é o grande desafio da nossa categoria. Nos últimos 30 anos assistimos uma degradação da área tecnológica, sobretudo com a desvalorização de nossas profissões. Essa é a hora de mudar", avaliou Túlio. Segundo ele, iniciativas como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) representam a articulação de investimentos, mas não significam progresso tecnológico efetivo. "Precisamos de um projeto geral para o desenvolvimento do Brasil. Nossa categoria tem que se mobilizar para mudar a legislação profissional naquilo que for necessário e assumir a responsabilidade social que temos".
Para a coordenadora do evento, engenheira agrônoma Maria Higina Nascimento, o VI CEP se configura num momento essencial onde se discute um pacto social coletivo.
Ascom do Crea-BA
