Recife, 6 de junho de 2007
Como conferencista, o engenheiro e empresário Armando Monteiro Filho, referência para a engenharia pernambucana, não só por sua história de vida e experiências, mas também pelo entusiasmo com o qual fala do quanto a engenharia foi e é importante para a construção da história do EStado. “O passado é indispensável para a gente construir o futuro”, iniciou sua reflexão, lembrando que Pernambuco está num momento privilegiado. “O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) vai destinar milhões aqui para o Estado. É uma situação privilegiada para as nossas profissões”, observou antes de iniciar a sua retrospectiva sobre o crescimento de Pernambuco.
Para falar do seu primeiro desafio como engenheiro recém-formado reportou-se a 1951, ano em que recebeu o convite do governador Agamenon Magalhães para implantar um projeto de abertura de rodovias. Aceitou o desafio de pavimentar 320 km das BRs , à época, BR 11 (atual BR 101 sul); BR 25 (atual BR 232) e a PE 5 que liga Recife/Carpina. Apesar do gigantesco desafio de um projeto que exigia a terraplenagem e pavimentação de muitos quilômetros em pouco tempo, no ano de 1954, as obras estavam concluídas. “Esse desafio, me deu a oportunidade de realizar o projeto de João Baltar”, disse emocionado.
E, graças a essas obras que foram responsáveis pelo progresso logístico do Estado, outros grandes investimentos se concretizaram com a importante contribuição dos profissionais da Engenharia. Como exemplos foram citados o Porto do Recife; a criação do Departamento de Estradas de Rodagem (DER); o Projeto Água e Luz de Beberibe e a criação do Departamento de Água e Energia.
Lembrando de projetos antigos que ainda não foram concretizados e ainda hoje são alvo de discussões, Armando Monteiro citou a Transposição do rio São Francisco. A sua posição, à época das discussões, já era contrária ao projeto como era apresentado. “Não acho lógico. É inviável como foi concebido, pois não deveria ser feito através de canal, mas sim de uma adutora”, relembra.
Cenário político
Mantendo-se em sua posição de vanguarda esquerdista, Armando Monteiro Filho fez uma retrospectiva política desde o fim da Ditadura Militar até os dias atuais. E foi enfático: “A diferença para hoje em dia é que naquela época não sabiam como assaltar os cofres públicos. Isso foi sendo aprimorado com o tempo”, lamentou, ressaltando que mesmo com toda essa distorção de valores e a corrupção atual, acredita que o presidente Lula não conhecia a fundo o caráter de todos que o cercavam. Ele, para mim, realmente foi traído”, ponderou. “A chegada de um homem como ele ao poder, com a sua origem humilde, é o retrato do quanto a nossa democracia foi aprimorada. E isso é um bom indicativo de que seremos um País de primeiro mundo. E nisso eu acredito”.
Por fim, o palestrante, num momento emocionado, falou das muitas homenagens que recebeu ao longo dos anos, a exemplo da Medalha do Conhecimento (1961). “Fiquei muito emocionado com o convite que recebi do presidente Roberto Muniz para fazer essa abertura. Recebi este convite também como uma homenagem”, confessou, acrescentando: “a Engenharia me foi útil à vida toda. Em todos os momento”.
Assessoria de comunicação do Crea-PE
