"Nivaldo Bósio"A geologia, uma das sete profissões normatizadas e fiscalizadas pelo Sistema Confea/Crea, apresenta-se, cada vez mais, como um dos motores da economia brasileira. Entretanto, o número de geólogos existentes no Brasil não é suficiente para cobrir a demanda das atividades econômicas. O presidente da Federação Brasileira de Geólogos, Nivaldo Bósio, analisa a situação.
E-Confea A balança comercial brasileira é impulsionada fortemente pelo minério de ferro. Esse é um bom exemplo para mostrar a importância da geologia para o país? Nivaldo Bósio Apesar de poucas pessoas perceberem, quase tudo que nos rodeia depende da geologia. Em uma casa, por exemplo, o cimento necessita do calcário; as telhas, da argila; temos também a areia. Se pensarmos nos plásticos, eles vêm, em grande maioria, do petróleo. O vidro, da sílica. Na agricultura, quando se utiliza a técnica da calagem, usamos a cal. Na escavação do metrô, é preciso conhecer as rochas. Então, a geologia está na base de uma série de atividades extremamente necessárias a todos os cidadãos. Pena que até mesmo o governo não percebe isso.
E-Confea Os cursos de geologia são relativamente recentes. Como o senhor avalia a formação e a atuação dos geólogos? Nivaldo Realmente, são cursos recentes. O primeiro foi criado em 1957. Atualmente, são 24 instituições de ensino que estão aptas a formarem geólogos. Mas percebemos um déficit de profissionais. No Brasil, temos apenas 10 mil geólogos. Falta divulgação dos cursos. O resultado disso é um mapeamento geológico insuficiente em todo o território nacional.
E-Confea O governo poderia estimular um resgate da atividade? Nivaldo Sim. Mas o governo deveria dar mais atenção. O Ministério de Minas e Energia, atualmente, é muito mais de energia do que de minas. Tanto o Ministério quanto o Departamento Nacional de Pesquisa Mineral (DNPM) passaram muito tempo com poucos profissionais. Recentemente houve um concurso e há, agora, um esforço para o lançamento de um novo edital.
E-Confea Como está a interface entre a geologia e as engenharias no Brasil? Nivaldo Ela caminha, mas ainda é lenta. Se fosse maior, muitos gastos, como a recuperação constante de estradas, por exemplo, seriam evitados. Sem falar nas tragédias. Entretanto, temos bons exemplos de interface, como no caso da descoberta do petróleo na camada pré-sal. Nesse campo, a geologia e a engenharia atuaram com perfeição, mostrando a capacidade dos nossos profissionais.
E-Confea Qual a sua avaliação sobre o desenvolvimento das tecnologias de geologia no Brasil? Nivaldo O geólogo brasileiro precisa ser criativo. Digo isso porque o Brasil, por ser um país tropical, recebe muitas chuvas, além de ter um solo bastante espesso. O intemperismo aqui é intenso, o que torna mais complexa a análise geológica. Portanto, a metodologia aqui deve ser diferente da utilizada no Hemisfério Norte. O exemplo do pré-sal serve, mais uma vez, para mostrar como produzimos conhecimento no país.
E-Confea Qual foi o impacto da crise econômica na profissão? Nivaldo Até 2008, o mercado de trabalho foi bom para a geologia. A crise na economia arrefeceu a atividade mineradora, mas agora, grandes empresas começam a retomar seus investimentos e a tendência é de crescimento da produção, ainda em 2009.
Thiago Tibúrcio Assessoria de Comunicação do Confea