Plenária aprova nota em defesa do Parque Nacional de Abrolhos

Brasília, 27 de julho de 2007

Por unanimidade (19 votos), os conselheiros federais reunidos na Sessão Plenária nº 1.343 desta quinta-feira, 26 de julho, na sede do Confea em Brasília, aprovaram nota técnica em defesa do Parque Nacional de Abrolhos, distante 70 quilômetros da costa brasileira na região sul da Bahia. O parque é considerado a maior área de diversidade marinha do Atlântico Sul e o principal local de reprodução das baleias jubarte que estão sob ameaça de extinção. A sessão deliberativa foi dirigida pelo presidente do Conselho, eng. Marcos Túlio de Melo.

No dia 14 do mês passado, o juiz federal substituto da 7ª Vara no Distrito Federal, José Márcio da Silveira e Silva, anulou a portaria 39/2006 do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que estabeleceu uma Zona de Amortecimento (ZA) no local.

A ZA é definida na legislação como área no entorno de uma unidade de conservação onde as atividades humanas estão sujeitas a normas e restrições. O juiz alegou que o presidente do Ibama, por meio de portaria, não tem competência para fixar os limites da zona do parque. Segundo o magistrado, o ato somente poderia ser formalizado mediante decreto do presidente da República ou resolução do Conama, o Conselho Nacional do Meio Ambiente.

“A definição dessa área no entorno do parque foi bastante discutida: foram três anos de preparação para definir a Zona de Amortecimento. O que foi questionado judicialmente foi a competência do presidente do Ibama. O Confea não pretende mudar a decisão judicial, mas contribuir para que as autoridades busquem o meio adequado de caracterizar aquela área e evitar  danos maiores”, defendeu o eng. elet. Paulo Bubach, coordenador da Comissão de Articulação Institucional do Sistema (CAIS), responsável pelo encaminhamento da deliberação.

Nota técnica
A nota ressalta que o arquipélago é também uma área de conservação e equilíbrio do ecossistema mundial, “por ser o principal local de reprodução das baleias jubarte, vindas das ilhas Geórgia do Sul na região polar”. Defende que o limite da Zona foi estabelecido após três anos de estudos e pesquisa de modelagem de dispersão do óleo em cenários de derramamento simulado em função dos ventos e correntes predominantes na região. Estiveram envolvidos no processo o governo federal, estadual, municipal, colônias de pesca, setor de turismo e o conselho consultivo do parque.

Nas considerações, o documento descreve que a atuação dos profissionais do Sistema deve ser implementada em plena consonância com o meio ambiente e que a retirada da portaria pode conduzir ao desenvolvimento de atividades impactantes na delicada região. Outra observação é que, a partir da anulação da portaria, fica permitida qualquer atividade de exploração de petróleo ou gás natural, “além da pesca e o desenvolvimento de empreendimentos em carcinocultura (criação de camarão em viveiros)”.

Conclui a nota, dizendo que o ato é um retrocesso do ponto de vista ambiental, “pois retira as restrições ou delimitações aos empreendimentos que possam gerar danos à vida marinha de Abrolhos”. Pelo princípio de precaução, o Confea propõe o restabelecimento da Zona de Amortecimento.

Junto à aprovação da nota, os conselheiros resolveram encaminhá-la aos Creas, entidades nacionais e regionais, aos poderes executivo, legislativo e judiciário e aos meios de comunicação.

Conheça a íntegra da Nota Técnica.

Iram Alfaia
Equipe de Comunicação do Confea