Túlio alerta para falta de interesse pela engenharia
Túlio alerta para falta de interesse pela engenharia
Última atualização: 28/06/2007 às 08h51
Brasília, 28 de junho de 2007
"Marcos Túlio compõe mesa de debate"O presidente do Confea, eng. Marcos Túlio de Melo, foi um dos palestrantes do painel “Formando Engenheiros: Um grande desafio”, durante o 1º dia do V Seminário Tecnologias Estratégicas Brasil e Itália, ontem, 27 de junho, na Embaixada da Itália em Brasília.
Em sua exposição, Túlio queixou-se da baixa procura dos estudantes pela área de engenharia, tanto na formação quanto na atuação. “O jovem hoje não vai optar pela área tecnológica, que está restrita e com baixa remuneração. É mais vantajoso fazer concursos para outras áreas com maiores ganhos”, salientou. Ele avalia que há uma ausência de visão estratégica, não apenas nas universidades, mas também no ensino médio.
De acordo com ele, há um déficit de 14 mil professores de matemática, física e química, disciplinas que oferecem uma grande base para os setores de engenharia e tecnologia. Dados do Ministério da Educação ajudam a reforçar a opinião do presidente do Confea. Em 2003, a formação em cursos de engenharia e tecnologia correspondeu a 10,8% do total das graduações reconhecidas pelo órgão, enquanto as áreas humanas e sociais representaram 68,7%.
Carência de profissionais "Marcos Túlio critica falta de profissionais"Marcos Túlio alertou sobre os reflexos do desinteresse pelas engenharias. Sua preocupação consiste na possibilidade da falta de engenheiros para um projeto de desenvolvimento sustentável do país, em razão do baixo número de graduados em cursos de engenharia. “Em 2001 tivemos um apagão de energia. Recentemente tivemos um apagão da logística e do transporte. O próximo será o apagão da engenharia e dos profissionais especializados”, alertou.
Segundo ele, o Brasil forma por ano 20 mil engenheiros, na contramão de países como Coréia e China, cujos números chegam de 80 mil a 300 mil. Túlio exemplificou, entre outros prontos, a situação no Rio de Janeiro, onde há uma carência de cerca de três profissionais de engenharia e técnicos e a baixa demanda de pessoas especializadas nas áreas de gás e petróleo país.
“Ainda não demos início ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O que vai acontecer quando as obras de saneamento e habitação começarem a ser contratadas? Teremos um quadro extremamente perverso”, salientou, acrescentando que os reflexos do baixo interesse pela engenharia já são sentidos por meio da importação de engenheiros estrangeiros e da exportação dos poucos profissionais destacados nesse ramo.
Resgate do planejamento Túlio tem reiterado que um dos pilares do crescimento consiste no resgate do planejamento técnico a médio e longo prazo, no qual a apresentação de um projeto para investimentos precisa ser precedido de estudos detalhados, com critérios técnicos não políticos. Ultimamente, ele não tem poupado críticas a algumas propostas do PAC, como o curto prazo estipulados por agentes públicos financiadores para conclusão de projetos visando à contratação de investimentos.
Também participaram do debate os presidentes da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), Jorge Almeida Guimarães, do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), Carlos Roberto Cavalcanti, o secretário de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente da Paraíba, Jurandir Xavier, o vice-reitor Politécnico de Turim, Carlo Naldi. Ainda compareceram às discussões Carlos Sampaio e Izaias Silva, que representaram a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS) e a ST Microeletronics, respectivamente.