Para Crea-ES, mudanças no trânsito não atenderão à frota de Vitória

Vitória (ES), 31 de maio de 2007

O presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea-ES), Luís Fernando Fiorotti (foto), acredita que as benfeitorias realizadas nas principais vias de Vitória vão desafogar o trânsito. Mas alerta que é preciso reduzir a frota de outros municípios que circula na Capital, para que a cidade possa comportar o fluxo de veículos.

Para Fiorotti, as obras de duplicação da avenida Fernando Ferrari e da Ponte de Camburi seriam eficientes para dar fluidez ao trânsito. Mas essas obras são suficientes para atender à demanda da cidade, apenas. "As benfeitorias atenderiam se a frota fosse só de Vitória, mas metade dos veículos que circulam na Capital vem dos municípios vizinhos", explicou.

O problema do caos urbano, para ele, vai além da falta de sincronismo dos semáforos e das obstruções naturais das vias. É preciso diminuir a frota em circulação para que haja um desafogamento do trânsito. Para isso, na sua opinião, o primeiro passo seria a conscientização dos motoristas, aliada ao transporte solidário e ao incentivo ao uso do transporte público.

Ele concorda com a abordagem do engenheiro ferroviário Sérgio Misse, sobre a viabilidade da implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), o chamado metrô de superfície, e a sua utilização para o transporte de massa. "O projeto é um importante instrumento de interligação dos municípios da região metropolitana", disse.

Como o projeto deve ser estudado a longo prazo, Fiorotti aponta como soluções palpáveis e emergenciais o transporte solidário e o fortalecimento do transporte rodoviário de qualidade. A implantação de uma via expressa para os coletivos, como sugeriu o urbanista Fernando Betarello nessa terça-feira (29), é vista com bons olhos pelo presidente do Crea. "Este sistema tem sido usado em outros estados com sucesso, pois dá fluidez ao transporte público. Mas, mesmo que o serviço seja pontual e flua bem, é preciso investir em qualidade, para atrair outros públicos", advertiu.

Segundo Fiorotti, o sistema é pensado para as classes D e E, por isso não atrai a classe média. O sistema, para ele, tem que oferecer condições para que as classes B e C também tenham interesse em trocar o veículo próprio pelo sistema público. "Tudo bem que a legislação permite que o usuário viaje em pé. Mas, vamos admitir, ninguém gosta de ficar em pé no ônibus, por menor que seja o percurso", destacou. A retirada de estacionamentos de locais de grande circulação de veículos é também um ponto ressaltado por Fiorotti. Ele explicou que esses estacionamentos estrangulam as vias públicas, impedindo a fluidez do trânsito em vários pontos da cidade.

Nerter Samora - Jornal Eletrônico Século Diário (ES)