Marcelo Pellegrini, da Agência USP – Mercado Ético, 22 de março de 2011 | 11h58
Pesquisa desenvolvida na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP, em parceria com a Petrobras, criou um sistema de identificação de vazamentos em dutos e oleodutos, por meio de sensores de pressão de resposta rápida.
Os sensores de pressão instalados ao longo do duto foram conectados em rede com um computador. A partir disso, foi possível desenvolver uma rede neural artificial capaz de analisar e monitorar os vazamentos, por toda a extensão do duto, em tempo real, por intermédio de um único computador.
“Neste trabalho inicial, implementamos a rede neural de forma off-line, mas devido ao baixo custo computacional, esta rede pode ser facilmente implementada em eletrônica embarcada, ou seja, de forma on line”, afirma o pesquisador que desenvolveu o equipamento, Fernando Guimarães Aguiar, sob a orientação do professor Paulo Seleghim Junior.
O estudo intitulado Utilização de redes neurais artificiais para detecção de padrões de vazamento em dutos é uma dissertação de mestrado iniciada em meados de 2007, que levou 2 anos e 10 meses em fase experimental. Durante este período o aperfeiçoamento da rede, assim como seus teste, foram realizados em um oleoduto piloto, do Núcleo de Engenharia Térmica e Fluidos (NETeF), da EESC-USP, com 1.500 metros de extensão e 51,2 mm de diâmetro.
Aguiar mostra-se otimista em relação aos resultados do estudo. “O que demanda mais tempo é a implementação da rede. A definição do que é ou não é considerado um vazamento. Depois disso, nosso algoritmo foi capaz de discriminar com precisão os sinais de vazamento e de não vazamento, para diversas vazões, em diferentes pontos e em tempo real ”, relata.
Próximos Passos
De acordo com Aguiar, ainda é necessário aprimorar a análise e o processamento dos dados para implentá-lo no mercado, principalmente no que se refere ao ajuste dos sensores durante a partida e a parada da bomba de óleo ou água.
“Por enquanto, trabalhamos com escoamento monofásico de água e com um escoamento constante. Em situações normais, muitas vezes, o fluxo de bombeamento é interrompido e reativado depois e também, pode-se ter escoamento bifásico (óleo e ar). Temos que adaptar nosso sistema para não entender isso como vazamento”, conclui.
(Agência USP)
