Brasília, 18 de junho de 2009.

A empresa terminou em maio o inventário do complexo, fase em que se analisa se há condições para o aproveitamento hidrelétrico em uma região. O engenheiro civil responsável por esse estudo, Hélio Costa de Barros Franco, gerente da área de projetos civis de usinas hidrelétricas da Eletronorte, informou, em entrevista exclusiva ao E-Confea, que, dentro de um ano, os licenciamentos ambientais do complexo devem ser expedidos e a fase de leilões para a construção deve começar. Ele também revelou outros detalhes.
“O grande mérito do projeto será evitar que uma cidade se desenvolva em torno da usina. As equipes de trabalhadores se revezarão em turnos longos, de 15 dias e serão transportadas pelos rios e pelas estradas do entorno”, diz.

O material de divulgação do projeto informa que 25 mil empregos diretos e 75 mil indiretos serão gerados. Questionado se esse número de pessoas não precisará de um atendimento médico, ou pequenos serviços, como farmácias e padarias, o que levaria a uma formação espontânea de cidades, o engenheiro discorda.
Esses serviços já estão disponíveis em cidades próximas, como Itaituba, que servirão bem às necessidades. Nelas haverá uma vida social para trabalhadores que estiverem, por exemplo, em trânsito”, declara.
Na fase de inventário do Complexo Tapajós, Franco inicialmente apontou sete usinas, mas chegou à conclusão que cinco empreendimentos são os mais viáveis: duas usinas no Rio Tapajós (São Luiz do Tapajós e Jatobá) e três usinas no Rio Jamanxim (Cachoeira do Caí, Jamanxim e Cachoeira dos Patos).
Questão ambiental
Questões ambientais sempre são analisadas na hora da construção de uma hidrelétrica e sempre causam divergência de opiniões. Pelo projeto do Complexo Tapajós, as piracemas, peixes da região que costumam nadar contra a corrente para se reproduzir, sofrerão transposição por meio de canais para que o ciclo vital não seja prejudicado. Como a área da construção das usinas engloba terras indígenas e unidades de conservação, também existem ambientalistas contrários à construção do complexo.
É o caso do professor Rodolfo Salm, pesquisador da Universidade Federal do Pará especializado em Amazônia, que considera um desastre ambiental a intervenção na região do Rio Tapajós.
“Serão 5 usinas que transformarão o rio em uma escada, a exemplo do que aconteceu no Rio Tocantins. As consequências serão desastrosas, pois essa enorme infraestrutura afetará os peixes. O mais grave será a colonização, pois é impossível que uma obra desse porte não atraia pessoas. O local já é conhecido pela falta de lei e pela devastação da floresta, que, na minha opinião, aumentará. E acho desnecessárias as usinas, pois temos energia de sobra para as atividades do povo. São obras para gerar energia para a mineração, especialmente para o alumínio”, argumenta Salm.
O engenheiro eletricista Roberto d’Araújo, autor do livro Setor Elétrico Brasileiro, lançado pelo projeto Pensar o Brasil, do Confea, escreve sobre a questão ambiental das hidrelétricas e lembra um documento da International Hydropower Association (IHA) que recomenda que aspectos sociais e ambientais além da visão puramente econômica devem ser considerados nos projetos de usinas.
“Devem ser priorizados projetos que evitem ou minimizem o deslocamento de populações; os que tenham menor impacto sobre espécies ameaçadas; e os que beneficiem as populações locais, inclusive as à jusante”, cita.

Necessidade de energia
Apesar do enorme potencial hidrelétrico do Brasil, estimado em 138.400 GW, segundo dados do Balanço Energético Nacional 2008 do Ministério de Minas e Energia, apenas 14,9% da energia ofertada no país provém de fontes hidráulicas.
Roberto d’Araújo aponta que existem vantagens da hidroeletricidade, como substituir ou postergar a necessidade do uso de combustíveis fósseis; ser uma fonte renovável e, nessa categoria, ser a única capaz de produção em grande escala; emitir baixas quantidades de gases de efeito estufa; os investimentos, apesar de intensos durante um tempo limitado, podem ser realizados com conhecimento e materiais nacionais, sendo um fator de independência estratégica para o país.
Thiago Tibúrcio
Assessoria de Comunicação do Confea
