Brasil sai da crise com perspectivas de crescimento para 2010

Brasília, 18 de setembro de 2009.

O Brasil já tem o que comemorar. Pelo menos é no que acredita o governo. Na última semana (15/09), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), também conhecido como “Conselhão”, para comemorar a saída do país da crise financeira internacional, que desde setembro de 2008, com a quebra do banco americano Lehman Brothers, contaminou com a crise os mercados financeiros de todo o mundo. 

O vice-presidente da Fundação Getúlio Vargas, Marcos Cintra, acredita que a crise foi contida devido a situação relativamente confortável do Brasil frente aos países ricos e a alguns emergentes. Com isso, pôde responder com medidas que fortaleceram o mercado doméstico, responsável pela retomada das atividades ao longo deste ano. Segundo Cintra, o que permitiu ao governo tomar essas medidas foi a solidez dos fundamentos macroeconômicos, conquistada ao logo dos últimos anos. 

“Esses fundamentos – câmbio flutuante, reservas externas elevadas, sistema de metas de inflação e de superávit fiscal – somados à baixa alavancagem do sistema bancário nacional, foram determinantes para amenizar o impacto da recessão mundial sobre a produção nacional, que teve uma queda relativamente branda, se comparada à maioria dos países”, disse Cintra. Os bancos brasileiros são considerados de alavancagem baixa, isto é, empresta um número menor em relação aos seus ativos. Nos Estados Unidos, os bancos chegaram a alavancar 30 vezes o capital. Aqui, a média de alavancagem não passa de 6,5 vezes.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, em entrevista à BBC, previu para 2010 um novo ciclo de expansão, com crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) acima dos 5%. Para Mantega, de 2003 a 2008, o país teve um ciclo de crescimento de qualidade. “Crescemos sem criar desequilíbrio, inflação, déficit público. Encurtamos o período de crise e já estamos preparados para expandir. A partir de 2010, graças a essa solidez, vamos continuar com taxas de 5%, 6% nos próximos cinco, seis, sete anos tranquilamente”, afirmou o ministro.

Também otimista com a expansão nacional em 2010, o presidente da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), Murilo Celso Pinheiro, diz que, a partir de agora, são necessários investimentos em infraestrutura e em produção. “Podemos reduzir ainda mais os juros e aprimorar o PAC, acelerando seu ritmo. Além disso, devemos aproveitar as oportunidades trazidas pelas reservas encontradas na camada do pré-sal para garantir o nosso desenvolvimento”, afirma.

Nesse processo, Pinheiro ressalta a importância dos profissionais de engenharia. “A natureza do próprio trabalho do engenheiro está ligada ao desenvolvimento, ao avanço tecnológico e à melhoria das condições de vida da população. A partir da organização sindical e profissional, eles podem propor soluções, debater problemas e influir nas questões da sociedade como um todo. Essa é também uma grande contribuição da classe”, afirma o presidente.

Pensando nessas e em outras questões, a FNE promove, de 23 a 26 de setembro, em São Paulo, o VII Congresso Nacional dos Engenheiros (VII Conse). No evento, o manifesto “Cresce Brasil+Engenharia+Desenvolvimento” lançado no VI Conse, em 2006, terá suas propostas reeditadas, com atualização dos temas anteriores e inserção de novos. Entraram para a pauta da nova edição do documento “Cresce + Brasil + Desenvolvimento e a superação da crise”: pré-sal, engenharia pública – implementada no país por meio da Lei de Assistência Técnica,  n°11.888/08 –, debate sobre a Amazônia e sobre a necessidade de melhorar o ensino da engenharia a fim de formar profissionais atentos às inovações industriais. Todos esses assuntos serão abordados levando em conta a globalização econômica, que ainda pode ameaçar o Brasil com as consequências da crise em outros países.

Confira aqui a programação do VII Conse.

Aryana Aragão
Assessoria de Comunicação do Confea