A audiência pública ocorrida ontem à noite no auditório do Centro de Convenções Riocidadenova abriu um leque de debates e exposições sobre a crise do transporte aeroportuário nacional e apontou a perda da cultura técnica - nos últimos 20 anos -, a ausência de planejamento, as conseqüências da falência da Varig, a presença frágil do poder público e a falta de fiscalização no segmento, como elementos que redundaram na crise do setor.
A audiência foi coordenada pelo conselheiro federal Paulo Bubach numa tentativa de radiografar e propor soluções para os problemas do transporte aéreo e concedeu aos expositores 15 minutos para que eles pudessem explanar sobre a crise. Segundo o deputado federal Edson Santos, que faz parte da CPI da crise aérea, falta uma agência reguladora para o setor aéreo e é preciso que se faça a descentralização do tráfego aéreo no Brasil. "A Anac não tem tido condições de exercer seu papel e ficou refém da vontade do mercado", afirmou.
Também foi discutida na audiência a mudança do paradigma regulatório obrigando os aeroportos passarem a ser fiscalizados por um sistema de regulação num período de 5 anos, forçando-os a uma inovação tecnológica. O ponto negativo da audiência foi a falta dos órgãos governamentais que não compareceram causando uma certa frustração nos presentes. Mas ficou definido que será tirado um documento que será do conhecimento público e remetido às autoridades competentes.
Os expositores mostraram que proposta de solução para a crise de imediato não será possível. Mas os governos não trataram o assunto de forma técnica. Segundo o engenheiro Reynaldo Barros, anfritrião da 64ª SOEAA, presente à mesa, a crise tem que ser tratada de forma técnica e não política imediatista e açodada.
A audiência mostrou que a solução para o problema não poderá ser de forma única porque exige uma certa complexidade e tem que ser entregue nas mãos de técnicos e não nas mãos de políticos. "O sistema Confea/Crea tem profissionais brilhantes com condições de dar uma grande contribuição ao setor", ressalta Marcos Túlio, do Confea, concluindo que essa contribuição tem que ser desejada pelo governo.
Equipe de jornalismo da SOEAA
